Estabelecimentos que comercializam artigos religiosos foram alvo de ataques durante a madrugada desta quarta-feira (9), no Centro de Fortaleza. As ações ocorreram em diferentes lojas da região e seguiram um padrão semelhante, segundo imagens de câmeras de segurança: um homem se aproximava dos estabelecimentos durante a madrugada e deixava objetos na entrada antes de provocar explosões.
Em uma das ocorrências, registrada por volta das 2h, as imagens mostram um homem usando chapéu e uma blusa azul. Ele se aproxima da porta da loja e deixa um objeto que aparenta ser um coquetel molotov. Em seguida, deixa o local.
Cerca de uma hora depois, por volta das 3h, outro estabelecimento foi atacado. O suspeito também aparece chegando de bicicleta. Ele se aproxima da loja, retira um objeto de uma mochila, coloca o material na entrada e provoca uma explosão.
Os ataques provocaram danos principalmente nas fachadas dos estabelecimentos. Em alguns locais, a parte interna das lojas não chegou a ser atingida.
Ataques atingiram lojas de diferentes religiões
As ocorrências chamam atenção porque os estabelecimentos atingidos trabalham com artigos religiosos, mas não pertencem necessariamente ao mesmo segmento. Entre as lojas atacadas estão estabelecimentos que comercializam produtos relacionados a religiões de matriz africana e também uma loja voltada ao segmento católico.
Duas das lojas ficam na Rua 24 de Maio, onde foram encontradas marcas deixadas pelas explosões. Em uma delas, o dano ficou concentrado na área externa. A porta foi atingida e ficaram estilhaços de vidro no chão.
Em outro estabelecimento, também localizado na Rua 24 de Maio, a explosão deixou marcas na entrada, mas não houve danos na parte interna da loja.
Uma funcionária de um dos estabelecimentos, que preferiu não ser identificada, contou que chegou ao trabalho pela manhã e se deparou com os estragos. Segundo ela, funcionários receberam informações de que um homem estaria passando de bicicleta e lançando artefatos contra lojas.
“Eu sou a primeira a chegar aqui e quando eu cheguei já dei de cara com o acontecido”, relata a funcionária.
Ela afirma que os ataques deixaram os trabalhadores preocupados, principalmente porque outras lojas também foram atingidas na mesma madrugada. “Ninguém sabe quem é, de onde foi que saiu, mas está deixando todo mundo assustado”, conta.
Funcionária relata ameaças antigas
A funcionária também afirmou que o estabelecimento já havia recebido ligações consideradas ameaçadoras no passado. Segundo ela, porém, isso ocorreu há bastante tempo e não há informações que permitam relacionar os episódios antigos aos ataques registrados agora.
“Só algumas ligações que tiveram, mas nada assim. Há muito tempo atrás, muito tempo atrás mesmo”, explica.
Questionada sobre o teor das ligações, ela confirmou que havia ameaças. Apesar disso, ressaltou que não é possível afirmar que os episódios tenham alguma relação.
“Agora a gente não sabe se tem alguma coisa a ver, né? Aí eu não vou ligar uma coisa com a outra porque a gente não sabe”, afirma a funcionária.
Para ela, a investigação policial é necessária para esclarecer o que aconteceu e identificar os responsáveis. “Seria importante a polícia estar aqui para estar fazendo essa investigação”, defende.
Loja de matriz africana também foi atingida
Outro estabelecimento atacado fica na Rua General Bezerril e comercializa produtos relacionados a uma religião de matriz africana.
No local, a explosão atingiu a fachada da loja. Ainda era possível observar partes queimadas na entrada do estabelecimento, enquanto a área interna não apresentava sinais de danos provocados pelo fogo.
O modo de atuação descrito nas ocorrências foi semelhante ao registrado nas demais lojas: o artefato foi deixado na parte externa do estabelecimento e, depois, ocorreu a explosão.
A sequência dos ataques levantou preocupação entre comerciantes que trabalham com produtos religiosos no Centro, especialmente porque as ações atingiram estabelecimentos de segmentos distintos.
Loja católica também foi atacada
Uma das ocorrências aconteceu em uma loja localizada na Rua Floriano Peixoto, que comercializa produtos do segmento católico.
Nesse caso, o procedimento também teria seguido o mesmo padrão observado nos demais ataques. Um artefato foi colocado na entrada do estabelecimento e, posteriormente, houve uma explosão.
O episódio ganhou um elemento adicional porque, nesse local, foi deixado um cartaz com uma mensagem de ameaça.
O texto escrito no material dizia: “Se reabrir todos morrem”. A mensagem termina com uma referência religiosa: “Eu sou o Senhor quem falo”.
A presença do cartaz aumenta a preocupação em torno do caso, principalmente porque os ataques atingiram lojas relacionadas a diferentes tradições religiosas.
Polícia deve investigar autoria dos ataques
Até o momento, a identidade do responsável pelas ações não foi informada. As imagens de segurança podem ajudar na investigação, já que registraram um suspeito se aproximando de alguns dos estabelecimentos.
Nas gravações, o homem aparece utilizando uma bicicleta para chegar às lojas. Em uma das imagens, ele usa chapéu e uma blusa azul. Em outra, chega com uma mochila e retira dela o material colocado na entrada do estabelecimento.
As imagens divulgadas não permitem, até o momento, identificar o suspeito. Também não há informação confirmada sobre a motivação dos ataques.
O fato de os estabelecimentos comercializarem artigos religiosos de diferentes segmentos é um dos elementos que deverá ser considerado na apuração. No entanto, não é possível afirmar, neste momento, que os crimes tenham sido motivados por intolerância religiosa ou que exista uma única motivação para as ações.
A investigação deverá buscar esclarecer se os episódios estão relacionados, quem é o responsável e por que os estabelecimentos foram escolhidos como alvos.
Os ataques também provocaram apreensão entre comerciantes e trabalhadores da região, especialmente diante da ameaça deixada em uma das lojas. O caso deverá ser investigado pelas autoridades policiais, que poderão reunir as imagens das câmeras de segurança e outros elementos para tentar identificar o autor.
Enquanto os danos observados ficaram principalmente concentrados nas fachadas, a sequência de ocorrências durante a madrugada provocou preocupação entre comerciantes do segmento religioso no Centro de Fortaleza.
A apuração deverá esclarecer ainda se todos os ataques fazem parte de uma mesma ação e quais circunstâncias levaram à escolha dos estabelecimentos. Até que essas questões sejam esclarecidas pelas autoridades, a autoria e a motivação permanecem sob investigação.




