O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta segunda-feira (5) que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende ampliar a votação no Nordeste no segundo turno das eleições e reduzir o número de eleitores que deixam de comparecer às urnas. No Ceará, onde Lula venceu no primeiro turno, a meta anunciada por Guimarães é elevar o percentual obtido pelo petista para 70%.
A estratégia foi discutida em uma reunião convocada por Lula com ministros, governadores, aliados e integrantes da coordenação da campanha. Segundo Guimarães, os governadores aliados eleitos no primeiro turno reafirmaram o compromisso de trabalhar pela candidatura petista na segunda etapa da eleição.
“Nós, a orientação geral é ampliar a nossa votação no Nordeste, diminuir a abstenção e os governadores eleitos já no primeiro turno, todos reafirmaram o seu compromisso”, declarou o ministro.
A mobilização deve começar já nesta terça-feira (6), com ações nos estados e intensificação do contato com o eleitorado. Guimarães também afirmou que a segunda etapa será marcada por debates, articulação política e uma disputa mais direta entre os dois candidatos que permanecem na corrida presidencial.
Ceará terá meta de 70% para Lula
O Ceará aparece como um dos estados considerados estratégicos pela campanha petista. A estratégia deverá contar com a participação do governador Elmano de Freitas (PT), reeleito no primeiro turno, além dos senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB). O grupo integra a articulação política que deverá intensificar as agendas no interior e em outras regiões do estado.
Elmano venceu a disputa pelo Governo do Ceará no domingo (4), com 53,19% dos votos válidos, enquanto Ciro Gomes (PSDB) terminou em segundo lugar, com 46,22%, de acordo com a apuração divulgada após o primeiro turno.
A votação presidencial também foi favorável a Lula no estado. O petista venceu Flávio Bolsonaro no Ceará, enquanto o candidato do PL terminou à frente no resultado nacional e levou a disputa para o segundo turno.
Guimarães avaliou que a disputa pelo Governo do Ceará foi difícil, mas comemorou a vitória de Elmano sobre Ciro Gomes. Ao comentar o resultado, afirmou que derrotar o ex-ministro e ex-governador foi “muito gostoso”.
Nordeste é prioridade na segunda etapa
O Nordeste é o principal reduto eleitoral de Lula, mas a campanha identificou espaço para aumentar a votação na região. No primeiro turno, o presidente recebeu 21.494.584 votos nos nove estados nordestinos, o equivalente a 63,77% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro somou 10.398.973 votos na região, com 30,85%. Lula venceu o adversário nos nove estados, mas recebeu 258.555 votos a menos do que no primeiro turno de 2022. Já Flávio teve desempenho superior ao registrado por Jair Bolsonaro na região quatro anos atrás, com aumento de 1.611.579 votos.
É nesse cenário que a campanha petista pretende trabalhar para aumentar a vantagem regional. Além do Ceará, a Bahia foi citada nas discussões sobre a definição de metas e ações para a segunda etapa.
A mobilização também deve envolver governadores e lideranças estaduais. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) e o senador eleito Rui Costa (PT) se comprometeram a manter agendas pelo interior. No Piauí, o governador reeleito Rafael Fonteles (PT) afirmou que pretende elevar a votação de Lula de 71% para 80%.
No Ceará, a orientação é semelhante: manter a presença dos aliados nos municípios e tentar ampliar a vantagem de Lula em relação ao primeiro turno.
Campanha quer reduzir abstenção
Outro eixo da estratégia definida na reunião é a tentativa de levar mais eleitores às urnas no segundo turno. No primeiro turno, 33.469.244 pessoas não compareceram para votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto.
O número ficou acima do registrado em 2022, quando 32.770.982 eleitores não participaram da votação. A diferença é de aproximadamente 700 mil pessoas.
A abstenção será tratada como uma das frentes de mobilização da campanha. No encontro com os aliados, Lula questionou o motivo pelo qual milhões de eleitores deixaram de votar e cobrou dos integrantes da campanha uma avaliação sobre o que poderia ter sido feito de maneira diferente.
No Nordeste, a taxa de ausência não ficou muito abaixo da média nacional. Na Bahia, por exemplo, a abstenção foi de 19,97%.
A campanha também pretende atuar no Sudeste, região onde Lula perdeu mais de cinco milhões de votos na comparação com o primeiro turno de 2022. A área concentra cerca de 41% do eleitorado brasileiro e é considerada fundamental para a disputa nacional.
São Paulo, maior colégio eleitoral do país, deve receber atenção especial nas agendas do segundo turno.
Lula deve participar de debate no domingo
Segundo Guimarães, Lula indicou que participará do debate presidencial previsto para domingo (11), promovido pela TV Band.
O ministro afirmou que a mudança para o segundo turno altera a dinâmica da campanha porque a disputa passa a envolver apenas dois candidatos. A avaliação é de que a comparação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro deverá ganhar espaço nos próximos dias, com maior intensidade em debates, agendas públicas e contato com eleitores.
“Agora, em relação à mobilização, debate, enfrentamento, tete a tete. Agora só são dois”, disse Guimarães.
O ministro também afirmou que a campanha deverá explorar a comparação entre os projetos apresentados pelos dois candidatos.
“O país conhece o Lula, o país precisa conhecer o que quer fazer com o nosso adversário”, declarou.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos.
PEC da escala 6x1 entra na articulação
A articulação política do governo também pretende avançar nas discussões sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala de trabalho 6x1.
Guimarães afirmou que pretende conversar ainda nesta segunda-feira com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a tramitação da proposta. Para integrantes do governo, a aprovação do texto pode ser utilizada como uma das iniciativas para buscar apoio entre os eleitores no segundo turno.
A discussão faz parte de uma estratégia mais ampla da campanha, que pretende diversificar os públicos abordados por Lula e ampliar a presença do candidato nas plataformas digitais.
Durante a reunião em Brasília, que durou cerca de quatro horas, aliados também discutiram maneiras de mudar a abordagem adotada no primeiro turno e iniciar a segunda etapa com uma nova dinâmica. A orientação transmitida aos participantes foi tratar o segundo turno como uma nova disputa, sem repetir automaticamente as estratégias utilizadas anteriormente.
Além dos governadores eleitos e reeleitos, participaram das discussões integrantes da coordenação da campanha e políticos que não conseguiram avançar para o segundo turno nas disputas estaduais. Entre eles estava João Campos (PSB), que deixou a Prefeitura do Recife para disputar o Governo de Pernambuco, mas não foi eleito.
Lula também deverá visitar estados onde haverá segundo turno para governador. No Rio Grande do Norte, por exemplo, Cadu de Lula (PT) disputará a segunda etapa contra Allyson Bezerra (União). A nova votação para presidente e para os governos estaduais que não foram definidos no primeiro turno ocorrerá em 25 de outubro.




