O governador Elmano de Freitas afirmou que o Ceará precisa avançar no enfrentamento às facções criminosas e anunciou novas medidas para reforçar a segurança pública no Estado. Em entrevista ao Jornal da Cidade nesta segunda-feira (17), ele defendeu a implementação da chamada lei antifacção, a construção de mais presídios e uma maior integração entre as forças estaduais, federais e o Poder Judiciário.
Ao avaliar o cenário da segurança pública, Elmano reconheceu que, apesar dos resultados apresentados pelo governo, ainda existem desafios relacionados à atuação das organizações criminosas. Para o governador, o combate às facções precisa ocorrer de maneira articulada, envolvendo diferentes instituições.
Entre as medidas citadas durante a entrevista está a ampliação da estrutura do sistema penitenciário. Elmano afirma que pretende avançar na construção de unidades prisionais no Estado como parte da estratégia para retirar integrantes de organizações criminosas das ruas.
“Daqui a pouco, eu dou outro serviço para construir mais presídios no Ceará”, afirma Elmano.
A declaração ocorre no contexto da defesa feita pelo governador de uma política de segurança voltada ao combate às facções. Segundo ele, a existência de criminosos ainda em liberdade exige a continuidade das ações policiais e também uma estrutura capaz de receber as pessoas presas.
“Precisamos implementar a lei antifacção”, afirma Elmano
Outro ponto apresentado pelo governador é a aplicação, no Ceará, da legislação antifacção mencionada por ele durante a entrevista.
Elmano afirma que a nova legislação representa um instrumento para enfrentar situações em que integrantes de organizações criminosas ameaçam moradores, comerciantes ou tentam controlar imóveis e territórios.
Ao explicar a medida, o governador cita situações em que criminosos ameaçam cidadãos para tomar suas casas, inclusive imóveis vinculados ao Minha Casa Minha Vida. Segundo ele, a legislação cria mecanismos mais rigorosos para responsabilizar os envolvidos.
“Nós precisamos implementar a lei antifacção no Ceará”, afirma Elmano.
Na avaliação do governador, a aplicação da legislação deve ampliar a capacidade do Estado de responsabilizar integrantes das organizações criminosas. Ele também relaciona a medida à necessidade de garantir que pessoas consideradas perigosas permaneçam presas após as ações realizadas pelas forças de segurança.
Elmano defende que o trabalho não termine com a prisão. Para ele, é necessário que as instituições tenham informações suficientes para identificar quem exerce papel relevante dentro das organizações criminosas e evitar que esses suspeitos retornem rapidamente às ruas.
Governador quer integração com Polícia Federal e PRF
A integração entre as instituições aparece como outro eixo central da estratégia defendida por Elmano.
O governador afirma que o enfrentamento às facções não pode ficar restrito às forças de segurança do Ceará. Para ele, a atuação das organizações criminosas ultrapassa os limites estaduais e exige a participação de órgãos federais.
“A nossa chance de vitória sob as organizações criminosas é nós termos integração das nossas forças com a Polícia Federal, com a Polícia Rodoviária Federal e com o Poder Judiciário”, afirma Elmano.
A proposta envolve uma atuação conjunta entre Polícia Militar, Polícia Civil, órgãos de perícia, forças federais e Justiça. Na avaliação do governador, a troca de informações é necessária para identificar os integrantes mais perigosos das organizações e direcionar as ações de investigação e prisão.
Elmano também defende que o debate sobre segurança seja tratado em âmbito nacional. Ele cita a PEC da Segurança Pública e a possibilidade de criação de um Ministério da Segurança Pública como medidas que poderiam fortalecer a articulação entre os diferentes órgãos.
O governador afirma esperar que a PEC avance nas próximas semanas e que o governo federal estabeleça uma estrutura nacional dedicada à área.
Segurança pública no Ceará ainda tem desafios, diz governador
Apesar de destacar resultados obtidos pelo Estado, Elmano afirma que o cenário da segurança pública ainda exige atenção.
