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ELEIÇÕES NO CEARÁ

Quem foram os deputados federais mais votados do Ceará nas últimas eleições

Levantamento reúne os campeões de votos para a Câmara dos Deputados desde 2002; Ciro Gomes teve a maior votação entre os seis pleitos analisados

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Quem foram os deputados federais mais votados do Ceará nas últimas eleições

A disputa pelas 22 vagas do Ceará na Câmara dos Deputados já produziu votações expressivas e diferentes campeões de votos ao longo das últimas duas décadas. Entre 2002 e 2022, seis eleições gerais colocaram no topo nomes como Inácio Arruda, Ciro Gomes, Domingos Neto, Moroni Torgan, Capitão Wagner e André Fernandes.

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O maior resultado do período pertence a Ciro Gomes, que recebeu 667.830 votos em 2006. A votação permanece distante das registradas pelos demais líderes das eleições seguintes e correspondeu a 16,19% dos votos válidos para deputado federal naquele pleito.

O levantamento considera as seis eleições gerais realizadas entre 2002 e 2022 e mostra também como o número de votos, isoladamente, não determina quem consegue uma vaga na Câmara. Por causa do sistema proporcional, candidatos com mais de 100 mil votos já ficaram sem mandato no Ceará enquanto concorrentes com votações significativamente menores conseguiram se eleger.

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Em 2026, os cearenses voltam às urnas para definir os 22 representantes do Estado na Câmara dos Deputados.

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Quem foram os deputados federais mais votados do Ceará?

Nas seis eleições realizadas entre 2002 e 2022, estes foram os candidatos que receberam o maior número de votos para deputado federal no Ceará:

  1. 2002 – Inácio Arruda (PCdoB): 302.627 votos
  2. 2006 – Ciro Gomes (PSB): 667.830 votos
  3. 2010 – Domingos Neto (PSB): 246.591 votos
  4. 2014 – Moroni Torgan (DEM): 277.774 votos
  5. 2018 – Capitão Wagner (PROS): 303.593 votos
  6. 2022 – André Fernandes (PL): 229.509 votos

A lista atravessa diferentes momentos da política cearense e reúne candidatos de partidos distintos. Entre os seis pleitos, apenas dois campeões ultrapassaram a marca de 300 mil votos: Inácio Arruda, em 2002, e Capitão Wagner, em 2018. Ciro Gomes foi além e superou 600 mil votos em 2006.

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Ciro Gomes teve votação recorde em 2006

A maior votação da série ocorreu nas eleições de 2006. Ciro Gomes, então filiado ao PSB, recebeu 667.830 votos para deputado federal, equivalentes a 16,19% dos votos válidos destinados ao cargo no Ceará. Naquele ano, Eunício Oliveira (PMDB) apareceu na segunda posição, com 240.588 votos, enquanto Zé Gerardo (PMDB) ficou em terceiro, com 185.925.

Ciro chegou à disputa depois de ter concorrido à Presidência da República em 2002 e ocupado o Ministério da Integração Nacional durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A votação de 2006 permanece como a maior entre os candidatos que lideraram as seis eleições consideradas neste levantamento.

Inácio Arruda liderou votação em 2002

Quatro anos antes, Inácio Arruda (PCdoB) havia sido o candidato a deputado federal mais votado do Ceará, com 302.627 votos. Moroni Torgan (PFL) apareceu em segundo, com 224.242 votos, e Eunício Oliveira (PMDB), em terceiro, com 193.651. Os três foram eleitos.

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Aquela eleição também oferece um exemplo de como a votação individual não é suficiente para determinar a conquista de uma cadeira. Manoel Salviano recebeu 70.828 votos e ficou como suplente, enquanto Pastor Pedro Ribeiro foi eleito com 51.278. A diferença entre as duas votações foi superior a 19 mil votos.

Domingos Neto foi o mais votado em 2010

Em 2010, Domingos Neto (PSB) chegou ao topo da votação aos 22 anos. O candidato recebeu 246.591 votos e foi eleito deputado federal. José Guimarães (PT) terminou em segundo lugar, com 210.366 votos, enquanto Genecias Noronha (PMDB) ficou na terceira posição, com 176.286.

Naquele pleito, outro contraste chamou atenção. Renato Roseno recebeu 113.705 votos e não conseguiu uma cadeira, enquanto o menor resultado nominal entre os eleitos foi de 76.915 votos. A diferença ajuda a explicar uma característica que atravessa toda a série histórica: nas eleições proporcionais, estar entre os candidatos individualmente mais votados não garante, sozinho, uma vaga.

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Moroni Torgan voltou ao topo em 2014

Moroni Torgan (DEM) liderou a votação para deputado federal no Ceará em 2014, com 277.774 votos. Genecias Noronha (Solidariedade) ficou em segundo, com 221.567, seguido por José Guimarães (PT), que recebeu 209.032 votos.

Moroni já havia aparecido entre os candidatos de maior votação do Estado em 2002, quando ficou na segunda posição. Doze anos depois, chegou ao primeiro lugar. Diferentemente de outros pleitos da série, em 2014 o primeiro candidato que ficou sem vaga teve votação inferior à do candidato eleito com o menor número de votos entre os que conquistaram cadeira.

