O soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, foi morto com três tiros antes de ter o corpo incendiado, segundo o laudo cadavérico da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). O inquérito sobre o caso foi concluído e remetido à Justiça, e a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) considera o crime elucidado.
Raphael foi encontrado carbonizado na madrugada de 11 de agosto, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A investigação apontou que os disparos ocorreram antes da carbonização do corpo. Um dos elementos utilizados pela perícia para chegar à conclusão foi a ausência de fuligem na traqueia do soldado, indicando que ele não respirava quando o corpo foi queimado. O caso foi investigado pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
PM encontrado carbonizado em Itaitinga foi atingido por três tiros
O laudo cadavérico apontou que Raphael foi atingido por três disparos de arma de fogo. A perícia também estabeleceu que a carbonização ocorreu depois da morte. A conclusão é considerada um dos principais elementos técnicos reunidos durante a investigação. Com base nos exames realizados pela Pefoce, os investigadores puderam estabelecer que o incêndio do corpo não foi a causa da morte.
A reconstrução do crime também contou com outros elementos, incluindo depoimentos, imagens de câmeras de segurança e dados de geolocalização de veículos. O cruzamento dessas informações foi utilizado para reconstruir os deslocamentos dos envolvidos e a sequência dos acontecimentos antes e depois dos disparos.
Casal é indiciado por homicídio qualificado
A investigação resultou no indiciamento da soldado Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, e do marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, de 35 anos. Os dois foram indiciados por homicídio qualificado e estão presos desde o mesmo dia do crime.
Segundo a investigação, o homicídio teria sido cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima. A SSPDS informou que o conjunto de provas reunido no inquérito permitiu apontar a participação do casal no crime.
Além do homicídio, Antoneudo também foi autuado por falsificação de documento público e posse irregular de munição. Na residência do casal, os investigadores encontraram documentos falsos e munições dos calibres .40 e .38.
Relacionamento entre soldado e vítima entrou na investigação
Durante a apuração, os investigadores identificaram um relacionamento extraconjugal entre Júlia e Raphael. Segundo as informações reunidas no inquérito, a própria policial teria contado ao marido sobre a relação e mostrado a ele uma fotografia do soldado.
Na véspera do assassinato, Raphael teria dito a uma pessoa próxima que pretendia assumir o relacionamento com Júlia e que os respectivos casamentos seriam encerrados. A investigação também analisou os deslocamentos realizados na madrugada de 11 de agosto.
Câmeras de segurança registraram o carro de Raphael seguindo até as proximidades da residência onde Júlia e Antoneudo moravam, no bairro Jangurussu, em Fortaleza. A soldado e a vítima trabalhavam no 16º Batalhão da PMCE, sediado na Messejana. Conforme o inquérito, Júlia havia pegado carona com Raphael depois do expediente.
Câmeras registraram veículos antes e depois dos disparos
As imagens de monitoramento analisadas pela Polícia Civil registraram o veículo Prisma utilizado por Antoneudo se aproximando do carro de Raphael. O automóvel da vítima estava estacionado a aproximadamente 30 metros da residência do casal.
De acordo com o relatório da investigação, as gravações registraram clarões compatíveis com os três disparos que atingiram o soldado. Depois disso, os dois veículos deixaram o local juntos. A investigação apontou Antoneudo como responsável pelos disparos.
Ainda segundo o inquérito, Júlia teria participado de outras etapas da ação. Entre os elementos levantados está o pagamento de R$ 50 a um colega de farda para que ele trocasse de turno e trabalhasse com Raphael na tarde anterior ao crime.
Depois dos disparos, conforme a investigação, o casal teria conduzido os dois veículos até a rua Leandro Morais, na região limítrofe entre Fortaleza e Itaitinga. Foi nesse ponto que o carro de Raphael teria sido incendiado com o corpo dentro. A SSPDS também esclareceu que não foi identificada amputação traumática no corpo do policial militar.
PMCE explica ingresso de Júlia na corporação
A Polícia Militar do Ceará também divulgou informações sobre o ingresso de Júlia na corporação. Segundo a PMCE, ela foi aprovada no concurso público realizado em 2021 e convocada em 2022, quando já estava grávida.
Em razão da gestação, a candidata não realizou inicialmente o Teste de Aptidão Física (TAF). Ela, entretanto, participou das demais etapas do curso de formação, incluindo a investigação social, concluída em fevereiro de 2022.
Naquele momento, conforme a PMCE, não foram identificados antecedentes criminais durante a investigação social. Posteriormente, Júlia realizou o TAF e foi considerada apta, seguindo nas demais etapas do concurso.
Em 2024, ela realizou o Curso de Formação de Soldados. Após concluir a formação, passou a integrar oficialmente o efetivo da PMCE na graduação de soldado, em novembro daquele ano. A corporação ressaltou que o ingresso de Júlia ocorreu antes dos crimes pelos quais ela passou a ser investigada.




