O deputado federal André Janones (Rede-MG) criou um canal no WhatsApp chamado “Exército do Lula” para organizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o segundo turno das eleições de 2026. A mobilização cresceu rapidamente: o espaço saiu de cerca de 50 mil inscritos em 5 de outubro e ultrapassou 1 milhão de seguidores no dia 6, segundo registros divulgados pela imprensa.
A iniciativa coloca o WhatsApp no centro de uma estratégia de comunicação voltada à campanha de Lula. Pelo canal, Janones publica mensagens, áudios, vídeos e orientações para que os participantes ampliem a circulação dos conteúdos em outras plataformas.
André Janones cria canal “Exército do Lula” no WhatsApp
Embora tenha ganhado força após o primeiro turno, o canal já existia antes da atual fase da disputa. A mudança ocorreu com a utilização do espaço como ferramenta de mobilização em torno da campanha de Lula.
O funcionamento é semelhante ao de outros canais do WhatsApp: os seguidores recebem diretamente as atualizações publicadas pelo administrador, sem que o espaço funcione como um grupo convencional de conversas. O próprio WhatsApp explica que os Canais são ferramentas para que pessoas e organizações distribuam atualizações, textos, links e mídias aos seguidores.
No caso de Janones, a proposta passou a ser utilizar essa estrutura para organizar uma rede de apoiadores. Entre as orientações divulgadas estão pedidos para que os integrantes compartilhem o canal e convidem novas pessoas.
Em uma das mensagens divulgadas pelo parlamentar, a orientação era para que cada participante levasse outros apoiadores para a rede. A estratégia busca aumentar rapidamente a quantidade de pessoas que recebem diretamente os conteúdos produzidos ou selecionados pelo grupo.
Canal de Janones supera 1 milhão de inscritos
O crescimento do “Exército do Lula” ocorreu em poucas horas. De acordo com reportagem do Metrópoles publicada em 6 de outubro, o canal tinha cerca de 50 mil seguidores no dia anterior e se aproximou de 1 milhão em dois dias.
No mesmo dia, outras reportagens registraram que a marca de 1 milhão de inscritos foi ultrapassada. O Terra informou que o canal já tinha mais de 1,1 milhão de participantes na tarde de 6 de outubro, enquanto a TVT News registrou mais de 1 milhão de inscritos. Como a quantidade de seguidores de um canal pode mudar rapidamente, o número deve ser considerado de acordo com o horário da consulta.
O salto chama atenção pelo curto intervalo em que ocorreu. O crescimento de centenas de milhares de usuários transformou o canal em uma das principais iniciativas digitais de mobilização ligadas à campanha de Lula no início do segundo turno.
Como funciona a estratégia de mobilização no WhatsApp
Além de convocar novos participantes, Janones utiliza o canal para orientar os apoiadores sobre a distribuição de conteúdos nas redes sociais.
Segundo o material publicado pelo Metrópoles, o deputado envia áudios em tom de conversa direta e apresenta instruções relacionadas ao funcionamento dos algoritmos das plataformas. Entre as orientações mencionadas estão o uso de publicações colaborativas, os chamados collabs, e a republicação de conteúdos em sequência.
A estratégia também envolve a distribuição de vídeos e mensagens produzidos por outros apoiadores da campanha. Um dos conteúdos citados pelo Metrópoles foi um vídeo do pastor batista Ed René Kivitz, que se posicionou contra a candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo a publicação, o vídeo havia alcançado 8,7 milhões de visualizações.
A intenção, portanto, não é apenas reunir seguidores em um único canal, mas transformar essa audiência em uma rede de distribuição de conteúdos políticos.
Estratégia é comparada a modelo usado pelo bolsonarismo
A movimentação de Janones foi descrita pelo Metrópoles como uma estratégia semelhante à utilizada por grupos ligados ao bolsonarismo nas redes sociais desde 2018. A comparação é apresentada pela publicação como uma forma de explicar a utilização de mensagens diretas, áudios e mobilização de apoiadores por meio de aplicativos de comunicação.
O levantamento da empresa Zeeng citado pelo Metrópoles também mostra uma diferença na presença de grupos políticos entre os perfis mais influentes do Instagram. Segundo o estudo referente ao primeiro semestre de 2026, nomes identificados como de direita e centro-direita ocupavam 76 das 100 primeiras posições, enquanto esquerda e centro-esquerda somavam 16.
O próprio Janones aparece entre os nomes de maior influência no levantamento. De acordo com os dados citados pelo Metrópoles, ele ocupava a 14ª posição, com média de 73.820 interações por publicação.
Janones amplia atuação digital no segundo turno
A mobilização acontece após o primeiro turno das eleições de 2026 e no início da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Janones é deputado federal em exercício e integra a Federação PSOL-Rede. De acordo com o perfil oficial mantido pela Câmara dos Deputados, ele exerce mandato na legislatura de 2023 a 2027 e, em 2026, aparece como integrante titular da Comissão de Trabalho.
Com o “Exército do Lula”, o parlamentar passa a concentrar parte de sua atuação política na mobilização digital. O alcance obtido pelo canal em poucos dias mostra a capacidade de uma estrutura de mensagens diretas de reunir rapidamente uma audiência numerosa.
O efeito eleitoral dessa mobilização, porém, não pode ser determinado apenas pelo número de seguidores. A quantidade de inscritos indica o alcance potencial da ferramenta, enquanto a efetividade da estratégia dependerá de como os conteúdos serão recebidos, compartilhados e incorporados à disputa eleitoral ao longo do segundo turno.




