O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reduziu para 34 dias o tempo médio de espera para análise dos pedidos de benefícios e chegou a 1,25 milhão de processos em estoque em agosto de 2026. O prazo é inferior aos 45 dias previstos legalmente para o atendimento das solicitações.
Os dados foram divulgados pelo Governo Federal nesta quinta-feira (3). O resultado ocorre após a redução do volume acumulado de processos e o aumento da capacidade de resposta do instituto. Em fevereiro, o INSS tinha aproximadamente 3,1 milhões de processos em análise. Seis meses depois, o estoque havia caído para 1,25 milhão, volume inferior à quantidade de novos pedidos que chega mensalmente ao órgão.
O conceito de “atendimento sem fila” utilizado pelo governo não significa que não existam processos aguardando análise. A classificação considera que o estoque está dentro da capacidade mensal de resposta do instituto, permitindo que os pedidos sejam analisados dentro do prazo legal.
INSS responde mais pedidos do que recebe
A redução do estoque está relacionada ao aumento da quantidade de processos concluídos pelo instituto. Em julho, o INSS recebeu 1,435 milhão de novos pedidos de aposentadorias e benefícios assistenciais, o maior volume registrado até então. No mesmo mês, foram concluídos 1,658 milhão de processos.
A diferença entre o número de requerimentos recebidos e o volume de processos concluídos contribuiu para diminuir o estoque acumulado. O tempo médio de atendimento também apresentou redução. Em fevereiro, o indicador era de 59 dias. Em agosto, caiu para 34 dias, uma redução de 25 dias em menos de seis meses.
Concessões de benefícios aumentaram
O volume de concessões realizadas pelo INSS também cresceu nos últimos anos. Em 2023, a média mensal era de 501 mil concessões. Em 2025, chegou a 641 mil por mês. Entre janeiro e julho de 2026, a média mensal alcançou 730 mil concessões. Segundo os dados apresentados pelo governo, o número representa crescimento de 46% em relação ao patamar registrado em janeiro de 2023.
Ao mesmo tempo, a demanda pelos serviços do instituto aumentou. Desde 2023, o número de pedidos iniciais cresceu 40%, passando de uma média mensal de 897 mil para aproximadamente 1,3 milhão em 2026. O crescimento simultâneo da demanda e da capacidade de análise tornou necessário ampliar as estratégias utilizadas pelo instituto para evitar o acúmulo de processos.
Cinco medidas contribuíram para reduzir a espera
O Ministério da Previdência Social adotou medidas de gestão, tecnologia e ampliação do atendimento organizadas em cinco eixos. Uma delas é o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que prevê o pagamento de bônus a servidores públicos que concluam tarefas além das metas estabelecidas.
Em julho, 4.311 servidores participaram do programa, aproximadamente 25% do quadro. Segundo o governo, o PGB contribuiu para a realização de 2 milhões de atendimentos em 2026. Outro mecanismo é o Atestmed, sistema de análise documental digital utilizado para acelerar a concessão de benefícios relacionados à incapacidade temporária nos casos elegíveis, sem necessidade de perícia médica presencial. O governo também ampliou o quadro da Previdência Social com a nomeação de mais de 2,5 mil servidores públicos. Entre eles estão 500 peritos médicos federais e 230 assistentes sociais.
Perícia Conectada amplia atendimento
A Perícia Conectada é outra estratégia utilizada para ampliar a oferta de perícias médicas. O modelo permite que agências do INSS realizem atendimentos com suporte técnico e infraestrutura de telemedicina em locais onde não há presença física de médicos peritos.
Atualmente, 865 agências realizam atendimentos nessa modalidade. A medida utiliza a estrutura das próprias unidades para ampliar o acesso às perícias e reduzir a necessidade de deslocamento dos segurados para localidades onde há profissionais disponíveis presencialmente.
Mutirões aumentam capacidade de atendimento
Os mutirões também passaram a representar uma parcela maior dos atendimentos realizados pelo instituto. Em 2023, foram registrados 31 mil atendimentos nesse formato. Em 2025, o número chegou a 218 mil. Nos primeiros oito meses de 2026, foram realizados 300 mil atendimentos extras em mutirões.
Segundo os dados apresentados pelo governo, a quantidade de atendimentos realizados nessas ações cresceu 868% desde 2023. Os mutirões funcionam como uma capacidade adicional de atendimento e análise, complementando a rotina regular do instituto.
INSS acompanha fluxo de processos diariamente
O instituto também passou a adotar um modelo de gestão baseado no acompanhamento diário do fluxo de processos. A estratégia busca permitir que o INSS absorva continuamente cerca de 1,3 milhão de novos pedidos por mês sem voltar a acumular um passivo de processos.
A redução do estoque também foi acompanhada por uma queda no número de reclamações registradas na Ouvidoria. Entre janeiro e agosto de 2026, as reclamações diminuíram 82%. O instituto mantém ainda mecanismos de controle de qualidade das análises de benefícios. Segundo o governo, a metodologia foi reconhecida e validada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como uma prática voltada à prevenção de erros em concessões ou indeferimentos.
Previdência alcança 82% da população idosa
Os dados apresentados pelo governo também mostram a dimensão da Previdência Social no atendimento à população brasileira. A cobertura previdenciária alcança 82% das pessoas com 60 anos ou mais no país. Entre a população rural, o percentual chega a 90,3%.
O pagamento dos benefícios previdenciários movimenta R$ 1,149 trilhão por ano na economia brasileira. A redução do estoque de processos ocorre, portanto, em um sistema que recebe aproximadamente 1,3 milhão de novos pedidos por mês e precisa manter capacidade de resposta compatível com o volume de solicitações.
Com a queda do estoque para 1,25 milhão e do tempo médio de espera para 34 dias, o INSS passou a operar com um volume de processos acumulados inferior à quantidade de novos requerimentos que recebe mensalmente.




