A Globo cancelou o debate presidencial que estava previsto para esta quinta-feira (1º), depois de uma sequência de mudanças envolvendo os participantes e decisões judiciais sobre as regras do encontro. A desistência de Flávio Bolsonaro (PL) foi anunciada poucas horas antes do programa, enquanto Lula (PT) já havia informado que não participaria. O debate seria o último confronto televisivo entre os candidatos antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
O cancelamento encerra uma série de reviravoltas que alteraram a configuração inicialmente planejada pela emissora. O encontro havia sido organizado para reunir Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Zema passou a integrar a lista após uma decisão judicial, e Renan Santos (Missão) também conseguiu o direito de participar após determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A situação mudou novamente com a decisão de Flávio Bolsonaro de não comparecer. O candidato do PL alegou interferência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas regras do programa. Pouco depois, a Globo comunicou o cancelamento do debate.
Debate da Globo teve mudanças nas regras antes do cancelamento
A preparação para o encontro sofreu alterações ao longo desta quinta-feira. Uma das decisões partiu do TSE, que proibiu a Globo de apresentar no cenário um púlpito vazio para representar a ausência de Lula.
O presidente havia comunicado anteriormente que não participaria do debate e que, no mesmo horário, concederia uma entrevista ao podcast Flow. A escolha manteve o candidato fora do encontro televisivo, mas direcionou sua participação pública para outro formato de comunicação.
A decisão judicial também impediu que os candidatos presentes formulassem perguntas diretamente ao presidente ausente. A medida alterou uma possibilidade que fazia parte da dinâmica inicialmente considerada para o programa.
A ausência de Lula já representava uma mudança significativa no debate, principalmente porque ele e Flávio Bolsonaro apareciam como os dois primeiros colocados nas pesquisas eleitorais divulgadas na reta final da campanha. O Datafolha publicado nesta quinta-feira mostrou Lula com 42% das intenções de voto e Flávio com 38% no primeiro turno, em cenário de empate técnico dentro da margem de erro.
A desistência de Flávio acrescentou outro desdobramento. Com os dois principais candidatos fora do encontro, o debate deixou de reunir os nomes que concentravam as maiores intenções de voto na pesquisa mais recente.
Gilmar Mendes determinou participação de Renan Santos
Outra decisão judicial que movimentou a organização do debate veio do STF. O ministro Gilmar Mendes determinou que Renan Santos participasse do encontro, depois de uma sequência de decisões relacionadas ao pedido do candidato do Missão.
Inicialmente, Renan não havia sido incluído entre os convidados da Globo. O partido recorreu judicialmente para garantir sua presença. Antes da decisão de Gilmar Mendes, pedidos relacionados à participação do candidato haviam sido analisados pelo TSE e pelo próprio STF.
Na decisão divulgada nesta quinta-feira, Gilmar Mendes entendeu que Renan atendia ao requisito previsto no regulamento apresentado pela própria emissora à Justiça Eleitoral. A determinação alterou novamente a composição do debate que estava sendo preparado para a noite.
Com a decisão, o cenário projetado para o programa reuniria Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, além da participação inicialmente prevista de Flávio Bolsonaro, que acabou desistindo.
A sequência de decisões colocou regras do debate e critérios de participação no centro da discussão nos momentos que antecederam o programa. A Globo acabou cancelando o encontro diante da nova configuração.
Flávio Bolsonaro anunciou desistência antes do debate
Flávio Bolsonaro havia confirmado participação no debate, mas mudou de posição nesta quinta-feira. O candidato atribuiu sua decisão às determinações do TSE relacionadas à ausência de Lula e classificou a situação como censura em publicação nas redes sociais.
A declaração representa a justificativa apresentada pelo próprio candidato para sua ausência. A decisão ocorreu depois da determinação que impediu a Globo de manter no estúdio um púlpito vazio para simbolizar a ausência do presidente.
A mudança aconteceu poucas horas antes do horário previsto para o encontro, aumentando a instabilidade na composição do programa. Com Lula já fora e Flávio também desistindo, a emissora decidiu cancelar a transmissão do debate.
Lula participaria do Flow no mesmo horário
A decisão de Lula de não participar do debate havia sido anunciada anteriormente. O presidente optou por conceder uma entrevista ao Flow no mesmo horário em que aconteceria o encontro da Globo.
A estratégia colocou a entrevista em outro ambiente de comunicação, sem o formato de confronto direto entre candidatos. O podcast se tornou, dessa forma, a alternativa escolhida pelo petista para ocupar o espaço de exposição pública reservado para aquela noite.
A ausência também significou que os demais candidatos não teriam a oportunidade de questioná-lo diretamente no debate. Posteriormente, a decisão do TSE também impediu que perguntas fossem dirigidas ao candidato ausente dentro da dinâmica do programa.
Debate seria último confronto antes da votação
O encontro cancelado estava previsto para ocorrer a apenas três dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Debates realizados na reta final da campanha costumam concentrar atenção porque colocam candidatos diante de perguntas, respostas, réplicas e tréplicas em um mesmo ambiente. No caso desta eleição, porém, o último debate televisivo antes da votação não terá esse formato.
A ausência dos dois primeiros colocados nas pesquisas também modifica o encerramento da agenda de debates presidenciais do primeiro turno. Segundo levantamento publicado nesta quinta-feira, Lula tinha 42% e Flávio Bolsonaro, 38% das intenções de voto no cenário estimulado do primeiro turno.
Com o cancelamento, não haverá o confronto planejado entre os candidatos que apareciam na liderança da disputa na reta final.
O episódio também deixa como questão central a relação entre as regras definidas pelas emissoras para seus debates e as decisões tomadas pela Justiça Eleitoral e pelo Judiciário quando partidos ou candidatos contestam essas regras.
Neste caso, a programação passou por diferentes alterações em poucas horas: a ausência já anunciada de Lula, a decisão judicial sobre a representação de sua ausência no cenário, a determinação para inclusão de Renan Santos e, por fim, a desistência de Flávio Bolsonaro. A Globo então cancelou o encontro.
Com isso, os eleitores chegam aos últimos dias antes do primeiro turno sem o debate que estava programado para fechar a rodada de confrontos presidenciais na televisão.




