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SAÚDE

Sobre a saúde no ceará, Ciro promete “zerar as filas de espera em 90 dias”

Candidato do PSDB afirma que pretende usar leitos ociosos da rede privada para atender pacientes e critica modelo de gestão da saúde pública no Ceará

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Sobre a saúde no ceará, Ciro promete “zerar as filas de espera em 90 dias”
Ciro promete zerar fila de espera da saúde no Ceará em 90 dias. Foto: Lino Vieira

O candidato Ciro Gomes (PSDB) prometeu zerar, em até 90 dias de uma eventual gestão no Governo do Ceará, a fila de urgências da saúde que, segundo ele, atualmente reúne mais de 60 mil pessoas. A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (19), durante entrevista ao Jornal da Cidade, da TV Cidade Fortaleza.

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Questionado sobre como pretende reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, Ciro afirmou que não quer estabelecer um prazo de anos para resolver o problema. Segundo ele, a prioridade seria enfrentar a fila logo nos primeiros meses de governo.

“Eu quero em 90 dias zerar a fila das urgências”, afirmou o candidato.

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Para cumprir a promessa, Ciro apresentou como principal estratégia a utilização de leitos que estão disponíveis ou ociosos em hospitais particulares. A proposta é criar, segundo ele, uma estrutura chamada de SUS-Ceará, que faria a contratação desses espaços para ampliar rapidamente a capacidade de atendimento da rede pública.

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Ciro promete zerar fila da saúde em 90 dias

A proposta de Ciro parte de uma crítica ao modelo de avaliação da saúde pública baseado apenas na quantidade de unidades construídas.

Durante a entrevista, o candidato afirmou que o cidadão não avalia o sistema de saúde pelo número de hospitais ou equipamentos inaugurados, mas pela demora para conseguir atendimento.

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Na avaliação apresentada por Ciro, o principal indicador deveria ser o tempo de espera enfrentado pelo paciente para conseguir uma consulta, realizar um exame ou passar por uma cirurgia.

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Foi nesse contexto que ele estabeleceu o prazo de 90 dias para enfrentar a fila que, segundo o candidato, atualmente ultrapassa 60 mil pessoas nas situações classificadas por ele como urgentes.

Ciro afirmou que considera a espera uma forma de desrespeito aos pacientes e criticou o uso político do acesso aos serviços de saúde.

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A promessa apresentada durante a sabatina é, portanto, de uma intervenção rápida na estrutura existente antes da construção de novas unidades.

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Como funcionaria o SUS-Ceará proposto por Ciro

Para colocar a proposta em prática, Ciro afirmou que pretende aproveitar a capacidade que já existe na rede privada.

Segundo o candidato, há hospitais e estabelecimentos particulares que possuem leitos disponíveis ou ociosos em determinados períodos. Em vez de construir imediatamente novos espaços, a ideia seria contratar essa capacidade para atender pacientes do sistema público.

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Ciro citou hospitais particulares e a rede hospitalar de Fortaleza como exemplos de locais que poderiam ter espaços aproveitados.

O modelo apresentado pelo candidato prevê que o Estado pagaria pela utilização desses leitos por meio de um sistema que ele chamou de SUS-Ceará.

A lógica defendida é utilizar a estrutura já existente para ampliar rapidamente a oferta de atendimento. Ciro também afirmou que, ao contratar um volume maior de serviços, o poder público poderia negociar valores mais baixos.

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O candidato relacionou essa estratégia à experiência que afirma ter tido anteriormente como secretário de Saúde.

A proposta, caso seja implementada, teria como objetivo reduzir a necessidade de espera por uma vaga na própria rede pública enquanto o Estado reorganizaria o funcionamento de sua estrutura permanente.

Ciro critica hospitais com leitos sem funcionamento

Durante a entrevista, Ciro também direcionou críticas à forma como os investimentos em saúde pública vêm sendo realizados no Ceará.

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O candidato afirmou que o Estado não deveria priorizar apenas a construção de novos hospitais sem garantir que as estruturas já existentes tenham condições de funcionar plenamente.

Ele citou como exemplo um hospital de grande porte que, segundo sua afirmação, possui capacidade projetada para 832 leitos, mas estaria operando com pouco mais de 300.

Ciro questionou a eficiência de construir uma unidade com grande capacidade enquanto outros serviços e leitos deixam de funcionar.

