O Ceará registrou crescimento de 14,3% na abertura de pequenos negócios entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, foram 100.387 novos negócios formalizados no estado nos sete primeiros meses do ano.
Os microempreendedores individuais (MEIs) representam a maior parte dos registros. Do total, 74.195 são de MEIs, enquanto as microempresas somaram 22.776 registros e as empresas de pequeno porte, 3.415.
Os serviços concentraram a maior parte das novas formalizações, com quase 64 mil negócios. Na sequência aparecem o comércio, com mais de 24 mil, além de indústria, construção e agropecuária.
O movimento aparece tanto entre pessoas que decidiram transformar uma atividade informal em empresa quanto entre empreendedores que deram continuidade a negócios familiares.
Pequenos negócios no Ceará crescem 14,3%
O avanço registrado no Ceará acompanha um período de aumento na formalização de atividades econômicas. Entre janeiro e julho, mais de 100 mil pequenos negócios foram registrados no estado.
A maior parcela está entre os microempreendedores individuais. A modalidade respondeu por 74.195 dos novos registros, seguida pelas microempresas, com 22.776, e pelas empresas de pequeno porte, com 3.415.
A abertura de novos negócios também se concentra em determinados setores. Os serviços lideram o levantamento, com quase 64 mil registros no período, enquanto o comércio aparece em segundo lugar, com mais de 24 mil. Indústria, construção e agropecuária completam a relação dos segmentos citados.
Para Vicente Férrer, secretário executivo de Negócios, Serviços e Inovação da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), o resultado está relacionado ao ambiente para investimentos e empreendedorismo no estado. Ele falou com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza sobre o assunto:
"Isso tudo reflete. Clima favorável, a ambiência favorável que o Governo do Estado tem proporcionado para que as pessoas possam investir, possam empreender, e isso tem feito com que esse número de empresas cada dia aumente mais. Microempresas, MEI, grandes empresas. E isso tem dado esse resultado positivo ao longo dos anos, fazendo com que o Ceará seja um dos maiores centros de convergência de novos empreendimentos aqui no Nordeste."
MEIs representam a maior parte das novas formalizações
Entre os mais de 100 mil novos pequenos negócios registrados no Ceará, os MEIs correspondem a aproximadamente três quartos do total. A categoria reúne pessoas que formalizam atividades próprias e passam a atuar como empresa.
A artesã Ana Paula, conhecida como Paulinha, passou por esse processo depois de trabalhar durante muitos anos sob o regime CLT. Ela tinha vontade de ter o próprio negócio e começou a vender produtos artesanais.
No início, a atividade era informal. Depois de 19 anos, ela decidiu formalizar o negócio e se tornou microempreendedora individual:
"Queria algo que ficasse diferente para as pessoas. Aí eu aprendi o artesanato, o artesanato em biscoito. Aprendi a técnica de modelagem, as encomendas começaram a chegar. Aprendi novas técnicas, mais profissional, com acabamento melhor. E com o passar do tempo, em 19 anos, depois eu tive a necessidade de me formalizar o meu negócio."
Para a artesã, a formalização acompanhou uma fase de aumento das encomendas e da produção.
"As encomendas começaram a chegar, a produção começou a aumentar e eu tive a chance de ter mais lucratividade no meu negócio."
Serviços lideram abertura de pequenos negócios
A distribuição dos novos registros mostra a concentração da abertura de empresas no setor de serviços. Foram quase 64 mil novos negócios nessa área entre janeiro e julho.
O comércio aparece em seguida, com mais de 24 mil registros. Depois estão indústria, construção e agropecuária.
Os números incluem diferentes portes empresariais, com predominância dos MEIs. As microempresas e empresas de pequeno porte completam o levantamento dos novos negócios formalizados no período.
Outra história de formalização é a de Lucas, que decidiu empreender ainda jovem. Ele herdou do pai um depósito de material reciclável e posteriormente formalizou a atividade.
A decisão, segundo o empreendedor, também esteve relacionada às fiscalizações realizadas no estabelecimento.
"Eu senti a necessidade de deixar tudo formal porque aqui a gente é bastante fiscalizado. O depósito de material de reciclagem é fiscalizado quase uma vez por semana. Aí é melhor que seja tudo direitinho e certinho. Assim a gente pode trabalhar ok."
Formalização muda rotina de empreendedores
Os casos de Ana Paula e Lucas mostram situações diferentes de entrada na atividade empresarial. Enquanto a artesã transformou uma produção que começou de maneira informal em um negócio formalizado, Lucas deu continuidade a uma atividade familiar e optou pela regularização.
No caso de Ana Paula, a formalização ocorreu após anos de trabalho com artesanato e em um momento de aumento das encomendas. Para Lucas, a decisão esteve ligada à necessidade de manter regularizada a atividade do depósito de material reciclável.
A presença dos MEIs entre os novos registros ajuda a explicar a participação dessa categoria no resultado geral do Ceará. Dos 100.387 novos pequenos negócios registrados nos sete primeiros meses de 2026, 74.195 pertencem a essa modalidade.
Número de novos negócios também cresce no Brasil
O crescimento não ficou restrito ao Ceará. No Brasil, foram registrados 3,6 milhões de novos negócios entre janeiro e julho de 2026, quase 14% a mais que no mesmo período de 2025.
Entre os microempreendedores individuais, o avanço nacional foi de 14,5%.
Vicente Férrer também destacou a participação dos pequenos empreendedores na atividade econômica brasileira.
"São os pequenos empresários que fazem com que o Brasil cresça. Hoje não são aquelas grandes indústrias, mas o empreendedor individual, esse sim tem sido a grande força de trabalho aqui no Brasil."




