A candidata do Novo ao Governo do Ceará, Vera Lúcia, afirmou que não estava se preparando para disputar o cargo e que foi chamada para assumir a cabeça da chapa após mudanças na composição do partido para as Eleições 2026. A declaração foi dada nesta terça-feira (18), durante a sabatina promovida pelo Grupo Cidade de Comunicação, exibida pela TV Cidade Fortaleza.
A candidatura surgiu depois de duas mudanças dentro do Novo. Inicialmente, Eduardo Girão havia sido escolhido para disputar o Governo do Ceará, mas desistiu da candidatura. Em seguida, Pedro Brito assumiu a cabeça da chapa e também deixou a disputa.
Vera Lúcia ocupava inicialmente a posição de vice na chapa de Pedro. Com a nova desistência, passou a ser a candidata do partido ao Governo do Estado.
Questionada sobre o que a levou a aceitar uma candidatura que, segundo ela própria, não fazia parte dos seus planos, Vera afirmou que o Novo já tinha o objetivo de apresentar uma candidatura própria ao governo cearense.
A candidata disse que, mesmo sem ter tido tempo suficiente para se preparar, decidiu aceitar o convite feito por Eduardo Girão. “Eu não poderia dizer não”, afirma Vera.
Ela explicou que o pedido partiu de uma liderança que considera representativa dentro do partido e que, por isso, respondeu rapidamente ao convite. “Logo respondi sim”, diz a candidata.
Vera também reconheceu que não teve uma preparação antecipada para a disputa. Segundo ela, a decisão ocorreu em um intervalo curto e sem que houvesse tempo para um planejamento eleitoral tradicional.
Candidata nega falta de planejamento do Novo
Durante a sabatina, Vera foi questionada se as duas desistências em sequência poderiam transmitir ao eleitor uma imagem de falta de planejamento do Novo no Ceará.
A candidata rejeitou essa interpretação. Para ela, as mudanças ocorreram por circunstâncias específicas envolvendo os dois nomes que anteriormente estavam à frente da chapa.
No caso de Eduardo Girão, Vera relacionou a saída do senador à candidatura de Romeu Zema à Presidência da República. Segundo ela, Girão mantém proximidade com o governador de Minas Gerais e decidiu atender ao projeto nacional do partido.
“Ele não podia dizer não ao Zema”, afirma Vera, ao explicar a saída do senador da disputa estadual.
Sobre Pedro Brito, a candidata disse não conhecer em detalhes o motivo que levou à desistência, mas afirmou que a decisão não estaria relacionada à falta de organização do partido.
“Talvez ele tenha tido algum problema que não fez com que ele seguisse avante”, diz Vera.
Na avaliação da candidata, o fato de o Novo ter apresentado rapidamente seu nome após as desistências demonstra que havia uma alternativa para manter a legenda na disputa pelo Governo do Ceará.
Vera Lúcia defende experiência em gestão para compensar falta de mandato
Outro questionamento feito durante a entrevista foi relacionado à experiência política da candidata.
Vera nunca exerceu um mandato eletivo. Na eleição para a Câmara Municipal de Fortaleza, em 2020, recebeu pouco mais de 300 votos, segundo a informação apresentada durante a entrevista.
Ao ser questionada sobre por que o eleitor deveria escolher alguém sem experiência em cargos eletivos para comandar o Estado, Vera argumentou que a experiência política não seria o único critério para avaliar a capacidade de administrar o Ceará.
Ela comparou sua trajetória empresarial com a experiência acumulada por políticos tradicionais e questionou se a longa permanência na política necessariamente resulta em uma gestão voltada à população.
“Será que a política realmente está sendo feita para o povo?”, questiona a candidata.
Vera afirmou que pretende utilizar sua experiência administrativa em uma eventual gestão estadual. Para ela, administrar um Estado exige capacidade de gerenciamento e não apenas um currículo construído em mandatos eletivos.
“Por que não uma pessoa que não tem experiência na política, mas tem experiência em gestão?”, afirma Vera.
