Cid Gomes (PSB) foi reeleito senador pelo Ceará nas Eleições 2026 e entrou para a história política do Estado. Com 3.033.562 votos, 31,22% dos votos válidos, ele conquistou um segundo mandato consecutivo para o Senado, feito que não era registrado no Ceará desde 1970.
A última reeleição consecutiva de um senador cearense havia ocorrido com Wilson Gonçalves, eleito pela primeira vez em 1962 e novamente escolhido para o Senado em 1970. Com o resultado de 2026, Cid repete o feito mais de cinco décadas depois.
Cid Gomes é reeleito senador pelo Ceará
Cid Gomes garantiu uma das duas vagas destinadas ao Ceará no Senado nas eleições deste domingo (4). A segunda cadeira ficou com Luizianne Lins (Rede), que recebeu 2.822.806 votos, ou 29,05% dos votos válidos.
O resultado mantém Cid no Senado por mais oito anos. O novo mandato terá início em 1º de fevereiro de 2027 e seguirá até janeiro de 2035.
A vitória também consolida a permanência do senador na bancada cearense. Cid havia sido eleito pela primeira vez para o cargo em 2018, quando passou a ocupar uma das três cadeiras do Estado na Casa.
Por que a reeleição de Cid Gomes é histórica?
O aspecto histórico da eleição está no fato de Cid ser o primeiro senador do Ceará, em mais de 50 anos, a conseguir dois mandatos consecutivos.
O último caso havia ocorrido em 1970, quando Wilson Gonçalves foi reeleito para o Senado. Ele havia conquistado a primeira eleição em 1962 e voltou a vencer oito anos depois, durante o período do regime militar.
O registro de 1970 consta nos documentos do Senado Federal. O diploma eleitoral daquele pleito registra Wilson Gonçalves como senador eleito pelo Ceará pela legenda da Arena.
Assim, a vitória de Cid em 2026 interrompe um intervalo de mais de cinco décadas sem que um senador cearense conseguisse permanecer no cargo por meio de uma reeleição consecutiva.
Quem foi o último senador reeleito no Ceará?
Wilson Gonçalves foi o último senador cearense a conquistar a reeleição antes de Cid Gomes.
Ele chegou ao Senado pela primeira vez em 1962, então pelo PSD, e voltou a ser eleito em 1970 pela Arena. Naquele pleito, recebeu 407.362 votos, segundo os registros históricos da eleição.
Além de Wilson, outro caso histórico de reeleição para o Senado no Ceará é o de Pedro Borges. Ele ocupou a cadeira entre 1904 e 1912 e novamente entre 1912 e 1920, ainda durante a Primeira República.
O caso de Pedro Borges, porém, pertence a um período político bastante diferente do atual e ocorreu antes da configuração institucional do Senado que se consolidaria posteriormente.
Quais senadores cearenses tiveram dois mandatos?
O Ceará também teve outros políticos que exerceram dois mandatos no Senado, mas nem todos chegaram ao cargo por meio de uma reeleição consecutiva.
É o caso de Tasso Jereissati, Mauro Benevides e Virgílio Távora. Os três tiveram duas passagens pelo Senado, mas em períodos diferentes.
Tasso Jereissati foi eleito para o Senado pela primeira vez em 2002 e voltou à Casa em 2014. Mauro Benevides conquistou uma cadeira em 1974 e novamente em 1986. Já Virgílio Távora foi eleito senador em 1970 e voltou ao cargo em 1982.
A diferença é justamente o intervalo entre os mandatos. No caso de Cid Gomes, a eleição de 2026 representa a renovação imediata do mandato iniciado em 2019, tornando o resultado diferente dos demais exemplos recentes.
Como ficou a bancada do Ceará no Senado
Com as duas vagas disputadas em 2026, Cid Gomes e Luizianne Lins passam a integrar a bancada que representará o Ceará no Senado a partir de 2027, ao lado de Camilo Santana (PT), eleito para a Casa em 2022 e cujo mandato não estava em disputa neste ano.
A eleição de 2026 renovou dois terços do Senado Federal. Em cada estado e no Distrito Federal, os eleitores escolheram dois senadores para mandatos de oito anos.
No Ceará, Cid terminou na primeira colocação, seguido por Luizianne. Capitão Wagner (União Brasil) ficou em terceiro, com 2.011.388 votos, 20,70% dos votos válidos.
Com a reeleição, Cid Gomes terá mais oito anos de mandato no Senado e passa a ocupar um lugar de destaque na história eleitoral do Ceará por repetir, em 2026, um feito que não acontecia no Estado desde a reeleição de Wilson Gonçalves, em 1970.




