Um pirarucu de 1,87 metro e cerca de 99 quilos foi encontrado morto na Lagoa de Aquiraz, no Ceará, no sábado (5). O animal fazia parte da história ambiental do município desde 2010 e, após a morte, uma necropsia realizada por uma equipe veterinária identificou que ele estava em estado de inanição. Segundo a avaliação, a ingestão involuntária de um objeto têxtil interrompeu a passagem de alimento pelo esôfago.
A Associação de Preservação do Meio Ambiente do Ceará (APREMACE) comunicou a morte do peixe, que havia sido introduzido na lagoa durante as comemorações da Semana do Meio Ambiente, em 2010.
O animal foi colocado no local pelo então coordenador de meio ambiente Carlos Antônio Mariano Pereira, que atualmente atua como coordenador de monitoramento das tartarugas do projeto Amigos do Mar, da APREMACE.
Ao longo dos anos, o pirarucu tornou-se parte da memória ambiental de Aquiraz e passou a ser acompanhado por pessoas ligadas à preservação do meio ambiente.
Pirarucu foi encontrado com objeto preso à boca
Dois dias antes da morte do animal, a Secretaria de Meio Ambiente de Aquiraz acionou a equipe de bombeiros e brigadistas florestais da APREMACE para tentar realizar o resgate do pirarucu.
Foram feitas três tentativas de retirada do animal, mas as equipes não conseguiram concluir o resgate devido à inviabilidade de acesso ao local.
No sábado (5), a equipe foi novamente acionada depois que populares informaram sobre a morte do peixe.
Quando o pirarucu foi encontrado, chamou atenção a presença de uma peça de roupa semelhante a uma canga de crochê presa à região da boca.
Inicialmente, a principal hipótese levantada era de que o animal poderia ter confundido o material com alimento e tentado ingeri-lo. A possibilidade ganhou confirmação na análise realizada posteriormente pela equipe veterinária.
Necropsia aponta causa da morte do pirarucu
Depois do resgate e da preservação do corpo em congelamento, foi realizada uma necropsia para avaliar a causa da morte.
O procedimento foi feito pela equipe veterinária do projeto Amigos do Mar, formada pelos profissionais Felipe Plutarcho, CRMV-CE 5401, e Levi Sá, CRMV-CE 6313.
A avaliação identificou que o animal estava em estado de inanição. Segundo o resultado da necropsia, a ingestão involuntária de um objeto têxtil provocou a interrupção da passagem de alimento pelo esôfago.
Dessa forma, o material encontrado na região da boca do pirarucu não foi apenas uma presença externa no momento em que o animal foi localizado. A análise veterinária apontou que o objeto têxtil estava relacionado ao comprometimento da alimentação do peixe.
O caso chama atenção para os efeitos que materiais descartados de maneira inadequada podem provocar na fauna que vive em ambientes aquáticos.
Morte reforça alerta sobre descarte de resíduos
A morte do pirarucu reforça o alerta sobre o descarte inadequado de resíduos em ambientes naturais. Roupas, plásticos e outros materiais podem chegar a lagoas, açudes, rios, praias e outros locais onde vivem diferentes espécies.
Quando esses objetos são encontrados pelos animais, podem ser confundidos com alimentos. A ingestão pode provocar obstruções e outros problemas capazes de comprometer a sobrevivência das espécies.
No caso do pirarucu da Lagoa de Aquiraz, a necropsia identificou especificamente a interrupção da passagem de alimento pelo esôfago provocada pela ingestão involuntária do objeto têxtil.
O episódio reforça a importância de evitar o descarte de resíduos em corpos d'água e ambientes naturais. Além do impacto visual e da poluição, materiais abandonados podem representar uma ameaça direta aos animais.
A preservação desses espaços, portanto, também está relacionada à proteção das espécies que dependem deles para sobreviver.
Pirarucu será preservado para ações de educação ambiental
Apesar da perda do animal, a APREMACE pretende preservar sua memória e utilizar o exemplar em ações de conscientização.
O pirarucu será submetido a um processo de taxidermia. Posteriormente, ficará disponível para observação na sede da APREMACE.
A intenção é que o animal possa ser utilizado em atividades educativas e de conscientização ambiental. Dessa forma, o exemplar que durante anos fez parte da história ambiental da Lagoa de Aquiraz poderá continuar sendo utilizado para chamar atenção à preservação da fauna e dos ambientes naturais.
Com 1,87 metro de comprimento e aproximadamente 99 quilos, o pirarucu apresentava dimensões expressivas. A presença do animal na lagoa desde 2010 também fez com que ele se tornasse conhecido entre aqueles que acompanharam sua trajetória no município.
Agora, sua preservação terá uma finalidade educativa. A expectativa é que o exemplar possa ajudar a mostrar, de maneira concreta, os impactos que o descarte inadequado de materiais pode causar à vida aquática.
O caso ocorrido na Lagoa de Aquiraz deixa, assim, um alerta sobre a responsabilidade com os ambientes naturais. Um objeto descartado na água pode parecer inofensivo, mas, ao ser confundido com alimento, pode provocar consequências graves para os animais.
No caso do pirarucu, a necropsia apontou inanição associada à interrupção da passagem de alimento pelo esôfago após a ingestão involuntária do objeto têxtil.




