O candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes, afirmou nesta quinta-feira (3) que, se puder, “faz de conta” que o irmão Cid Gomes não existe. A declaração foi dada durante uma caminhada de campanha no bairro Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza, ao ser questionado sobre as críticas que tem feito ao PSB e sobre a relação familiar com o ex-governador e atual vice-presidente nacional da legenda.
Questionado sobre a possibilidade de existir um acordo de não agressão entre os dois irmãos, Ciro negou. “Um acordo, não, rapaz. Você imagina eu ficar atacando um irmão meu? É uma coisa dura. O que ele fez, o que ele deixou de fazer, ele vai responder perante Deus e perante a opinião pública do senhor. Mas eu, se puder, faço de conta que ele não existe.”
Ciro também foi questionado sobre como está a relação familiar com o irmão, para além da política. A resposta foi direta: “Não existe mais.” A relação entre os dois foi abordada durante a agenda de campanha desta quinta-feira, na qual Ciro também apresentou propostas para áreas como segurança pública, combate à pobreza e proteção de mulheres vítimas de violência.
Candidato critica atuação do governo na segurança
A segurança pública também esteve entre os temas abordados pelo candidato durante a caminhada. Ciro voltou a mencionar denúncias que, segundo ele, foram apresentadas anteriormente à imprensa e ao Ministério Público. Ele afirmou ter denunciado situações relacionadas à atuação de grupos criminosos e disse que, mais recentemente, um promotor teria tomado providências sobre informações apresentadas por ele.
Durante a fala, Ciro citou o caso de Bebeto do Choró e fez acusações envolvendo facções criminosas, lavagem de dinheiro e recursos de emendas parlamentares. O candidato também criticou a atuação do governo estadual e afirmou que grupos criminosos teriam avançado sobre parcelas significativas do território cearense.
Ciro apresenta propostas para mulheres vítimas de violência
Outro ponto abordado pelo candidato foi a violência contra as mulheres. Ciro defendeu medidas de proteção antes de uma eventual decisão judicial sobre afastamento ou prisão do agressor. Entre as propostas está a criação de um botão de pânico para mulheres que estejam sob ameaça.
Segundo ele, o mecanismo permitiria o acionamento de uma viatura próxima após o pedido de socorro. “Porque o botão de pânico permite, tecnologicamente, que ela, ao apertar esse botão, acenda um alerta que vai acionar a viatura mais próxima para chegar no menor tempo possível, prevenindo o desenlace trágico, que é o assassinato de mulheres.”
O candidato também propôs a criação de abrigos para mulheres ameaçadas que precisem deixar suas casas com os filhos. A proposta, segundo Ciro, incluiria moradia, qualificação profissional e o pagamento de um salário mínimo durante o período necessário para que a mulher pudesse recuperar a autonomia.
Ciro propõe programa para famílias ameaçadas
Na área de segurança, Ciro também apresentou o que chamou de “cinturão de segurança” para famílias ameaçadas por grupos criminosos. A proposta começaria pela proteção da residência. Famílias ameaçadas de expulsão de seus territórios seriam transferidas para casas ou apartamentos do governo, com pagamento de aluguel de R$ 1 por mês enquanto persistisse a ameaça e até que fosse possível o retorno ao imóvel de origem.
O candidato afirmou ainda que pretende utilizar informações fornecidas pelas próprias comunidades para alimentar estruturas de inteligência. Segundo a proposta apresentada, a atuação ocorreria em diferentes níveis, começando pelas famílias e avançando para os bairros. Ciro defendeu uma estrutura de inteligência comunitária capaz de indicar suspeitos de integrar cadeias de comando criminosas.
Essas informações, de acordo com o candidato, seriam posteriormente analisadas pela inteligência profissional. Ciro afirmou que pretende criar mil novos quadros de inteligência, com mudanças frequentes de local de trabalho para evitar a criação de vínculos e facilitar a atuação. “Essa pista vai ser absorvida pela inteligência profissional: mil novos quadros de inteligência que vão mudar de lugar para não criar raiz, nem se identificar.”
O candidato também defendeu a identificação das cadeias de comando das organizações criminosas e afirmou que, depois da formação de culpa pela inteligência oficial, os integrantes seriam retirados de circulação.
Propostas para pobreza e desigualdade
Durante a caminhada, Ciro também apresentou propostas para reduzir a pobreza e a desigualdade no Ceará. O candidato afirmou que pretende concentrar políticas públicas na população em extrema pobreza, além de direcionar ações para a periferia da Região Metropolitana de Fortaleza e para áreas do semiárido no interior do estado.
Ciro citou Juazeiro do Norte e Sobral como cidades que, segundo ele, apresentam avanços na superação da pobreza, mas afirmou que as periferias dessas regiões ainda enfrentam dificuldades. Entre as medidas defendidas está a qualificação profissional para ampliar as oportunidades de trabalho.
Ciro também afirmou que pretende implementar um programa para retirar pessoas do Ceará da situação de inadimplência e restaurar o acesso ao crédito. Segundo ele, a recuperação da capacidade de crédito seria uma etapa para ampliar a possibilidade de empreendedorismo.