Capitão Wagner liderou em 2018

Nas eleições de 2018, Capitão Wagner (PROS) foi o candidato a deputado federal mais votado do Ceará, com 303.593 votos. Célio Studart (PV) recebeu 208.854 e ficou na segunda posição, enquanto Luizianne Lins (PT) terminou em terceiro, com 173.777.

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Aquela eleição produziu também um dos exemplos mais expressivos do funcionamento do sistema proporcional no período analisado. Ronaldo Martins recebeu 101.089 votos e ficou como suplente. Francisco Vaidon Oliveira, por outro lado, foi eleito com 30.392 votos. A diferença entre as duas votações chegou a 70.697 votos.

André Fernandes ficou em primeiro lugar em 2022

Na eleição mais recente antes de 2026, André Fernandes (PL) liderou a votação para deputado federal no Ceará, com 229.509 votos. Júnior Mano (PL) ficou em segundo lugar, com 216.531, enquanto Célio Studart (PSD) apareceu na terceira posição, com 205.106 votos.

O pleito de 2022 teve ainda outro caso que demonstra a diferença entre votação individual e conquista de uma cadeira. Denis Bezerra recebeu 118.822 votos, mas não foi eleito. Dayany do Capitão, por sua vez, conquistou uma vaga com 54.526 votos, sendo eleita por média.

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O resultado ocorreu já sob regras diferentes das vigentes em eleições anteriores. As coligações proporcionais haviam sido extintas e as federações partidárias passaram a integrar o sistema eleitoral.

Por que um candidato com mais votos pode não ser eleito?

Diferentemente das disputas para presidente e governador, a eleição para deputado federal segue o sistema proporcional. Isso significa que as 22 vagas destinadas ao Ceará não são simplesmente entregues aos 22 candidatos que receberam mais votos individualmente.

Primeiro, a votação obtida pelos partidos e federações é considerada para a distribuição das cadeiras. A partir dessa definição, as vagas são preenchidas pelos candidatos das respectivas legendas conforme as regras estabelecidas pela legislação eleitoral.

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É por isso que candidatos com votações individuais elevadas podem ficar fora da Câmara enquanto outros, com menos votos, conseguem mandato. Os resultados de 2010, 2018 e 2022 ajudam a demonstrar essa dinâmica. Em todos esses pleitos houve candidatos não eleitos com votação superior à de concorrentes que conquistaram uma das vagas do Ceará.

Afinal, quantos votos são necessários para ser deputado federal?

Não existe um número fixo de votos individuais que garanta uma cadeira. Considerando apenas a menor votação nominal entre os candidatos eleitos em cada uma das seis eleições analisadas, os números variaram significativamente:

  1. 2002 – 51.278 votos
  2. 2006 – 44.647 votos
  3. 2010 – 76.915 votos
  4. 2014 – 80.578 votos
  5. 2018 – 30.392 votos
  6. 2022 – 54.526 votos

Esses números não representam uma quantidade mínima exigida pela legislação. São apenas as menores votações individuais registradas entre os candidatos que conseguiram uma cadeira em cada eleição. O desempenho do partido ou da federação e as regras do sistema proporcional também influenciam a definição dos eleitos.

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Disputa pelas vagas ficou mais concorrida

Outro dado que mudou ao longo das duas décadas foi o número de candidatos. Em 2002, 122 candidatos disputavam as 22 cadeiras destinadas ao Ceará. Em 2006, eram 145. O número caiu para 114 em 2010, mas depois avançou para 195 em 2014 e 229 em 2018. Em 2022, foram 350 candidaturas.

A relação, portanto, passou de aproximadamente 5,5 candidatos por vaga em 2002 para quase 16 candidatos por cadeira em 2022. O crescimento ocorreu em paralelo a mudanças importantes nas regras eleitorais, como o fim das coligações nas eleições proporcionais e a criação das federações partidárias.

Mudanças políticas ao longo das últimas eleições

As eleições analisadas ocorreram em contextos políticos diferentes. Em 2002, por exemplo, o pleito marcou o fim de oito anos de Fernando Henrique Cardoso na Presidência e a primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

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Para o professor André Rosa, o desgaste do governo federal foi um dos elementos daquele cenário.

“Um dos principais motivos do Lula ter sido eleito em 2002 foi devido a um desgaste em relação ao governo FHC por parte da população”, afirma o professor André Rosa.

As décadas seguintes foram marcadas por mudanças no sistema partidário, nas regras das campanhas e nas formas de comunicação política. Apesar das transformações, uma característica permaneceu nas disputas para deputado federal: a votação individual precisa ser analisada em conjunto com o desempenho partidário.

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O que as últimas eleições mostram?

Ao longo das seis eleições, o Ceará teve seis diferentes líderes de votação para deputado federal. Ciro Gomes permanece com o maior resultado da série, enquanto as eleições mais recentes apresentaram diferenças expressivas entre a votação de candidatos eleitos e não eleitos.

Em 2018, Vaidon Oliveira conseguiu uma cadeira com 30.392 votos enquanto Ronaldo Martins ficou como suplente com mais de 100 mil. Em 2022, Denis Bezerra não foi eleito mesmo recebendo 118.822 votos, enquanto Dayany do Capitão conquistou uma vaga com 54.526.

Os casos ajudam a mostrar que o ranking dos mais votados conta apenas parte da história da eleição para a Câmara dos Deputados.

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Texto produzido pelo estagiário Heitor Cunico, sob supervisão de Igor Silveira.

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