Na entrevista, ele reconhece que a sensação de insegurança entre os cearenses continua forte. A avaliação ocorre mesmo diante dos números apresentados pelo governo durante o período de pré-campanha.
Para o governador, a presença das facções em diferentes partes do território nacional torna o enfrentamento mais complexo. Por isso, ele defende uma estratégia que combine policiamento ostensivo, investigação, inteligência, tecnologia e articulação institucional.
Elmano afirma que o Ceará ampliou o número de profissionais envolvidos na área de inteligência. Segundo ele, o Estado passou de cerca de 100 para aproximadamente 800 profissionais nesse setor.
O governador também cita a contratação de 6 mil profissionais para a Polícia Militar, Polícia Civil e Perícia Forense como uma das medidas adotadas para reforçar a presença das forças de segurança.
Drones também são usados no combate às organizações criminosas
A tecnologia aparece como outro componente da política de segurança citada por Elmano.
O governador afirma que o Ceará adquiriu drones capazes de auxiliar os policiais na localização de pessoas escondidas, inclusive em áreas de mata. Segundo ele, os equipamentos utilizam informações relacionadas à temperatura corporal para ajudar na identificação de suspeitos.
“Hoje o Ceará tem drone que encontra um foragido, um bandido que esteja numa mata”, afirma Elmano.
A tecnologia, segundo o governador, já é utilizada como apoio a operações realizadas pelas equipes policiais em campo.
A estratégia apresentada por Elmano combina, portanto, aumento do efetivo, inteligência e ferramentas tecnológicas. O objetivo é ampliar a capacidade de localização e prisão de integrantes de organizações criminosas.
Elmano cita prisões e bloqueio de recursos de facções
Durante a entrevista, o governador também apresentou resultados que, segundo ele, demonstram os efeitos da política de segurança adotada no Estado.
Elmano afirma que o Ceará registrou, em 2025, a prisão de 5 mil faccionados a mais que estavam nas ruas. O governador também declara que foram retirados R$ 3,3 bilhões da posse de organizações criminosas com apoio da Justiça.
Os números são utilizados por Elmano para sustentar a avaliação de que o Estado está avançando no enfrentamento às facções. Ao mesmo tempo, ele reconhece que os resultados não significam que o problema esteja resolvido.
“Isso quer dizer que nós estamos no caminho certo, mas que tem muita coisa para ser feita, tem muito faccionado na rua ainda”, afirma Elmano.
A avaliação reforça o argumento utilizado pelo governador para defender a construção de mais presídios e a implementação da lei antifacção.
Governador defende permanência de criminosos perigosos na prisão
Outro ponto abordado por Elmano é a relação entre as prisões realizadas pelas forças de segurança e as decisões tomadas posteriormente pelo sistema de Justiça.
O governador afirma que o Estado precisa melhorar a identificação dos integrantes que representam maior risco e garantir que eles permaneçam presos quando houver fundamento legal para isso.
“Nós não podemos cair no erro, que já aconteceu em outros momentos da história do Brasil, de nós recrudescermos a lei, aumentarmos a força policial, prendermos o bandido e a Justiça soltar”, afirma Elmano.
Na sequência, ele defende uma atuação baseada em informações e integração institucional para definir quais integrantes das organizações criminosas devem permanecer presos.
“Nós precisamos garantir a compreensão e as informações de quem de fato é perigoso e que precisa ficar preso para o cidadão de bem viver em paz e tranquilidade”, afirma o governador.
A proposta apresentada durante a entrevista, portanto, não se limita ao aumento do número de policiais ou à realização de prisões. Elmano coloca como prioridades a integração entre as instituições, o fortalecimento da inteligência, o uso de tecnologia, a aplicação da legislação antifacção e a ampliação da estrutura penitenciária.
Com isso, a segurança pública permanece como um dos principais temas do debate político no Ceará, especialmente diante da preocupação da população com a atuação das organizações criminosas e da necessidade de transformar os resultados apresentados pelo governo em uma percepção concreta de maior segurança para os cearenses.