A candidata também disse que pretende se apresentar ao eleitor como uma alternativa baseada em princípios que considera importantes para a administração pública.
Segundo Vera, sua atuação seria pautada por sinceridade, lealdade, verdade e honestidade.
Candidata diz que não pretende governar sozinha
A falta de experiência em cargos públicos também levou Vera a ser questionada sobre sua preparação para administrar um Estado com a dimensão do Ceará.
A candidata afirmou que não considera a preparação uma característica definitiva e defendeu a ideia de que um gestor deve continuar aprendendo durante o exercício da função.
Vera disse ainda que não pretende concentrar as decisões em sua própria experiência. A candidata afirmou que contará com uma equipe qualificada para auxiliá-la em uma eventual administração.
“A preparação é um pouco de soberba, e eu não sou soberba”, declara Vera.
Na sequência, ela reforçou que pretende aprender ao longo do processo e que a equipe terá papel importante para suprir conhecimentos específicos necessários à administração estadual.
A candidata também citou a estrutura de preparação do Novo para seus candidatos e mencionou experiências relacionadas a Romeu Zema e à atuação política em Joinville.
Vera afirmou que uma eventual gestão seria construída de forma coletiva. “Eu não faço nada só, eu vou ter uma equipe qualificada, preparada”, diz a candidata.
Ela também afirmou que pretende manter uma postura aberta ao aprendizado e colocou a responsabilidade como um dos princípios para uma eventual administração.
Vera ainda não define quais secretarias seriam extintas
Outro tema abordado durante a sabatina foi a proposta de reduzir pela metade o número de secretarias estaduais.
Questionada sobre quais pastas deixariam de existir em uma eventual gestão, Vera afirmou que essa definição ainda não foi feita.
A candidata explicou que pretende primeiro analisar a estrutura existente e identificar quais áreas cumprem adequadamente suas funções antes de determinar possíveis mudanças.
“Nós não definimos essas secretarias, porque nós não somos irresponsáveis”, afirma Vera.
Segundo ela, seria necessário avaliar a finalidade de cada estrutura antes de decidir quais poderiam ser eliminadas ou reorganizadas.
A candidata defendeu que as mudanças administrativas sejam feitas a partir de uma análise do funcionamento das secretarias. “Primeiro, precisamos saber para que elas estão ali”, diz Vera.
A proposta de redução das secretarias, portanto, foi apresentada como uma diretriz do plano de governo, mas Vera não detalhou durante a entrevista quais pastas seriam atingidas.
Como Vera Lúcia chegou à candidatura?
Empresária do setor hoteleiro, Vera Lúcia tem formação em Administração de Empresas e atua há cerca de 15 anos na gestão de empreendimentos ligados à hotelaria.
Nascida em Recife, em Pernambuco, e criada entre a capital pernambucana e São Paulo, ela também viveu fora do Brasil antes de retornar e direcionar sua trajetória profissional para o turismo e a hotelaria.
A candidata também apresenta atuação em causas sociais, especialmente nas áreas de proteção animal e atenção à população idosa.
No Novo, Vera passou a ocupar a cabeça da chapa depois das desistências de Eduardo Girão e Pedro Brito. Antes disso, ela estava indicada para disputar como vice de Pedro.
A candidata afirma que a decisão de assumir a disputa ocorreu em um curto espaço de tempo, mas que aceitou o desafio por considerar importante manter o Novo na corrida pelo Governo do Ceará.
A sabatina desta terça-feira (18) integra a série de entrevistas do Grupo Cidade de Comunicação com os candidatos ao Governo do Ceará nas Eleições 2026. Vera Lúcia foi entrevistada pelos jornalistas Bianca Saraiva e Marcelo Moreno durante o Jornal da Cidade, na TV Cidade Fortaleza.
A programação teve início na segunda-feira (17), com a participação do governador Elmano de Freitas, candidato à reeleição. Ciro Gomes participa da série nesta quarta-feira (19).




