O início da propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão não representa a mesma oportunidade para todos os candidatos. Enquanto Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) terão direito ao horário eleitoral nesses meios, outras candidaturas recorrem às redes sociais para apresentar propostas e buscar contato direto com os eleitores.
O ambiente digital ganhou espaço como alternativa para quem dispõe de menos tempo na propaganda tradicional. Instagram, Facebook, TikTok, YouTube e outras plataformas passaram a fazer parte da estratégia de comunicação das campanhas.
Os dados cadastrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram a dimensão dessa presença. Entre os candidatos a deputado federal, 72% utilizam o Instagram na campanha. Dos 7.679 concorrentes registrados, 5.493 declararam usar a plataforma.
A presença digital, no entanto, não se limita ao Instagram. Também foram identificadas contas de campanha em Facebook, WhatsApp, YouTube, TikTok, Telegram, Kwai, X/Twitter, LinkedIn, Pinterest e Threads.
Redes sociais ganham espaço nas campanhas eleitorais
O cientista político Djalma Pinto avalia o papel das plataformas digitais na relação entre candidatos e eleitores. Ele falou sobre o assunto com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza:
“A rede social é um instrumento muito valioso para essa interação entre candidato e eleitor, para que o candidato possa apresentar suas propostas e conseguir a simpatia, o aval do eleitor ao seu nome. O candidato pode usar, desde que ele cumpra com os valores éticos, não cometendo calúnia, não enganando o eleitor.”
A mudança altera a forma como as candidaturas podem se comunicar com o público. Em vez de depender exclusivamente do espaço disponível no rádio e na televisão, os concorrentes podem utilizar seus próprios perfis para divulgar conteúdo durante a campanha.
A presença nas plataformas também se tornou ampla entre os candidatos de maneira geral. Três em cada quatro candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informaram pelo menos uma conta no Instagram.
Apenas cerca de 13% das candidaturas não declararam nenhuma rede social nem endereço de site eleitoral.
Por que alguns candidatos têm menos tempo na TV e no rádio?
O direito ao horário eleitoral gratuito está relacionado à representação dos partidos no Parlamento. Para adquirir esse direito, o partido precisa alcançar um total de 2,5% dos votos para deputado federal, distribuídos em pelo menos um terço dos estados da Federação.
Com a diferença de espaço entre as candidaturas, as redes sociais passam a desempenhar uma função importante na comunicação eleitoral.
O advogado eleitoral Fernandes Neto chama atenção para uma característica que aproxima televisão e redes sociais:
“Esse é um fenômeno que se está vendo. Apesar de nenhum partido abrir mão do seu tempo, do seu horário de rádio e de TV, porque ali serve também inclusive para tirar cortes para as redes sociais. Então têm mais repercussão hoje os cortes dos programas que são colocados nas redes sociais do que os próprios programas eleitorais.”
Dessa forma, mesmo o conteúdo produzido para o horário eleitoral pode ganhar uma segunda circulação no ambiente digital, por meio de trechos publicados nas plataformas.
72% dos candidatos a deputado federal usam Instagram
Entre os candidatos a deputado federal, o Instagram é a plataforma mais utilizada. São 5.973 contas declaradas ao TSE, embora 5.493 dos 7.679 candidatos utilizem a rede na campanha.
A diferença entre o número de candidatos e o de contas ocorre porque alguns concorrentes mantêm mais de um perfil.
Depois do Instagram, aparecem outras plataformas com presença significativa entre as candidaturas:
- Facebook: 4.342 contas de campanha;
- TikTok: 1.928 contas;
- YouTube: 1.143 contas;
- X, antigo Twitter: 859 contas;
- Threads: 608 contas;
- LinkedIn: 221 contas;
- WhatsApp: 142 contas.
O cenário representa uma mudança em relação aos números registrados em 2022. Naquele ano, 46% dos candidatos haviam informado pelo menos uma conta de Instagram, 42% declararam perfil no Facebook e 12% no X.
Os dados atuais indicam uma presença maior das candidaturas nas plataformas digitais, especialmente no Instagram.
O que pode e o que não pode na propaganda eleitoral digital
Entre os recursos utilizados nas campanhas estão o tráfego pago e a inteligência artificial. O material de campanha pode utilizar IA para produção de conteúdo e aprimoramento de imagens, desde que haja a devida sinalização.
Já o impulsionamento de publicações deve ser realizado pelo próprio candidato e não pode ultrapassar o teto de gastos estabelecido pelo partido.
Há também uma restrição específica para os eleitores: não é permitido fazer propaganda eleitoral com tráfego pago, mesmo quando o recurso utilizado pertence ao próprio dono do perfil.
As regras fazem com que a utilização das redes sociais pelas campanhas não seja apenas uma questão de alcance. A forma de produção e divulgação do conteúdo também precisa observar as normas eleitorais apresentadas no material.
Inteligência artificial também é usada nas campanhas
A inteligência artificial aparece como mais um recurso incorporado à comunicação eleitoral. Sua utilização é permitida para produção de conteúdo e aprimoramento de imagens, desde que devidamente sinalizada.
Ao lado do tráfego pago, a tecnologia amplia as possibilidades de produção e distribuição de materiais para as campanhas.
Para Djalma Pinto, o desempenho dos candidatos no ambiente digital pode ter peso importante na disputa:
“Essa capacidade de convencimento, de utilização, com boa performance na rede social, pode suprir essa falta da televisão. E eu acredito que hoje a própria televisão não é um fator decisivo para que o candidato tenha sucesso nas urnas. O mais importante é o seu desempenho na rede social, com propostas inovadoras, convincentes, e que realmente sejam sinalizadoras de que ele está ali, como representante do povo, postulando essa vaga para atuar em favor da satisfação do interesse coletivo.”




