O governador do Ceará, Elmano de Freitas, voltou a afirmar nesta quarta-feira (26) que não existem territórios dominados por facções criminosas no Estado. Em entrevista ao UOL, o chefe do Executivo estadual reconheceu a atuação de grupos criminosos em diferentes municípios, mas afirmou que essa presença não representa, segundo o diagnóstico do governo, controle territorial.
Questionado sobre quantos territórios seriam ocupados por facções no Ceará, Elmano foi direto ao negar a existência desse tipo de domínio. Segundo ele, os grupos atuam de maneira distribuída e podem deslocar integrantes entre diferentes municípios para praticar crimes.
O governador citou como exemplo prisões realizadas nesta quarta-feira e afirmou que integrantes apontados como responsáveis por ações criminosas são identificados e presos pelas forças de segurança.
“Não há territórios ocupados por facções hoje no Ceará?”, perguntou o entrevistador. Elmano respondeu que os grupos criminosos atuam de forma espalhada, mas não possuem domínio territorial.
Facções atuam de forma espalhada, diz Elmano
Na avaliação apresentada pelo governador, a atuação de uma facção em determinado bairro ou município não significa necessariamente que o grupo tenha assumido o controle daquela área.
Elmano explicou que criminosos podem ser enviados para diferentes locais e passar a ameaçar moradores ou praticar delitos. Quando essas pessoas são identificadas pelas forças de segurança, a estratégia, segundo ele, é realizar a prisão.
Durante a entrevista, o governador citou prisões realizadas em diferentes pontos como exemplo dessa dinâmica. Entre os casos mencionados, estão uma prisão em São Paulo e outra em Forquilha, além de duas prisões que já haviam sido realizadas anteriormente.
A declaração ocorre em meio à discussão sobre a presença de organizações criminosas no Ceará e sobre a existência, ou não, de áreas em que esses grupos conseguiriam impor regras próprias à população.
Para Elmano, é necessário diferenciar a prática de crimes por integrantes de facções da existência de um território efetivamente controlado por uma organização criminosa.
Governador diferencia presença criminosa de domínio territorial
Durante a entrevista, Elmano apresentou uma comparação para explicar o conceito de domínio territorial utilizado pelo governo.
Segundo ele, o fato de uma pessoa cometer um roubo ou furto em determinada região não significa que aquele criminoso passe a controlar o território. Da mesma forma, a prática de crimes por integrantes de uma facção não seria suficiente, isoladamente, para caracterizar domínio territorial.
Na definição apresentada pelo governador, haveria domínio quando a organização criminosa conseguisse impedir a atuação do Estado e controlar aspectos da rotina da população.
Elmano citou como exemplo uma situação em que integrantes de uma facção estariam presentes de forma ostensiva, armados e controlando a circulação das pessoas.
“Controle do território a polícia realiza”, afirmou o governador durante a entrevista.
A declaração reforça a posição do governo estadual de que a atuação das forças de segurança impede que grupos criminosos estabeleçam esse tipo de controle no Ceará.
Elmano diz que facções já tentaram controlar áreas
Ao explicar a atuação policial, o governador afirmou que grupos criminosos já teriam tentado estabelecer formas de controle territorial no Estado.
Segundo Elmano, essas tentativas foram enfrentadas pelas forças de segurança, resultando em prisões, mortes de integrantes e fuga de outros suspeitos.
O governador não apresentou, na entrevista, uma quantidade específica de territórios que teriam sido alvo dessas tentativas nem detalhou os episódios mencionados.
A afirmação, porém, foi utilizada para sustentar o argumento de que o Estado mantém o controle sobre o território cearense.
A diferença entre atuação criminosa e domínio territorial é central na declaração do governador. O primeiro cenário envolve a prática de crimes por integrantes de organizações criminosas em diferentes regiões. O segundo pressupõe uma capacidade de controle que, segundo Elmano, não existe atualmente no Ceará.
Prisões são citadas como estratégia de combate
Ao responder sobre a forma de atuação das facções, Elmano destacou a mobilidade dos criminosos entre municípios.
De acordo com o governador, um integrante pode sair de uma cidade e passar a atuar em outra, o que faz com que as forças de segurança acompanhem a movimentação dos suspeitos e atuem para interromper essas ações.
A prisão dos responsáveis por ameaças ou outros crimes seria, nesse contexto, uma das principais formas de impedir que a atuação criminosa evolua para uma situação de controle sobre determinada área.
Elmano citou as prisões realizadas nesta quarta-feira como exemplos dessa atuação das forças de segurança.
A declaração também mostra como o governo estadual pretende enquadrar o cenário de segurança pública no Ceará: reconhecendo a existência e a atuação de organizações criminosas, mas rejeitando a classificação de áreas do Estado como territórios sob domínio de facções.
Debate sobre domínio de facções continua no Ceará
A afirmação do governador ocorre em um contexto de discussões recorrentes sobre a influência de organizações criminosas no Ceará.
A presença desses grupos é frequentemente associada a crimes como tráfico de drogas, homicídios, roubos, ameaças e disputas entre grupos rivais. No entanto, a definição sobre o que caracteriza um território dominado por uma facção envolve critérios que vão além da ocorrência de crimes em uma determinada região.
Na entrevista ao UOL, Elmano adotou justamente essa distinção para sustentar sua posição.
Para o governador, o controle permanece com o poder público porque as forças de segurança continuam entrando nas áreas onde há atuação criminosa e realizando prisões.
A declaração também coloca a atuação policial como principal elemento utilizado pelo governo para afirmar que não há perda de controle territorial para organizações criminosas.
Apesar da negativa sobre o domínio territorial, Elmano reconheceu que as facções continuam atuando no Ceará e podem deslocar integrantes entre municípios. A estratégia apresentada pelo governo é identificar essas movimentações e prender os envolvidos.
O tema deve continuar no centro do debate sobre segurança pública no Estado, especialmente diante da atuação de grupos criminosos em diferentes municípios e da necessidade de distinguir a presença de criminosos da efetiva perda de controle territorial por parte do poder público.




