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11 de setembro: os 25 anos do maior ataque terrorista da história

Ataques coordenados nos Estados Unidos mataram quase 3 mil pessoas e provocaram mudanças profundas na política, na segurança e na economia mundial

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11 de setembro: os 25 anos do maior ataque terrorista da história
Ataques coordenados nos Estados Unidos mataram quase 3 mil pessoas e provocaram mudanças profundas na política, na segurança e na economia mundial. (Foto: Nicole Bengiveno/New York Times)


Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por integrantes da organização extremista al-Qaeda em uma sequência de ataques coordenados nos Estados Unidos. Duas aeronaves atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York; outra foi lançada contra o Pentágono, sede do Departamento de Defesa americano, na região de Washington; e o quarto avião caiu em um campo da Pensilvânia depois que passageiros tentaram retomar o controle da aeronave.

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Os ataques mataram quase 3 mil pessoas, incluindo os 19 sequestradores, e se tornaram o atentado terrorista mais letal já registrado em território americano. A dimensão da tragédia ultrapassou os Estados Unidos. As consequências atingiram a política internacional, os sistemas de segurança, o transporte aéreo, os gastos públicos com defesa e inteligência e a relação entre diferentes países.

Um quarto de século depois, o episódio continua presente na memória de quem viveu aquele dia. Uma pesquisa nacional recente do Pew Research Center apontou que 95% dos entrevistados ainda conseguem lembrar onde estavam ou o que faziam quando souberam dos ataques.

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Na mesma pesquisa, 51% disseram que os atentados provocaram mudanças significativas na vida nos Estados Unidos. A preocupação com novos ataques também não desapareceu. Em outubro de 2001, 28% dos entrevistados afirmavam estar muito preocupados com a possibilidade de outro atentado terrorista. No verão de 2002, o índice havia caído para 16%. Na pesquisa mais recente mencionada, chegou a 23%.

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Como aconteceram os ataques de 11 de setembro

Os quatro aviões envolvidos nos ataques partiram de aeroportos da costa leste dos Estados Unidos com destino à Califórnia. Os sequestradores se distribuíram entre os voos 11 e 175 da American Airlines e da United Airlines, respectivamente, além dos voos 77 e 93.

O voo 11 da American Airlines havia decolado de Boston com destino a Los Angeles. O voo 175 da United Airlines também partiu de Boston para Los Angeles. Já o voo 77 da American Airlines saiu do Aeroporto Internacional de Dulles, na região de Washington, em direção a Los Angeles. O voo 93 da United Airlines decolou de Newark, em Nova Jersey, com destino a San Francisco, depois de um atraso.

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A primeira colisão ocorreu às 8h46, no horário local. O voo 11 atingiu a Torre Norte do World Trade Center. Pouco mais de 15 minutos depois, às 9h03, o voo 175 atingiu a Torre Sul. As imagens das duas torres em chamas foram transmitidas para o mundo e fizeram com que o ataque fosse acompanhado em tempo real por milhões de pessoas.

Enquanto Nova York era atingida, outra aeronave seguia em direção à capital americana. Às 9h37, o voo 77 colidiu com o Pentágono. Todos os ocupantes do avião morreram, além de 125 civis e militares que estavam no edifício.

O quarto avião, o voo 93, também havia sido sequestrado. Depois de tomarem conhecimento do que havia acontecido com as outras aeronaves, passageiros começaram a reagir e tentaram recuperar o controle da cabine.

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A tentativa começou por volta das 9h57. Cinco minutos depois, às 10h02, o avião caiu em um campo próximo a Shanksville, na Pensilvânia. O alvo que os sequestradores pretendiam atingir não foi confirmado. Entre as principais hipóteses estão a Casa Branca e o Capitólio.

Linha do tempo do 11 de setembro

5h45 – Dois dos sequestradores passam pelo sistema de segurança do Portland International Jetport, no Maine. Eles embarcam em um voo para Boston e posteriormente seguem para o voo 11 da American Airlines.

7h59 – O voo 11 da American Airlines decola de Boston para Los Angeles, com 76 passageiros, 11 tripulantes e cinco sequestradores.

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8h15 – O voo 175 da United Airlines deixa Boston em direção a Los Angeles, levando 51 passageiros, nove tripulantes e cinco sequestradores.

