O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A ação, apresentada em 8 de outubro de 2026, acusa uma rede de perfis no Instagram de divulgar conteúdos falsos ou descontextualizados sobre Flávio para favorecer a candidatura petista.
A campanha do senador pede a cassação do registro da chapa Lula-Alckmin e a suspensão de 32 perfis apontados na ação como núcleos de produção de desinformação. Também solicita a retirada de publicações e outras medidas contra as contas envolvidas. Os pedidos dependem de análise da Justiça Eleitoral.
O que Flávio Bolsonaro pediu ao TSE?
A ação foi encaminhada à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral e tem como um dos principais pontos o uso da ferramenta de coautoria do Instagram, conhecida como collab. O recurso permite que diferentes perfis publiquem um conteúdo em conjunto, fazendo com que a publicação apareça nas páginas dos participantes.
Segundo a campanha de Flávio, a ferramenta teria sido utilizada para ampliar a circulação de conteúdos que considera falsos ou descontextualizados. A petição pede a suspensão de 32 perfis até o fim do segundo turno e a remoção de 221 publicações no prazo de 24 horas.
A equipe jurídica também solicita o bloqueio de coautorias entre 48 perfis apontados como centrais na rede, a proibição de redistribuição dos conteúdos questionados e a identificação dos responsáveis por contas anônimas. Entre os pedidos estão multas para eventual descumprimento das determinações judiciais.
Quais conteúdos foram questionados pela campanha?
De acordo com a ação, as publicações atribuem a Flávio propostas como privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS), acabar com o Bolsa Família e o 13º salário, cortar o Farmácia Popular e congelar aposentadorias.
O documento também questiona conteúdos que afirmam que o candidato pretende promover um golpe de Estado, instaurar uma ditadura ou estabelecer uma jornada de trabalho de 16 horas por dia, em escala de sete dias por semana.
A campanha classifica parte das publicações como falsas e outras como descontextualizadas. Essas classificações fazem parte das alegações apresentadas ao TSE e não devem ser confundidas com uma decisão definitiva da Justiça sobre cada conteúdo.
Quantos perfis e publicações foram identificados?
Conforme os dados apresentados na petição, a equipe de Flávio analisou 2.856 publicações de 146 perfis entre a meia-noite de 5 de outubro e as 14h28 de 7 de outubro de 2026.
Desse levantamento, a campanha identificou um conjunto de 218 publicações que classificou como parte do chamado núcleo de desinformação. Desse total, 24 foram consideradas falsas e 194, descontextualizadas sem confirmação, segundo a análise apresentada pelos advogados.
Ainda de acordo com a ação, as 218 publicações teriam sido divulgadas por 123 perfis e acumulado 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações em aproximadamente 62 horas. A petição afirma que cerca de 80% desses conteúdos foram publicados por meio da ferramenta de coautoria do Instagram.
O que diz a campanha de Lula?
Procurada pela CNN Brasil, a campanha de Lula informou que ainda não havia sido notificada sobre a ação e, por isso, não tinha condições de responder às acusações naquele momento.
Até a publicação das reportagens consultadas, não havia manifestação da campanha petista sobre o mérito das alegações. Os pedidos apresentados por Flávio Bolsonaro ainda dependiam de análise judicial.