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A crítica foi acompanhada de outros exemplos. O candidato afirmou que houve fechamento de leitos em unidades hospitalares e citou o encerramento de 200 leitos do Hospital César Cals e de 80 leitos do Hospital José Martiniano de Alencar.

Ele também mencionou mudanças na oferta de serviços de cardiologia pediátrica.

As informações foram apresentadas por Ciro durante a entrevista como exemplos do que considera uma desorganização da rede estadual de saúde.

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“O que adianta você fazer um hospital?”

Ao defender a prioridade para colocar em funcionamento a estrutura já existente, Ciro questionou a efetividade de grandes obras hospitalares quando elas não são acompanhadas pela capacidade necessária de atendimento.

Segundo o candidato, a construção de um hospital não resolve o problema do paciente se a unidade não tiver profissionais, equipamentos e serviços suficientes para receber a população.

Ele citou ainda o Hospital Nossa Senhora da Conceição, no Conjunto Ceará, como uma unidade que, segundo sua avaliação, teria sido aberta sem a estrutura necessária para determinados atendimentos.

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A crítica faz parte da tese central apresentada pelo candidato na entrevista: antes de ampliar fisicamente a rede, seria necessário garantir que os equipamentos existentes estejam efetivamente funcionando.

Essa estratégia seria complementada pela utilização temporária de leitos privados para reduzir a fila.

Candidato critica sistema de regulação

Outro alvo das críticas de Ciro foi o sistema de regulação utilizado para encaminhar pacientes aos serviços especializados.

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O candidato afirmou que a regulação da saúde no Ceará enfrenta problemas e utilizou termos duros para classificar o funcionamento do sistema.

Segundo ele, a dificuldade de acesso aos hospitais faz com que pacientes dependam de encaminhamentos e aguardem por vagas, em vez de conseguirem atendimento de acordo com a necessidade apresentada.

Ciro defendeu uma reorganização da rede para que o paciente tenha acesso mais rápido aos serviços necessários.

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Nesse modelo, a regulação continuaria tendo papel importante na organização dos atendimentos, mas deveria funcionar de forma mais eficiente para reduzir a espera.

Ciro prioriza estrutura existente antes de novas obras

Questionado sobre a importância de construir novas unidades para descentralizar o atendimento no Ceará, Ciro reconheceu que a expansão física da rede também é necessária.

O candidato, porém, afirmou que essa não seria a prioridade inicial de sua eventual gestão.

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A primeira etapa, segundo ele, seria fazer funcionar plenamente o que já existe.

A utilização de leitos privados seria uma medida emergencial para ampliar a oferta rapidamente, enquanto a rede pública passaria por uma reorganização.

A proposta combina, portanto, duas frentes: uma ação imediata para reduzir a fila e uma mudança estrutural na organização dos serviços de saúde.

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O prazo de 90 dias estabelecido por Ciro é o ponto mais ambicioso da proposta. Para atingir esse objetivo, seria necessário identificar a demanda acumulada, encontrar capacidade disponível na rede privada, estabelecer contratos ou mecanismos de pagamento e organizar o encaminhamento dos pacientes.

O candidato afirmou que considera a estratégia possível e citou sua experiência anterior na área da saúde como referência para a proposta.

Promessa coloca fila da saúde no centro da campanha

A redução das filas de consultas, exames e cirurgias é um dos temas com maior impacto direto para o eleitor porque está relacionada à experiência cotidiana de quem depende do sistema público.

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Na entrevista, Ciro buscou deslocar o debate sobre saúde da quantidade de prédios construídos para a capacidade efetiva de atendimento.

A promessa de zerar a fila em 90 dias estabelece um prazo específico para uma das principais demandas apresentadas pelo candidato.

Ao mesmo tempo, a proposta de utilizar leitos ociosos da rede privada indica que Ciro pretende apostar inicialmente no aproveitamento da capacidade existente, em vez de depender exclusivamente da construção de novas unidades.

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O candidato ainda precisaria detalhar, em um eventual plano de execução, os critérios para contratação dos leitos, o volume de recursos necessários, a quantidade de pacientes que poderiam ser atendidos e a forma de organização dos encaminhamentos.

Durante a entrevista, porém, ele apresentou a ideia como uma das principais medidas para enfrentar imediatamente a espera na saúde pública do Ceará.

A entrevista de Ciro Gomes integra a série de sabatinas promovida pelo Grupo Cidade de Comunicação com os candidatos ao Governo do Ceará nas Eleições 2026.

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