8h19 – A comissária Betty Ann Ong comunica funcionários em terra sobre o sequestro do voo 11 e relata que o acesso à cabine havia sido bloqueado.

8h20 – O voo 77 da American Airlines decola de Dulles, na região de Washington, com destino a Los Angeles. A aeronave transportava 53 passageiros, seis tripulantes e cinco sequestradores.

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8h24 – Mohamed Atta, um dos sequestradores do voo 11, faz uma transmissão que é captada pelos controladores de tráfego aéreo de Boston. A comunicação ocorre involuntariamente enquanto ele tentava falar com os passageiros.

8h37 – O controle de tráfego aéreo de Boston alerta o Setor de Defesa Nordeste da Força Aérea dos Estados Unidos, que mobiliza aeronaves para acompanhar o voo 11.

8h42 – O voo 93 da United Airlines parte de Newark para San Francisco. A bordo estão 33 passageiros, sete tripulantes e quatro sequestradores.

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8h46 – O voo 11 atinge a Torre Norte do World Trade Center.

9h03 – O voo 175 colide com a Torre Sul do World Trade Center.

9h05 – O presidente George W. Bush é informado sobre o segundo ataque enquanto estava em uma escola primária na Flórida.

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9h28 – Os sequestradores assumem o controle do voo 93.

9h37 – O voo 77 atinge o Pentágono.

9h45 – O espaço aéreo dos Estados Unidos é fechado durante a Operação Fita Amarela, e aeronaves civis recebem ordens para pousar no aeroporto mais próximo.

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9h55 – O Air Force One, com George W. Bush a bordo, decola da Flórida.

9h57 – Passageiros do voo 93 avançam em direção à cabine na tentativa de recuperar o controle da aeronave.

9h59 – A Torre Sul do World Trade Center desaba.

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10h02 – O voo 93 cai em um campo na Pensilvânia.

10h18 – George W. Bush autoriza que aeronaves que não tivessem pousado fossem abatidas.

10h28 – A Torre Norte do World Trade Center desaba.

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10h53 – O secretário de Defesa Donald Rumsfeld determina que as Forças Armadas dos Estados Unidos elevem o nível de alerta para o DEFCON 3.

11h45 – O Air Force One pousa na Base Aérea de Barksdale, próxima a Shreveport, na Louisiana.

12h15 – O espaço aéreo americano é completamente fechado para voos comerciais e privados.

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14h30 – O prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, visita a região onde estavam as Torres Gêmeas, que posteriormente ficaria conhecida como Ground Zero.

15h – O Air Force One pousa na Base Aérea Offutt, em Nebraska, e Bush é levado para uma instalação protegida.

16h30 – O avião presidencial deixa Offutt com destino à Base Aérea Andrews, próxima a Washington.

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17h30 – O Edifício 7 do World Trade Center desaba.

20h30 – George W. Bush faz um pronunciamento nacional sobre os ataques.

O impacto político do 11 de setembro

A reação aos atentados modificou a política externa dos Estados Unidos e colocou o combate ao terrorismo no centro da agenda internacional. A resposta envolveu os Estados Unidos, países aliados e organismos das Nações Unidas. As estratégias passaram a combinar medidas de prevenção e combate a ataques, fortalecimento da capacidade dos Estados e cooperação internacional.

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Nos Estados Unidos, o governo George W. Bush recebeu amplo apoio do Congresso para iniciar uma ofensiva militar contra o Afeganistão, onde estava instalada a liderança da al-Qaeda. A guerra começou ainda em 2001 e se prolongou por duas décadas. A retirada definitiva das tropas americanas ocorreu em 2021.

Ao longo do conflito, dezenas de milhares de pessoas morreram e os gastos militares dos Estados Unidos ultrapassaram US$ 2 trilhões. A saída das tropas americanas também abriu caminho para o retorno do Talibã ao controle do Afeganistão.

Dois anos depois do início da guerra no Afeganistão, os Estados Unidos invadiram o Iraque. O país, porém, não estava diretamente ligado aos ataques de 11 de setembro. A morte de Osama bin Laden, fundador e líder da al-Qaeda, ocorreu em 2011, durante uma operação americana no Paquistão. A eliminação do líder, no entanto, não significou o desaparecimento de organizações extremistas. Na Síria, Ahmed al-Sharaa, anteriormente conhecido como Abu Mohammed al-Jolani e ex-integrante da al-Qaeda, passou a ocupar a Presidência do país.

