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RELAÇOES COMERCIAIS

“O Trump tem que saber que ele toma conta dos Estados Unidos, do Brasil tomo conta eu”, diz Lula.

Presidente afirmou que não pretende entrar em uma disputa militar ou responder às provocações com a mesma estratégia.

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“O Trump tem que saber que ele toma conta dos Estados Unidos, do Brasil tomo conta eu”, diz Lula.
Lula afirmou que não pretende transformar as divergências comerciais em um conflito e disse que sua prioridade é preservar a soberania brasileira nas negociações. (Foto: Reprodução)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista ao Flow Podcast nesta quinta-feira (1º), que o Brasil conseguiu reduzir os impactos comerciais provocados pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao ampliar negócios com outros países. Segundo Lula, as vendas brasileiras para os EUA recuaram, mas houve crescimento das relações comerciais com China, Indonésia, Alemanha, Vietnã e outros mercados.

Ao comentar a relação com Trump, Lula afirmou que não pretende transformar as divergências comerciais em um conflito e disse que sua prioridade é preservar a soberania brasileira nas negociações.

Leia também: 'Meu adversário é um vira-lata', diz Lula sobre Flávio Bolsonaro, durante entrevista ao Flow Podcast

“O Trump tem que saber que ele toma conta dos EUA, do Brasil cuido eu. Ao invés de ficar chorando, eu fui procurar parceiros, eu fui vender as minhas coisas”, declarou.

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Na sequência, o presidente afirmou que não pretende entrar em uma disputa militar ou responder às provocações com a mesma estratégia.

“Você acha que eu vou me importar com o Trump. Fica falando que tem o maior exército, que não sei o que. Você acha que eu quero guerra com você, Trump? O que eu quero é respeito”, disse.

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As declarações ocorrem em meio a uma nova etapa das negociações entre Brasil e Estados Unidos. Representantes dos dois governos se reuniram recentemente para discutir as tarifas impostas aos produtos brasileiros e decidiram criar um grupo de trabalho para tratar do tema.

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Lula cita queda nas vendas para os EUA e avanço em outros países

Durante a entrevista, Lula apresentou números para sustentar a avaliação de que o Brasil teria conseguido compensar parte dos efeitos do tarifaço por meio da diversificação dos mercados compradores.

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Segundo o presidente, o comércio com os Estados Unidos caiu 9,7%. Em contrapartida, ele afirmou que as vendas brasileiras para a China cresceram 20%, enquanto houve aumento de 15% nas relações com Indonésia e Alemanha e de 14% com o Vietnã.

Lula também afirmou que o Brasil ampliou as vendas para outros 57 países e citou um superávit de R$ 80 bilhões na balança comercial.

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Os números foram apresentados pelo próprio presidente durante a entrevista e, portanto, devem ser entendidos como parte da argumentação utilizada por Lula para avaliar os efeitos da política comercial norte-americana.

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Dados oficiais do comércio exterior mostram, de fato, que a China permanece como um dos principais mercados do Brasil. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos continuam entre os maiores parceiros comerciais brasileiros, o que faz com que alterações nas tarifas tenham impacto sobre empresas e setores específicos. Dados do governo federal também registram mudanças nas correntes de comércio ao longo de 2026.

O cenário, portanto, não representa uma substituição completa dos Estados Unidos por outros países. A estratégia mencionada por Lula é de diversificação, com tentativa de ampliar o número de destinos para produtos brasileiros e reduzir a dependência de um único mercado.

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Tarifaço dos EUA atingiu parte das exportações brasileiras

A política tarifária norte-americana passou por diferentes etapas em 2026 e atingiu produtos brasileiros com sobretaxas adicionais.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), medidas adotadas pelos Estados Unidos alcançaram 23,1% das exportações brasileiras. O governo brasileiro informou ainda que 52,7% das exportações para o mercado norte-americano permaneceram fora das sobretaxas adicionais específicas ou setoriais previstas nas medidas então analisadas.

Entre os produtos que ficaram sujeitos à incidência acumulada de 37,5% estavam máquinas e equipamentos, determinados produtos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e itens de confecção, segundo o MDIC.

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O impacto, portanto, não é uniforme sobre toda a pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos. Há produtos diretamente atingidos pelas tarifas adicionais e outros que permanecem sujeitos apenas às tarifas ordinárias.

Essa diferença é importante para entender o efeito econômico do tarifaço. Uma empresa que exporta um produto incluído na lista de sobretaxas enfrenta uma condição diferente daquela que vende uma mercadoria excluída das medidas.

Brasil tenta manter negociação aberta com Trump

Apesar do tom duro adotado por Lula na entrevista, o governo brasileiro mantém canais de negociação com Washington.

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Em agosto, Lula e Trump conversaram e, a partir desse contato, representantes dos dois países retomaram as discussões comerciais. O Ministério do Desenvolvimento e o Ministério das Relações Exteriores passaram a participar de reuniões com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

No fim de setembro, uma nova reunião de alto nível ocorreu durante o G20, em Milwaukee. O encontro envolveu o chanceler Mauro Vieira, o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial norte-americano.

Como resultado, Brasil e Estados Unidos decidiram estruturar um grupo de trabalho para analisar possíveis caminhos para o entendimento comercial. As tarifas, entretanto, permanecem em vigor.

