Depois de cinco anos de tratamento contra uma doença renal e de enfrentar sessões de hemodiálise, Adriana Gurgel vive uma nova fase após receber um transplante de rim. Há três meses, ela deixou de depender da máquina de hemodiálise e agora se adapta à rotina após o procedimento, enquanto compartilha a própria história para incentivar a doação de órgãos no Ceará.
A doença foi descoberta de forma inesperada, quando Adriana se preparava para passar por uma cirurgia. Durante a avaliação, o traumatologista percebeu que os níveis de creatinina estavam aumentando e orientou que ela procurasse um nefrologista.
Adriana conta que, inicialmente, acreditava que a alteração poderia estar relacionada ao uso frequente de anti-inflamatórios. A partir da recomendação médica, começou o acompanhamento especializado e permaneceu durante cinco anos em tratamento.
Segundo ela, o quadro evoluiu até o momento em que o tratamento já não era suficiente para manter a função dos rins. Foi então que recebeu a orientação de iniciar a hemodiálise.
“Quem descobriu foi até o meu traumatologista. Quando eu ia fazer cirurgia, ele viu que a minha creatinina estava subindo e eu falei que tinha tomado muito anti-inflamatório. Então, ele mandou eu procurar um nefrologista.”
Adriana explica que procurou um especialista e permaneceu em acompanhamento durante anos, até receber a indicação para a hemodiálise. “Aí eu procurando nefrologista, fiz cinco anos de tratamento, até que ele disse que também não dava mais, tinha que ir pra hemodiálise”, relata.
Hemodiálise trouxe dificuldades e abriu possibilidade de prioridade
Durante o período em que fazia hemodiálise, Adriana passou por episódios de pressão baixa e anemia. Diante das dificuldades enfrentadas, ela foi informada de que poderia tentar uma prioridade na fila de transplantes.
A possibilidade mudou a perspectiva da paciente, que realizou os exames necessários para tentar entrar na prioridade. O que ela não esperava era que a convocação para o transplante acontecesse tão rapidamente.
Adriana afirma que entregou o último exame em uma quinta-feira à tarde. Na manhã seguinte, recebeu a ligação informando que havia sido chamada para o procedimento.
“Eu fiz os exames tudinho, pedi, e eu consegui entrar na prioridade, tanto que no dia que eu entreguei o último exame, entreguei à tarde, na quinta-feira à tarde, quando foi na sexta de manhã eu já acordei com a ligação me chamando para o transplante.”
A partir daquele momento, começou uma nova etapa. O transplante interrompeu a rotina de sessões de hemodiálise, mas também trouxe um período de adaptação aos cuidados e à vida depois do procedimento.
Três meses após transplante, Adriana planeja retomar rotina
Adriana ainda está se adaptando à nova realidade. São três meses sem precisar da máquina de hemodiálise e com a expectativa de voltar gradualmente a atividades que faziam parte do cotidiano antes do tratamento.
A experiência também mudou a forma como ela enxerga outras pessoas que aguardam por um órgão. Ao passar pela fila e receber a oportunidade de um transplante, Adriana diz ter desenvolvido ainda mais empatia por quem permanece esperando.
Nas redes sociais, ela passou a compartilhar a própria trajetória e a defender a importância da doação de órgãos. Para ela, a mudança na própria vida também está diretamente ligada à decisão da família que autorizou a doação.
“Até hoje eu agradeço essa família que a gente não conhece. A minha gratidão será eterna e que Deus abençoe eles.”
Adriana afirma ainda que pretende continuar falando sobre o assunto para alcançar pessoas que aguardam por um transplante. “Eu quero continuar fazendo a campanha para mais pessoas saírem da máquina como eu saí”, afirma.
Campanha incentiva conversa sobre doação de órgãos
A história de Adriana também chama atenção para a importância de discutir a doação de órgãos dentro das famílias. Esse é um dos objetivos da Campanha Maria Sofia, iniciativa do Grupo Cidade de Comunicação voltada à conscientização sobre o tema.
A proposta é estimular o diálogo entre familiares e reforçar que a decisão pela doação pode representar uma oportunidade de vida para pessoas que aguardam por um transplante.
A conversa dentro de casa ganha importância porque a manifestação da vontade de ser doador precisa ser conhecida pela família. Por isso, campanhas de conscientização buscam ampliar o debate e incentivar que as pessoas expressem aos parentes a decisão sobre a doação de órgãos.
Para Adriana, a experiência de receber um transplante fez com que esse assunto deixasse de ser apenas uma discussão distante e passasse a fazer parte da própria história.
‘Milagre da vida’
Depois de anos de tratamento, sessões de hemodiálise e espera por um transplante, Adriana agora olha para o futuro com novos planos. Entre eles estão aproveitar mais a convivência com os dois netos e retomar, aos poucos, atividades que ficaram limitadas durante o período da doença.
Ela também pensa em viagens e em outras experiências que ainda deseja viver. A mudança, porém, não fez desaparecer a lembrança de quem continua esperando na fila.
Por isso, Adriana reforça o apelo para que as pessoas conversem com seus familiares sobre a possibilidade de doar órgãos.
“Doe órgãos, salve vidas. Porque um sim é muito importante pra pessoa que tá na fila esperando por uma doação.”
Para ela, o transplante representa muito mais do que o fim da hemodiálise. É a possibilidade de voltar a fazer planos e aproveitar a vida ao lado da família.
“Eu quero que todas as pessoas sintam o que eu senti, o milagre da vida”, afirma Adriana. E resume o sentimento depois de três meses com o novo órgão: “Porque a coisa melhor do mundo é viver.”




