A Petrobras cancelou o aumento de R$ 0,19 por litro da gasolina A que havia anunciado na noite de quarta-feira (9) e informou, na madrugada desta quinta-feira (10), que o efeito líquido para as distribuidoras será uma redução de R$ 0,19 por litro. Com a mudança, o preço médio de venda do combustível da estatal para os fornecedores passará a ser de R$ 3,05 por litro.
A alteração ocorreu após o Governo Federal anunciar uma redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a gasolina. A medida compensou o fim de uma subvenção de R$ 0,44 por litro que vinha sendo aplicada pela Petrobras no preço da gasolina A.
Na prática, a combinação das duas medidas resulta em uma redução líquida de R$ 0,19 por litro no preço com tributos para as distribuidoras, em comparação com o valor praticado até quarta-feira (9).
Petrobras havia anunciado aumento horas antes
A primeira informação divulgada pela Petrobras ocorreu às 20h44 de quarta-feira. Na ocasião, a companhia informou que o preço médio da gasolina A passaria para R$ 3,24 por litro, após o encerramento do desconto de R$ 0,44 concedido por meio da subvenção econômica criada pelo governo.
Poucas horas depois, às 00h53 desta quinta-feira, a estatal publicou uma nova comunicação para corrigir o anúncio.
A Petrobras explicou que, com o fim da subvenção prevista na Medida Provisória nº 1.358/2026 e a redução dos tributos federais, o preço médio de venda da gasolina A será de R$ 3,05 por litro.
A diferença entre os dois valores é justamente de R$ 0,19 por litro. Assim, o reajuste que havia sido comunicado inicialmente não será repassado às distribuidoras.
Como ficaram os cálculos
O encerramento da subvenção representaria a retirada de um desconto de R$ 0,44 por litro aplicado anteriormente pela Petrobras. Isoladamente, essa mudança elevaria o preço de venda da gasolina A.
No entanto, o Governo Federal anunciou uma redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins. Com a alteração tributária, o impacto final sobre o preço pago pelas distribuidoras passa a ser negativo em R$ 0,19. Dessa forma, o valor médio da gasolina A vendido pela Petrobras aos fornecedores será de R$ 3,05 por litro, e não de R$ 3,24, como havia sido informado inicialmente.
A alteração ocorre em meio à pressão provocada pela alta internacional do petróleo e às medidas adotadas pelo governo para tentar limitar os efeitos sobre o mercado de combustíveis.
Governo também reduz imposto sobre o etanol
Além da mudança na tributação da gasolina, o Governo Federal anunciou na quarta-feira o fim da cobrança de imposto sobre o etanol. As duas medidas de desoneração têm validade de um mês, entre 10 de setembro e 9 de outubro.
O objetivo das alterações é reduzir o impacto dos preços dos combustíveis para consumidores e para a cadeia de distribuição em um momento de alta das cotações internacionais do petróleo.
Mesmo com as medidas adotadas pelo governo e as subvenções existentes, os preços dos combustíveis nos postos acumulam alta desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Gasolina acumula alta nos postos desde o início do conflito
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a gasolina ficou mais cara nos postos desde o fim de fevereiro. Segundo o levantamento, o preço médio passou de R$ 6,028 para R$ 6,510 por litro, uma alta de aproximadamente 8% desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Outro levantamento citado pela ANP aponta que a gasolina estava 3,6% mais cara no início de setembro em relação ao período anterior ao conflito, chegando ao preço médio de R$ 6,51 nos postos.
O comportamento do etanol foi diferente. O combustível acumulou queda de 14,7% desde o fim de fevereiro e chegou à semana passada com preço médio de R$ 3,95 por litro.
Esse valor correspondia a cerca de 60% do preço médio da gasolina comum. Para veículos com motor flex, especialistas consideram o etanol mais vantajoso quando seu preço fica em até 70% do valor da gasolina.
Diesel ainda terá definição sobre preço
A política de preços do diesel também permanece em discussão. A Petrobras informou que aguardava a publicação dos atos necessários para realizar uma nova revisão no valor do combustível.
Na quarta-feira, o Governo Federal assinou uma medida provisória criando uma nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel.
O benefício será somado à subvenção de R$ 1,12 por litro que já está em vigor e tem validade até 26 de setembro. Durante o período em que os dois mecanismos estiverem simultaneamente ativos, o valor total das subvenções poderá chegar a R$ 2,12 por litro.
Ao final de setembro, o governo deverá avaliar novamente o cenário para decidir se será necessário manter uma subvenção superior a R$ 1 por litro. Caso isso seja necessário, o valor autorizado pela nova medida provisória poderá ser ajustado.
Guerra e petróleo influenciam mercado de combustíveis
A evolução dos preços também ocorre em meio às incertezas provocadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. A retomada dos ataques aumentou as preocupações relacionadas ao transporte marítimo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial da commodity. Na quarta-feira, o petróleo Brent, usado como referência internacional, voltou a superar a marca de US$ 100 por barril.
O movimento das cotações internacionais afeta diretamente o mercado de combustíveis e mantém sob atenção as decisões relacionadas aos preços da gasolina e do diesel.




