Quinze pessoas foram presas, até esta segunda-feira (31), em investigações sobre ameaças e extorsões relacionadas ao contexto das eleições de 2026 no Ceará. As capturas ocorreram em diferentes municípios cearenses e também nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Os casos investigados envolvem suspeitas de intimidação de candidatos, cobrança de dinheiro para permitir a realização de atos de campanha e ameaças direcionadas a políticos e comerciantes. Parte das apurações aponta ainda para uma possível atuação de integrantes do Comando Vermelho que estariam fora do Ceará.
A prisão mais recente ocorreu em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. Uma mulher de 25 anos foi capturada sob suspeita de participar de ameaças contra políticos e comerciantes de Capistrano. Segundo as investigações, ela teria repassado informações sobre as vítimas a integrantes da organização criminosa que estariam escondidos na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro.
A identidade da mulher não foi divulgada pela Secretaria da Segurança Pública do Ceará.
15 pessoas são presas por ameaças e extorsões no Ceará
Entre os casos investigados estão ocorrências registradas em Forquilha, Itapajé, Maranguape e Capistrano, além de ações realizadas em outros estados.
Em Forquilha, seis das 15 pessoas presas são investigadas por suspeitas de ameaças e extorsões contra candidatos. A apuração começou após denúncias relacionadas à atuação de criminosos durante o período eleitoral.
Dois homens foram presos em 20 de agosto. Conforme as investigações, eles seriam integrantes do Comando Vermelho e teriam exigido R$ 200 mil para permitir que candidatos a deputado realizassem atividades de campanha no município.
A identificação dos suspeitos ocorreu após a análise de dados relacionados a uma ligação telefônica utilizada nas ameaças e de um e-mail associado ao número.
Outro suspeito ligado ao caso foi preso em São Paulo, no dia 26 de agosto. O homem, de 21 anos, é investigado por utilizar perfis em redes sociais para realizar as ameaças e extorsões.
Forquilha concentra parte das investigações sobre ameaças a candidatos
As investigações relacionadas a Forquilha também chegaram ao Rio de Janeiro. No dia 27 de agosto, a Delegacia de Forquilha deflagrou uma operação para cumprir mandados contra suspeitos envolvidos no esquema.
Entre os presos está José Álisson Vitorino da Costa, capturado no bairro Leblon. A ação ocorreu fora do Ceará porque parte dos suspeitos investigados estaria escondida no estado fluminense.
No dia seguinte, uma mulher de 19 anos foi presa em Forquilha. Segundo as informações da investigação, ela seria suspeita de envolvimento nas mesmas práticas de ameaça e extorsão investigadas no município.
Os casos de Forquilha passaram a ser acompanhados também pelo Ministério Público Eleitoral, que instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para apurar uma possível interferência de integrantes de organização criminosa nas eleições do município.
A investigação foi formalizada após uma denúncia apresentada pelo prefeito de Forquilha.
Suspeitos são presos em Itapajé durante investigação eleitoral
Outro conjunto de prisões ocorreu em Itapajé, no interior do Ceará. Três homens foram capturados na última sexta-feira (28), sob suspeita de envolvimento em ameaças e extorsões durante a campanha eleitoral.
Segundo a Polícia Civil, as prisões ocorreram após denúncias de que integrantes de um grupo criminoso estariam praticando ameaças contra moradores durante eventos políticos realizados no município.
Dois suspeitos, de 21 e 23 anos, foram presos em flagrante no bairro Padre Lima. Com eles, os policiais apreenderam uma pistola, um revólver, um carregador, mais de 20 munições e cinco celulares.
Um terceiro homem, de 26 anos, foi localizado no bairro Iratinga. Ele é apontado nas investigações como responsável por ameaças feitas por meio de um perfil em uma rede social. Dois celulares foram apreendidos com o suspeito.
As prisões passaram a integrar o conjunto de ocorrências investigadas pelas forças de segurança relacionadas a ameaças e extorsões no contexto eleitoral.
Homem é preso por ameaças a candidatos em Maranguape
Em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, um homem de 19 anos foi preso no dia 26 de agosto sob suspeita de integrar o Comando Vermelho e ameaçar candidatos com o objetivo de impedir atividades de campanha.
O investigado foi identificado como Ricardo Vasconcelos da Cruz. Conforme a investigação, as ameaças teriam sido divulgadas por meio de publicações em redes sociais conhecidas como “salves”.
Após passar por audiência de custódia, ele teve a prisão preventiva decretada.
As investigações apontam ainda que as ameaças em Maranguape teriam sido ordenadas por um homem identificado como Johnathan Amaro Cabral, conhecido como “Bodó”, apontado pelas autoridades como uma das lideranças criminosas procuradas no Ceará.
Outro nome citado nas investigações é Manoel Valberci Rocha Nascimento, conhecido como “Berci”. Ele estaria foragido na Rocinha, no Rio de Janeiro, e seria apontado como mentor das ameaças contra o prefeito de Forquilha.
Investigações apontam atuação de suspeitos fora do Ceará
A participação de pessoas localizadas em outros estados é um dos elementos que aparecem nas diferentes investigações.
Além dos suspeitos presos em São Paulo e no Rio de Janeiro, a apuração sobre o caso de Capistrano aponta que informações sobre vítimas teriam sido repassadas a integrantes de uma organização criminosa que estariam na Rocinha.
Em outros municípios cearenses, como Sobral e Santana do Acaraú, também existem investigações relacionadas a uma possível tentativa de interferência criminosa nas campanhas eleitorais.
Em Sobral, uma investigação apontou a cobrança de valores para permitir que candidatos utilizassem determinadas ruas e espaços públicos municipais durante atividades de campanha. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, a cobrança poderia chegar a R$ 60 mil.
A Secretaria da Segurança Pública do Ceará informou que investigações envolvendo crimes dessa natureza são conduzidas pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), por meio das Delegacias de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) Norte e Sul.
As apurações continuam para esclarecer a participação dos suspeitos, identificar eventuais outros envolvidos e verificar a dimensão da possível interferência de organizações criminosas nas atividades relacionadas às eleições de 2026 no Ceará.