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A estratégia brasileira, portanto, combina duas frentes: manter o diálogo com o principal parceiro comercial e, simultaneamente, procurar ampliar os destinos das exportações.

Essa política também foi defendida por Lula antes da entrevista ao Flow. Em junho, o presidente afirmou que o Brasil deveria buscar outros parceiros para reduzir os impactos das medidas norte-americanas.

Lula também cita China, inteligência artificial e terras raras

Outro ponto destacado pelo presidente durante a entrevista foi a relação do Brasil com grandes potências.

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Lula afirmou que não pretende aceitar pressões dos Estados Unidos relacionadas ao desenvolvimento brasileiro em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, minerais críticos e terras raras.

“A China e os EUA podem ser nossos parceiros”, afirmou.

A declaração reforça a estratégia de manter relações comerciais com diferentes potências sem estabelecer, segundo a posição apresentada pelo presidente, uma exclusividade de parceria.

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As terras raras ganharam importância nas negociações internacionais porque são utilizadas em diferentes setores tecnológicos e industriais. O tema também aparece nas conversas recentes entre Brasil e Estados Unidos. Reportagens publicadas nesta quinta-feira apontaram que o acesso a minerais estratégicos está entre os interesses norte-americanos nas negociações com o governo brasileiro.

Para o Brasil, a questão envolve não apenas comércio exterior, mas também decisões sobre recursos naturais, investimentos, tecnologia e política industrial.

Lula contesta justificativa econômica apresentada pelos EUA

Durante a entrevista, Lula voltou a questionar a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para a adoção das tarifas.

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O presidente afirmou que a política comercial de Trump seria motivada pelo objetivo de proteger a economia norte-americana e aumentar a riqueza do país.

Lula também retomou um argumento que já havia apresentado publicamente meses antes: o de que os Estados Unidos acumularam superávit na relação comercial com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos.

O valor citado por Lula é de US$ 415 bilhões, e não R$ 415 bilhões, como poderia sugerir uma conversão inadequada da declaração. Em junho, o presidente já havia utilizado esse número ao argumentar que os Estados Unidos tinham saldo positivo na relação comercial com o Brasil. A informação foi registrada pela Agência Brasil.

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Esse ponto faz parte da contestação brasileira às justificativas utilizadas pelo governo Trump. O governo dos Estados Unidos adotou medidas tarifárias com base em investigações e argumentos próprios sobre a relação comercial com o Brasil, enquanto o governo brasileiro apresentou documentação para contestar a existência de um déficit norte-americano na relação bilateral.

Por isso, a afirmação de que as tarifas foram baseadas em uma “mentira” deve ser atribuída a Lula, e não apresentada como uma conclusão independente sobre a motivação do governo norte-americano.

Disputa comercial ocorre em momento de pressão sobre setores brasileiros

O tarifaço tem consequências diferentes conforme o setor exportador e o mercado de destino.

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O governo brasileiro criou mecanismos para auxiliar empresas afetadas pelas novas tarifas. Em agosto, por exemplo, uma medida provisória estabeleceu condições para a prorrogação excepcional de prazos do regime de drawback para operações de exportação afetadas pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos.

O drawback é utilizado por empresas exportadoras para permitir a suspensão ou eliminação de determinados tributos incidentes sobre insumos utilizados na produção de mercadorias destinadas ao mercado externo.

A adoção de uma medida específica mostra que o impacto do tarifaço não se limita ao debate diplomático entre Lula e Trump. Há efeitos sobre planejamento empresarial, contratos, custos de produção e decisões sobre mercados de destino.

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Ao mesmo tempo, a busca por compradores em outros países pode abrir oportunidades para empresas brasileiras, mas também exige capacidade de adaptação, logística, certificações e condições comerciais competitivas.

Lula diz que quer respeito, mas mantém disposição para negociar

Na entrevista ao Flow, Lula combinou críticas à política comercial de Trump com a defesa da continuidade das negociações.

O presidente afirmou que não se preocupa com ameaças relacionadas ao poder militar norte-americano e que sua prioridade é preservar a relação comercial sem abrir mão da autonomia brasileira.

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A postura apresentada na entrevista ocorre enquanto os dois governos tentam construir um caminho de negociação. O Brasil não deixou de buscar um entendimento com Washington, mas também passou a enfatizar a ampliação de relações com outros parceiros.

Esse movimento coloca a diversificação comercial no centro da resposta brasileira ao tarifaço.

A disputa também ultrapassa a questão das tarifas. Inteligência artificial, minerais estratégicos, terras raras e regras para o comércio internacional aparecem como temas de interesse nas conversas entre os países.

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Para o Brasil, o desafio é preservar o acesso ao mercado norte-americano sem concentrar excessivamente suas exportações em um único destino. Para os setores afetados pelas tarifas, entretanto, a abertura de novos mercados precisa ocorrer em condições capazes de compensar eventuais perdas de competitividade provocadas pelas sobretaxas.

Ao falar sobre Trump, Lula resumiu sua posição em uma frase que ganhou destaque na entrevista: “O que eu quero é respeito”.

As negociações entre os dois países seguem abertas. Enquanto isso, o governo brasileiro tenta combinar diálogo com Washington e expansão de relações comerciais com outros parceiros, em um cenário internacional marcado por disputas tarifárias e pela crescente competição por tecnologia e recursos estratégicos.

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