O Ceará registrou 4.247 focos de queimadas somente em agosto, segundo dados do Sistema de Monitoramento e Alerta da Enel Distribuição Ceará. A combinação de ventos fortes, temperaturas elevadas e baixa umidade do ar aumenta o risco de propagação do fogo e coloca o estado em alerta para os próximos meses, tradicionalmente mais críticos para esse tipo de ocorrência.
Os dados mostram que a situação exige atenção principalmente no segundo semestre do ano. Em agosto, São Gonçalo do Amarante liderou o número de focos, com 303 registros. Na sequência aparecem Crateús, com 142, e Sobral, com 140.
A preocupação não se limita aos danos ambientais. Quando incêndios avançam para áreas próximas à rede elétrica, as chamas podem comprometer estruturas, provocar curtos-circuitos e causar interrupções no fornecimento de energia.
Somente em agosto, foram registradas seis ocorrências relacionadas a queimadas na rede elétrica, afetando o abastecimento de energia de mais de 13 mil clientes.
Segundo semestre concentra maior risco de queimadas
A tendência de aumento das queimadas durante o segundo semestre é observada nos dados apresentados pela Enel. A companhia alerta que o período mais crítico ainda está por vir e que as ocorrências podem crescer nos próximos meses.
O cenário climático contribui para a propagação rápida das chamas. A presença de vegetação seca, associada a temperaturas elevadas, baixa umidade e ventos fortes, pode fazer com que um foco inicialmente pequeno se espalhe para áreas maiores.
Em regiões urbanas, terrenos baldios com vegetação seca e locais onde há acúmulo de resíduos também podem se transformar em pontos de propagação do fogo. Por isso, a manutenção adequada desses espaços e o descarte correto do lixo são apontados como medidas importantes de prevenção.
A recomendação é que a população não utilize fogo para limpar terrenos ou eliminar resíduos. Uma queimada iniciada de maneira aparentemente controlada pode perder o controle diante das condições do tempo.
Ceará teve mais de 201 mil focos de queimadas em 2025
O histórico recente também reforça a necessidade de atenção. Em 2025, o Ceará registrou 201.146 focos de queimadas, número que representou aumento de 87% em relação ao ano anterior, segundo os dados apresentados pela Enel.
Entre os municípios com maior quantidade de registros no ano passado estão Mombaça, com 6.171 focos; Acopiara, com 5.855; Tauá, com 5.328; Crateús, com 5.145; e Granja, com 4.557.
Os números mostram que o problema não está concentrado exclusivamente na Região Metropolitana de Fortaleza. Municípios do interior também aparecem entre os locais com maior quantidade de focos, especialmente em períodos de condições favoráveis à propagação do fogo.
A presença de vegetação seca e a ocorrência de temperaturas elevadas podem ampliar a velocidade com que as chamas avançam, tornando mais difícil controlar incêndios depois que eles começam.
Queimadas podem provocar interrupções de energia
Além do risco para áreas de vegetação, as queimadas próximas às estruturas elétricas representam uma ameaça direta ao fornecimento de energia.
De acordo com a Enel, o fogo pode provocar curtos-circuitos, atingir estruturas da rede e resultar em desligamentos. Em agosto, seis ocorrências relacionadas a queimadas afetaram mais de 13 mil clientes.
O impacto foi ainda maior em 2025. Ao longo daquele ano, a companhia registrou 74 ocorrências na rede elétrica associadas a queimadas, com impacto no fornecimento para mais de 193 mil clientes.
A interrupção pode atingir residências, estabelecimentos comerciais e outros consumidores conectados à rede. Dependendo da extensão do incêndio e dos danos provocados, a normalização do serviço pode exigir a atuação de equipes técnicas e reparos nas estruturas atingidas.
Por esse motivo, a orientação é evitar qualquer tipo de queimada nas proximidades da rede elétrica.
Enel monitora focos de incêndio em tempo real
Para acompanhar o avanço das ocorrências, a Enel mantém um sistema de monitoramento permanente dos focos de queimadas em todo o Ceará. O acompanhamento é feito 24 horas por dia, a partir de imagens de satélite.
As informações utilizadas pelo Centro de Operações são fornecidas em tempo real pela Climatempo. O monitoramento permite acompanhar a localização dos focos e ajuda a empresa a direcionar sua atuação quando há possibilidade de impacto sobre a rede elétrica ou ocorrência de interrupção no fornecimento.
A ferramenta também é utilizada para otimizar o atendimento em situações nas quais o fogo interfere na infraestrutura de distribuição de energia.
Apesar do monitoramento, a prevenção continua sendo fundamental. A identificação de um foco não impede que as chamas provoquem danos, principalmente quando o incêndio se espalha rapidamente em razão das condições climáticas.
Como evitar queimadas no Ceará
A população pode contribuir para reduzir o número de focos adotando cuidados simples. Uma das principais orientações é não jogar cigarros ou fósforos nas margens de rodovias, onde a vegetação seca pode facilitar o início das chamas.
Também não é recomendado utilizar fogo para limpar terrenos ou eliminar lixo. A queima de resíduos domésticos deve ser substituída pelo descarte adequado.
Outra orientação é não soltar balões. Além de ser crime, a prática pode provocar incêndios e representar riscos para a aviação.
A população também deve evitar soltar pipas próximo às linhas de transmissão de energia. Essas estruturas operam em alta tensão e oferecem risco de acidentes graves.
Ao perceber fumaça suspeita ou um foco de incêndio, a recomendação é comunicar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Para comunicar ocorrências, solicitar serviços ou buscar informações relacionadas ao fornecimento de energia, a Enel disponibiliza a Central de Atendimento pelo número 0800 285 0196.
Com a aproximação dos meses mais críticos para as queimadas, a combinação de prevenção, monitoramento e comunicação rápida de incêndios pode ajudar a reduzir os impactos sobre o meio ambiente, a população e a infraestrutura elétrica do Ceará.