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Como o 11 de setembro afetou a economia

Os atentados aconteceram em um período em que grandes economias já enfrentavam dificuldades relacionadas à recessão e ao estouro da bolha das empresas de tecnologia, ocorrido em 2000. A tragédia aprofundou a insegurança econômica nos Estados Unidos. A confiança de consumidores e empresas caiu, enquanto o mercado financeiro sofreu uma forte reação.

A Bolsa de Valores de Nova York permaneceu fechada durante quatro dias de negociação, algo que não ocorria desde 1933. Quando as operações foram retomadas, o índice Dow Jones caiu 7% em apenas um dia. Na primeira semana após a reabertura, o acumulado chegou a 14%.

A recuperação ocorreu posteriormente. Menos de um mês depois dos ataques, as ações já haviam retornado aos níveis registrados antes do atentado. O Federal Reserve, banco central americano, adotou medidas para aumentar a liquidez do sistema financeiro e evitar problemas mais graves no setor bancário. Nos meses seguintes, ocorreram diversos cortes nas taxas de juros. Em 17 de setembro, houve uma redução emergencial de 0,5 ponto percentual. No fim daquele ano, a taxa-alvo estava em 1,75%.

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Setor aéreo foi um dos mais afetados

A aviação comercial sofreu um dos impactos mais imediatos. O fechamento do espaço aéreo e a adoção de novos procedimentos de segurança alteraram a rotina de passageiros e companhias aéreas. Empresas do setor receberam bilhões de dólares em ajuda direta e garantias de empréstimos.

O impacto econômico também alcançou hotéis, restaurantes e outros segmentos ligados ao transporte e ao turismo. Estimativas realizadas após os ataques chegaram a apontar perdas diretas e indiretas de até US$ 500 bilhões.

Um estudo posterior da Universidade do Sul da Califórnia calculou que as perdas decorrentes da interrupção das atividades empresariais ficaram pouco acima de US$ 100 bilhões, aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos. Entre os setores analisados, o transporte aéreo teve o maior impacto, com perdas estimadas em US$ 35 bilhões ao longo de dois anos. Hotéis registraram US$ 22 bilhões e restaurantes, US$ 14 bilhões.

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Segurança dos Estados Unidos mudou depois dos ataques

A segurança nacional passou a ocupar um espaço ainda maior no orçamento e na estrutura do governo americano. A Lei de Segurança Interna de 2002 resultou na criação do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, responsável por coordenar diferentes áreas relacionadas à proteção do território e da população.

A criação de novas estruturas de inteligência e segurança também modificou procedimentos em aeroportos e outros pontos de entrada no país. As mudanças ultrapassaram as fronteiras americanas. Países aliados adotaram ou ampliaram medidas de controle e compartilhamento de informações para prevenir novos ataques terroristas. O 11 de setembro também provocou debates sobre os limites das ações de segurança, privacidade, direitos individuais e atuação militar no combate ao terrorismo.

25 anos depois, o 11 de setembro continua presente

Um quarto de século após os ataques, o 11 de setembro continua sendo lembrado como um dos acontecimentos que mais alteraram a história contemporânea dos Estados Unidos. A lembrança permanece especialmente forte entre os americanos que viveram os acontecimentos. Segundo a pesquisa mais recente do Pew Research Center mencionada no levantamento, 95% ainda conseguem identificar onde estavam ou o que faziam quando souberam dos ataques.

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As consequências também permanecem visíveis. A política externa americana foi modificada, duas grandes guerras foram travadas, os investimentos em segurança e inteligência cresceram e a experiência de viajar de avião mudou. O ataque às Torres Gêmeas, a destruição de parte do Pentágono e a queda do voo 93 na Pensilvânia também passaram a integrar a memória coletiva de uma geração.

Vinte e cinco anos depois, o 11 de setembro permanece como um marco na história dos Estados Unidos e nas relações internacionais, com efeitos que alcançaram a política, a segurança, a economia e a vida cotidiana muito além daquele 11 de setembro de 2001.

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