Mais de uma semana após a morte de Isabelle Caracristi, de 22 anos, a investigação ainda busca esclarecer o que aconteceu nas últimas horas da universitária. Imagens de câmeras de segurança obtidas pela TV Cidade ajudam a organizar parte da cronologia do domingo, 13 de setembro, mas também deixam perguntas que ainda dependem da apuração da Polícia Civil.
Isabelle foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), a morte ocorreu por volta das 20h40.
A perícia apontou politraumatismo e lesões compatíveis com impacto contra o solo. Os exames laboratoriais realizados até o momento não identificaram substâncias de interesse toxicológico. A dinâmica da morte, no entanto, ainda não foi oficialmente determinada.
Isabelle chega ao condomínio por volta das 18h
As imagens apresentadas pela TV Cidade mostram Isabelle chegando ao condomínio no início da noite de 13 de setembro.
Segundo o horário exibido pela câmera, a estudante aparece na portaria por volta das 17h59, pouco antes das 18h. O namorado vai ao encontro dela no local.
Na sequência, os dois entram no prédio e seguem para o apartamento. As imagens mostram os dois juntos no elevador e, posteriormente, já no ambiente do condomínio.
Esse é um dos primeiros momentos que integram a cronologia obtida a partir das câmeras de segurança.
Namorado deixa o apartamento cerca de meia hora depois
Por volta das 18h30, outra imagem mostra o namorado de Isabelle deixando o apartamento.
Na gravação exibida pela TV Cidade, ele aparece com roupas diferentes das que usava anteriormente. Depois, segue para a área da portaria, onde conversa com um funcionário e permanece por alguns instantes olhando o celular.
A imagem também sugere que ele deixa o condomínio a pé.
A sequência é relevante para a investigação porque estabelece um intervalo de aproximadamente meia hora entre a chegada de Isabelle ao prédio e a saída registrada do namorado.
A Polícia Civil, entretanto, ainda precisa cruzar essa cronologia com outros elementos da investigação para determinar o que aconteceu posteriormente.
Câmera registra Isabelle seguindo para o último andar
Outro momento registrado pelas câmeras ocorre às 21h12, segundo o horário disponível na gravação apresentada pela TV Cidade.
A imagem mostra Isabelle acionando o elevador para seguir ao último andar do prédio, identificado na transmissão como o rooftop.
Esse registro ocorre depois da saída do namorado mostrada na imagem anterior.
A movimentação registrada pela câmera é um dos elementos que podem ajudar os investigadores a reconstruir os últimos momentos da estudante. Ainda é necessário esclarecer o que aconteceu depois dessa movimentação e como ela chegou ao local onde foi encontrada morta.
A SSPDS já informou que as câmeras de segurança estão entre os elementos analisados pela Polícia Civil. A investigação também reúne depoimentos, vestígios e dados extraídos de aparelhos eletrônicos.
Movimentação aumenta após a morte da universitária
Outra sequência exibida pela TV Cidade mostra movimentação na garagem do condomínio por volta das 22h48.
Nas imagens, aparece um veículo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), conhecido como rabecão, além de outras viaturas.
A gravação também registra a presença de pessoas no local. A identificação individual de todos os envolvidos e a sequência exata de chegada de cada equipe dependem da análise completa das imagens e das informações oficiais da investigação.
A presença das equipes ocorre depois do momento em que Isabelle foi encontrada morta.
A Pefoce já realizou perícias no condomínio e voltou ao local para complementar a coleta de vestígios, incluindo materiais para análise de DNA e novos registros da área.
O que a família relata sobre as últimas horas de Isabelle
Além das imagens, a família de Isabelle apresentou informações sobre os acontecimentos anteriores à morte.
A mãe da estudante relatou que a filha passou parte do domingo com ela e reclamava de dor no pescoço. Segundo o relato, Isabelle recebeu um relaxante muscular e posteriormente informou que iria a uma missa e a uma procissão com o namorado e familiares dele.
A professora também contou que recebeu mensagens da filha durante a noite. Uma delas dizia que Isabelle havia deixado uma comida na air fryer. Pouco depois, segundo o relato da mãe, a estudante enviou uma mensagem dizendo: “Mãe, eu te amo”.
A mãe afirmou ainda que costumava receber uma mensagem da filha antes de dormir, mas isso não aconteceu naquela noite.
Na manhã seguinte, diante da falta de respostas, ela tentou entrar em contato com Isabelle e também procurou o namorado da filha. Sem conseguir notícias, foi ao condomínio acompanhada do irmão.
Segundo o relato da professora, ela foi informada pela síndica sobre a morte da filha e sobre o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico Legal (IML).
Por que a família só soube da morte no dia seguinte?
A comunicação à família está entre os pontos que ainda geram questionamentos.
A mãe de Isabelle afirma que não foi informada sobre a morte durante a noite e que só tomou conhecimento do ocorrido na manhã seguinte, quando foi ao condomínio após não conseguir contato com a filha.
Esse relato é uma das questões apresentadas pela família e ainda precisa ser confrontado com os registros oficiais do atendimento da ocorrência e com os depoimentos das pessoas que estavam no condomínio naquela noite.
Também permanece a necessidade de esclarecer quem identificou a vítima, quem acionou os serviços de emergência, quando a polícia e a perícia chegaram e quais procedimentos foram adotados nos primeiros momentos após a localização do corpo.
A informação de que Isabelle teria sido encaminhada ao IML sem identificação também aparece como um questionamento levantado durante a cobertura. Não há, no material utilizado para esta matéria, confirmação oficial suficiente para apresentar essa informação como fato.
Entenda o caso
Isabelle Caracristi, de 22 anos, era estudante de Direito e foi encontrada morta na noite de domingo (13), no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), o óbito ocorreu por volta das 20h40.
A investigação está sob responsabilidade da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital. A Polícia Civil analisa imagens das câmeras de segurança do condomínio e reúne depoimentos, enquanto a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) realiza exames complementares para ajudar a esclarecer a dinâmica da morte.
Até o momento, a perícia identificou no corpo de Isabelle lesões compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais realizados até então não apontaram substâncias de interesse toxicológico. A SSPDS informou que a conclusão sobre a dinâmica da morte depende do conjunto dos exames e das demais informações reunidas durante a investigação.
A família também busca respostas sobre as últimas horas da jovem e sobre a forma como foi comunicada da morte. A mãe de Isabelle relatou que tentou falar com a filha na manhã seguinte, depois de não receber a habitual mensagem de boa-noite, e foi ao condomínio acompanhada do irmão. Segundo o relato dela, a informação sobre a morte foi repassada pela síndica.
Com depoimentos, imagens e perícias ainda em análise, a investigação busca reconstruir a sequência dos acontecimentos e esclarecer o que ocorreu entre os últimos registros de Isabelle e o momento em que ela foi encontrada morta.




