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FEMINICÍDIO

Homem acusado de matar esposa a tiros e jogá-la para fora do carro vai a júri popular em Fortaleza

Justiça decidiu pronunciar Carlos Alberto Soares Capistrano por feminicídio qualificado; data do julgamento ainda será definida

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Homem acusado de matar esposa a tiros e jogá-la de viaduto vai a júri popular em Fortaleza
Testemunhas relataram que o homem a empurrou para fora do carro em movimento, na região da Avenida Coronel Matos Dourado. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza (Arquivo)

A Justiça do Ceará decidiu levar a júri popular Carlos Alberto Soares Capistrano, acusado de matar a própria esposa, Ana Angélica Pereira Capistrano, em Fortaleza. A 1ª Vara do Júri da Capital pronunciou o réu por feminicídio qualificado em decisão proferida em 21 de agosto de 2026.

Com a pronúncia, o processo será encaminhado para julgamento pelo Tribunal do Júri. Segundo o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), a data da sessão ainda será definida depois do prazo para apresentação e análise de eventuais recursos. Carlos Alberto permanece em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico.

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Como ocorreu o crime

O caso aconteceu em 7 de janeiro de 2020. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), por volta das 9h, Carlos Alberto teria efetuado quatro disparos contra Ana Angélica enquanto os dois estavam em um veículo nas proximidades da Avenida Mister Hull. De acordo com a acusação, os tiros atingiram a cabeça, o tórax e o quadril da vítima.

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Depois dos disparos, o corpo de Ana Angélica teria sido retirado do veículo. Testemunhas relataram que o homem a empurrou para fora do carro em movimento, na região da Avenida Coronel Matos Dourado, próximo a um viaduto. Carlos Alberto teria fugido após abandonar o corpo da esposa.

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A Polícia Militar identificou a placa do veículo e iniciou buscas pelo suspeito. Equipes do Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), da Polícia Militar do Ceará (PMCE), localizaram o carro na Rua Raimundo Arruda, no bairro Parquelândia.

Segundo as informações do caso, Carlos Alberto não obedeceu à ordem de parada. Durante a perseguição, policiais atiraram contra os pneus do veículo.

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Na sequência, o homem teria tentado tirar a própria vida com um disparo no queixo e golpes de tesoura. Ele sobreviveu e foi encaminhado para atendimento médico.

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A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em prisão preventiva.

Vítima havia denunciado ameaças

Antes do feminicídio, Ana Angélica já havia registrado um Boletim de Ocorrência contra o marido. A denúncia foi feita em 2018 na Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, da Polícia Civil. Na ocasião, segundo os autos, a mulher relatou que era ameaçada com frequência pelo companheiro.

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Em um dos episódios narrados no registro, Carlos Alberto teria ingerido bebida alcoólica e chutado a porta de um quarto onde Ana Angélica havia se trancado para se proteger. Segundo as informações apresentadas no processo, a vítima também descreveu o marido como violento, possessivo, ciumento e agressivo.

Ana Angélica estava em processo de separação quando foi morta. A denúncia do MPCE aponta que o casal enfrentava um processo de divórcio conturbado e que havia indicativos de que Carlos Alberto era contrário ao fim do relacionamento.

Poucos dias após o crime, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) confirmou que a vítima já havia registrado o boletim de ocorrência em 2018. Conforme o órgão, ela denunciou o companheiro por ameaça, mas não retornou dentro do prazo legal para dar continuidade ao procedimento, uma vez que aquele crime dependia de representação da vítima.

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MPCE denunciou acusado por feminicídio

O Ministério Público do Ceará apresentou a denúncia contra Carlos Alberto em 16 de janeiro de 2020, por meio da 108ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, perante a 1ª Vara do Júri. Na peça, o MPCE sustentou que Carlos Alberto e Ana Angélica eram casados e viviam um processo de divórcio marcado por conflitos.

As testemunhas ouvidas no caso atribuíram a autoria do crime ao acusado, segundo a Promotoria.

A denúncia também utilizou o Boletim de Ocorrência registrado pela vítima em 2018 para descrever o relacionamento. O documento mencionava ameaças e a intenção de Ana Angélica de buscar medidas protetivas.

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O MPCE pediu a condenação por feminicídio com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

A Promotoria também solicitou diligências para verificar se Carlos Alberto possuía autorização para portar arma de fogo.

Processo teve discussão sobre saúde mental

Ao longo da tramitação, a defesa de Carlos Alberto alegou que ele apresentava transtornos psiquiátricos na época do crime. Em 2022, um laudo apontou que o acusado apresentava quadro de dependência moderada de álcool e, segundo a avaliação, tinha capacidade reduzida de entendimento e autodeterminação em relação ao ilícito cometido.

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A partir disso, foi instaurado um incidente de insanidade mental.

A filha de Ana Angélica, que atua no processo como assistente de acusação, pediu a abertura de um novo incidente. O pedido foi fundamentado na existência de dúvidas e na necessidade de complementar a perícia realizada anteriormente.

A discussão sobre a condição mental do acusado passou a integrar a tramitação do processo antes da decisão que determinou seu julgamento pelo Tribunal do Júri.

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Réu está em prisão domiciliar

Em 2024, o Tribunal de Justiça do Ceará concedeu o relaxamento da prisão de Carlos Alberto e determinou a aplicação de medida cautelar de internação provisória. Naquele período, porém, a unidade destinada a presos que necessitavam de atendimento psiquiátrico estava interditada no Ceará.

Diante da situação, Carlos Alberto passou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Segundo o TJCE, ele permanece nessa condição atualmente.

Julgamento ainda não tem data

Carlos Alberto Soares Capistrano deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri por feminicídio qualificado. O TJCE informou que a sessão somente terá data definida depois do prazo para recursos.

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Até a realização do julgamento, o acusado permanece em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, conforme informou o Tribunal de Justiça do Ceará.


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