O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), declarou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Em comunicado divulgado em 5 de outubro daquele ano, ele defendeu a união em torno do petista para impedir o que chamou de “obscurantismo” e afirmou que o país precisava recuperar o respeito à pessoa humana.
Ex-ministro da Justiça durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Reale Júnior já havia declarado voto em Lula no primeiro turno. Na manifestação, ele defendeu um momento de conciliação política e afirmou que o candidato petista demonstrava capacidade de governar e reunir diferentes setores da sociedade.
“Prezados amigos e amigas, é a hora fundamental para estarmos juntos. Devemos estar juntos e devemos nos manter juntos”, declarou o jurista ao justificar o apoio.
Por que Miguel Reale Júnior declarou apoio a Lula?
Na manifestação, Reale Júnior afirmou que o país precisava preservar a liberdade de troca de ideias, a diversidade, a pluralidade e a criação cultural. Ele também criticou a disseminação de notícias falsas e o que classificou como atraso e obscurantismo.
O jurista questionou a falta de transparência que, em sua avaliação, marcava o governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os exemplos citados estavam o orçamento secreto, o sigilo de informações relacionadas a parentes do presidente e a compra de imóveis com dinheiro em espécie.
Ao justificar a escolha eleitoral, Reale Júnior afirmou que Lula tinha capacidade de governar e promover a conciliação. Para ele, o apoio ao petista deveria reunir pessoas em torno de objetivos comuns, inclusive após a eleição.
O jurista também destacou a importância da preservação ambiental. Entre os pontos apresentados em sua manifestação estava a defesa do respeito ao meio ambiente como condição fundamental para a sobrevivência da geração atual.
O que Miguel Reale Júnior disse sobre Bolsonaro?
Além de declarar apoio a Lula, Reale Júnior fez críticas à atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Em declaração sobre o assunto, o jurista comparou a conduta do então presidente à de Dilma Rousseff durante o período que antecedeu o impeachment da petista.
“O que o Bolsonaro fez durante a pandemia foi muito mais grave do que a Dilma fez”, afirmou Reale Júnior. Ele também criticou a falta de empatia do presidente com as pessoas mais afetadas pela crise sanitária.
Na ocasião, o jurista defendeu que uma vitória de Lula ainda no primeiro turno seria importante para impedir uma eventual tentativa de Bolsonaro de permanecer no poder. A declaração foi feita durante a campanha eleitoral de 2022.
Qual é a relação do jurista com os pedidos de impeachment?
Miguel Reale Júnior participou, ao lado do jurista Hélio Bicudo e da advogada Janaina Paschoal, da elaboração do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, apresentado em 2015. O processo avançou no Congresso Nacional e terminou com a perda do mandato da então presidente em 2016.
Em dezembro de 2021, Reale Júnior também participou da apresentação de um pedido de impeachment contra Bolsonaro, fundamentado em acusações relacionadas à atuação do governo durante a pandemia e no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19.
O documento foi assinado por um grupo de juristas e um médico, mas não foi aceito pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
A declaração de apoio a Lula ocorreu em outubro de 2022, durante a campanha do segundo turno presidencial, disputado entre o petista e Bolsonaro.




