Manifestação ocorreu neste sábado (3), na Praça Luíza Távora, em Fortaleza, após a Justiça revogar a prisão preventiva de João Munhoz, investigado no caso
A mãe da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, participou, neste sábado (3), de um ato por justiça realizado na Praça Luíza Távora, em Fortaleza. A manifestação ocorreu após a Justiça do Ceará revogar a prisão preventiva de João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado da jovem e investigado no caso.
Isabelle foi encontrada morta no dia 13 de setembro, no condomínio onde morava, no bairro Aldeota. João estava preso desde 22 de setembro e é investigado por violência psicológica e possível indução ao suicídio. A Justiça determinou a soltura do investigado nesta quinta-feira (1º), mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar a comarca e o distanciamento dos familiares da vítima.
O ato deste sábado foi organizado pela família de Isabelle e teve início às 16h. A mobilização havia sido divulgada como uma manifestação pacífica por justiça e pelo fim da violência contra a mulher.
Mãe afirma que objetivo não é aparecer
Durante o ato, a mãe de Isabelle afirmou que a intenção da família não é buscar exposição pública, mas marcar um momento diante dos acontecimentos recentes envolvendo o caso.
“Não queremos aparecer. Queremos demarcar um momento”, afirmou.
Ela mencionou a soltura de João Munhoz e classificou o investigado como “assediador”, afirmando que outras mulheres também teriam sido vítimas de assédio. As declarações fazem parte do posicionamento da família e não representam uma conclusão da investigação.
Segundo a mãe, o relacionamento entre Isabelle e João teria causado impactos na vida da filha. Emocionada, ela afirmou que a situação teria afetado o psicológico, a autoestima e os planos da jovem.
Mãe diz que pretende se afastar das redes sociais
Durante a manifestação, a mãe de Isabelle também anunciou que pretende deixar as redes sociais e não conceder novas entrevistas sobre o caso.
Ela explicou que precisa de um período para viver o luto e cuidar da própria vida e dos filhos.
“Eu tô precisando, de fato, viver meu luto em paz”, declarou.
A mãe também afirmou que não pretende continuar aparecendo na imprensa ou nas redes sociais após o ato.
“Eu não vou estar dando mais entrevistas, não tenho nenhuma intenção de estar aparecendo mais nas mídias, nas redes sociais, porque eu preciso viver esse luto em paz”, disse.
Investigação sobre a morte continua
A morte de Isabelle segue sendo investigada pela Polícia Civil do Ceará. A estudante morreu após cair do 23º andar do condomínio onde morava com João Munhoz, na Aldeota.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pelo Judiciário, a investigação apura possíveis crimes relacionados à violência psicológica e à indução ao suicídio. João Munhoz nega as acusações.
A Perícia Forense do Ceará concluiu laudos sobre o caso, e imagens de câmeras de segurança, depoimentos e outros elementos continuam sendo analisados. Até o fim de setembro, 28 pessoas haviam sido ouvidas e 13 laudos periciais tinham sido concluídos.
A soltura do investigado não encerra a investigação. Conforme decisão judicial divulgada pelo Tribunal de Justiça do Ceará, João deverá cumprir medidas cautelares durante o andamento do caso, incluindo monitoramento eletrônico e distanciamento dos familiares de Isabelle.
O processo tramita sob segredo de Justiça, e a apuração sobre as circunstâncias da morte da estudante continua.




