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POLÍTICA

Nunes Marques mantém propaganda de Lula com críticas a Flávio Bolsonaro no ar

Presidente do TSE rejeitou pedidos para suspender vídeo que exibe conversa do senador com Daniel Vorcaro e afirma que não há falsidade manifesta no conteúdo

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Nunes Marques mantém propaganda de Lula com críticas a Flávio Bolsonaro no ar
TSE rejeita pedido de Flávio Bolsonaro e mantém propaganda de Lula no ar. Foto: Reprodução

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, decidiu nesta terça-feira (1º) manter no ar uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que faz críticas ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. O vídeo apresenta trechos de uma entrevista do senador e de um áudio enviado por ele ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Leia também: Pesquisa para presidente no segundo turno: veja os números de Lula x Flávio Bolsonaro

A decisão foi tomada em duas ações apresentadas pela defesa de Flávio Bolsonaro. Os processos questionam diferentes formas de veiculação da mesma peça publicitária: uma delas trata das inserções durante a programação televisiva e a outra aborda a exibição do conteúdo na abertura do bloco noturno da propaganda eleitoral de Lula.

Nunes Marques entendeu que não havia elementos suficientes para determinar a retirada imediata do material. Para o ministro, não foi identificada, neste momento, uma situação de falsidade manifesta ou de descontextualização grave que justificasse a suspensão da propaganda.

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Decisão cita conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

A propaganda utiliza um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro em uma conversa com Daniel Vorcaro. O diálogo envolve a busca por patrocínio para um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Segundo a decisão, o próprio senador reconhece a existência da conversa, a autenticidade do áudio e que o contato com Vorcaro estava relacionado à tentativa de obter financiamento para a produção.

A campanha de Lula utiliza esses elementos para construir críticas políticas ao candidato adversário. Ao final do vídeo, são apresentadas afirmações de caráter negativo sobre Flávio Bolsonaro.

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Para Nunes Marques, a utilização da conversa possui base em fatos efetivamente ocorridos. O ministro avaliou que a associação feita pela propaganda entre o senador, Vorcaro e a tentativa de obtenção de patrocínio não é desprovida de fundamento factual.

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A decisão, no entanto, faz uma distinção importante: a propaganda não afirma que Flávio Bolsonaro seja investigado ou acusado de participar das fraudes atribuídas aos responsáveis pelo Banco Master.

Ministro diz que propaganda não atribui fraude a Flávio

A defesa do candidato do PL argumentou ao TSE que a peça publicitária reunia acontecimentos sem relação direta para criar no eleitor a impressão de que Flávio Bolsonaro teria envolvimento com as irregularidades investigadas no banco.

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Nunes Marques não acolheu o pedido de retirada imediata do conteúdo. Na avaliação do ministro, o fato de a conversa utilizada no vídeo estar relacionada a um pedido de patrocínio para um filme, e não diretamente às fraudes investigadas no Banco Master, não torna automaticamente falsa a crítica apresentada pela campanha petista.

O presidente do TSE considerou que a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro apresentada na propaganda possui um elemento factual: a existência da conversa e do contato entre os dois sobre o financiamento da produção.

Ao mesmo tempo, a decisão ressalta que a ausência de vínculo direto entre esse diálogo e as fraudes investigadas é uma questão que pode ser esclarecida no debate eleitoral.

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Com isso, Nunes Marques entendeu que não havia fundamento suficiente para retirar a propaganda do ar em caráter imediato.

Críticas a Flávio Bolsonaro foram mantidas

Além da utilização da entrevista e do áudio, o vídeo apresenta frases de forte conteúdo político contra o candidato. Entre elas estão afirmações de que Flávio Bolsonaro não seria confiável e a classificação dele como “o pior dos Bolsonaros”.

Esses trechos também foram questionados pela defesa do senador, mas permaneceram na propaganda.

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Na avaliação de Nunes Marques, embora as declarações tenham caráter depreciativo, elas se enquadram predominantemente como juízos de valor formulados a partir dos elementos apresentados no próprio vídeo.

A decisão considerou, portanto, que as críticas fazem parte da disputa eleitoral e não ultrapassaram, neste momento, os limites que justificariam uma intervenção imediata da Justiça Eleitoral.

TSE ainda vai analisar possível direito de resposta

A decisão desta terça-feira não encerra todas as questões apresentadas pela defesa de Flávio Bolsonaro. Nunes Marques ainda deverá analisar um eventual pedido de direito de resposta relacionado ao conteúdo da propaganda.

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Além disso, as decisões que mantiveram o vídeo no ar serão submetidas ao referendo do plenário do Tribunal Superior Eleitoral.

O caso ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026 e envolve um dos principais instrumentos utilizados pelas campanhas para apresentar críticas aos adversários: a propaganda eleitoral na televisão.

A análise do TSE também estabelece uma diferença entre uma crítica política baseada em fatos verificáveis e uma eventual afirmação falsa sobre o envolvimento de um candidato em um crime ou investigação.

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Neste caso, o ministro considerou que os elementos apresentados pela campanha de Lula — incluindo a conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro — possuem substrato factual suficiente para que o vídeo permaneça no ar enquanto o processo continua sendo analisado.

Até o momento, portanto, a propaganda segue autorizada nas formas de veiculação questionadas pelas ações apresentadas ao TSE.


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