O ex-candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026, disputado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O posicionamento foi anunciado nesta quinta-feira (8), após uma conversa entre os dois, na qual o senador se comprometeu a defender propostas apresentadas pelo escritor durante a campanha.
Terceiro colocado na votação de domingo (4), Cury condicionou seu apoio ao cumprimento de compromissos políticos formalizados em um documento. Entre os pontos estão o fim da reeleição presidencial, mudanças nas áreas de saúde e educação, proteção às mulheres, incentivo a microempresas e cooperativas e uma agenda de pacificação nacional.
A declaração ocorre em meio à articulação de alianças para a etapa final da disputa presidencial, marcada para 25 de outubro. Ao anunciar seu posicionamento, Cury ressaltou que a decisão não significa concordância irrestrita com o candidato do PL.
“Tive com Flávio uma longa conversa, olho no olho, sem filtros e sem rodeios. Disse-lhe claramente que não participaria de seu governo e que minha independência de pensamento seria inegociável”, afirmou em nota divulgada por sua assessoria.
O ex-presidenciável também estabeleceu que pretende acompanhar as decisões do senador e cobrar a execução das propostas acordadas. A condição foi apresentada como parte central do apoio, sem compromisso de participação pessoal em um eventual governo.
Augusto Cury apresenta oito compromissos a Flávio Bolsonaro
O documento discutido pelos dois reúne oito áreas de atuação que Cury considera prioritárias. A lista combina propostas de gestão pública, desenvolvimento econômico e medidas sociais.
Entre os compromissos apresentados estão:
- Fim da reeleição presidencial: defesa da alternância de poder e da renovação democrática.
- Mudanças na saúde: ampliação da telemedicina e do acesso à medicina moderna.
- Proteção às mulheres: medidas de proteção integral, com uso de tecnologia e enfrentamento da violência.
- Transformação da educação: valorização dos professores e melhoria dos salários da categoria.
- Financiamento de microempresas: proposta de ampliar o acesso a recursos para até dez milhões de pequenos negócios, com foco no empreendedorismo e na geração de empregos.
- Fortalecimento do cooperativismo: defesa do ato cooperativo, apoio às cooperativas e incentivo à verticalização agroindustrial.
- Valorização da agricultura: meta de dobrar a produção sustentável de alimentos em dez anos.
- Pacificação nacional: compromisso de governar para brasileiros de diferentes posições políticas e combater a corrupção.
As propostas abrangem áreas distintas e apresentam objetivos de alcance nacional. Entretanto, a formalização dos compromissos não detalha, no material divulgado, todos os instrumentos legais, os custos ou os prazos necessários para executar cada medida.
A proposta de acabar com a reeleição presidencial, por exemplo, envolve mudanças nas regras eleitorais. Já as metas de expansão da telemedicina, financiamento de microempresas e aumento da produção sustentável dependem de planejamento, recursos e definição de mecanismos de implementação.
Por isso, o documento estabelece uma lista de compromissos políticos, mas o acompanhamento de sua execução exigiria a divulgação de medidas concretas e indicadores para avaliar os resultados.
Ex-candidato teve mais de 3,4 milhões de votos
Augusto Cury recebeu 3.448.569 votos no primeiro turno, o equivalente a 2,89% dos votos válidos, e terminou a disputa presidencial na terceira colocação. O resultado colocou o ex-candidato em posição de participar das articulações políticas que antecedem a votação final.
Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. O senador do PL recebeu 56.104.503 votos, contra 53.879.538 do presidente, segundo os resultados divulgados da apuração.
A transferência de apoio de candidatos que ficaram fora da etapa final é uma das movimentações políticas do período entre os dois turnos. As declarações públicas podem influenciar o debate e sinalizar aproximações entre grupos políticos, mas não significam que todos os eleitores dos candidatos derrotados seguirão automaticamente a orientação anunciada.
No caso de Cury, a adesão foi acompanhada de condições relacionadas à condução de um eventual governo. O escritor afirmou que pretende preservar a autonomia para questionar decisões e cobrar coerência entre os compromissos assumidos e as medidas adotadas.
A posição também delimita a natureza do acordo: o apoio foi associado à defesa de propostas, e não à promessa de participação pessoal na administração federal.
Flávio Bolsonaro amplia articulação para o segundo turno
O anúncio de Cury integra uma série de declarações de apoio recebidas por Flávio Bolsonaro desde o encerramento do primeiro turno.
Entre os apoios citados no cenário político estão os do Podemos, do Republicanos, da federação formada por União Brasil e PP, além de lideranças como Michel Temer (MDB), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e ACM Neto, que declarou apoio ao senador na Bahia. A ex-candidata Clariana Barão (Democracia Cristã) também anunciou adesão à candidatura do PL.
Essas manifestações envolvem partidos e lideranças com trajetórias e interesses políticos diferentes. A adesão de cada grupo pode ter alcance distinto, seja pela estrutura partidária, pela atuação regional ou pela capacidade de mobilização de apoiadores.
O apoio de Cury acrescenta à articulação uma lista específica de propostas que Flávio se comprometeu a defender. O documento cria uma referência pública para que o ex-candidato cobre posicionamentos sobre temas como educação, saúde, empreendedorismo, agricultura e funcionamento do sistema político.
O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva está marcado para 25 de outubro. Até a votação, as campanhas devem continuar buscando apoios e apresentando suas propostas ao eleitorado.
No caso de Augusto Cury, o acordo estabelece que a adesão ao candidato do PL será acompanhada da cobrança pelos compromissos assumidos, mantendo a independência política que o ex-presidenciável afirmou não abrir mão.



