O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou neste domingo (11) da Marcha pela Democracia, manifestação realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, em apoio à sua candidatura à reeleição. O ato reuniu representantes de movimentos sociais, entidades estudantis, artistas e lideranças políticas, em uma mobilização da disputa do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A concentração começou por volta das 11h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), com caminhada prevista em direção à Praça Roosevelt, na região central da capital. Organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), a manifestação também foi convocada com o lema “Dia 11, a aula é nas ruas”.
As estimativas de público sobre o evento variam de 100 mil pessoas a 1 milhão de participantes. Por volta das 14h, a Avenida Paulista estava ocupada em toda a largura.
Lideranças políticas e entidades ligadas à educação participam do ato
Lula esteve acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), do ex-ministro Fernando Haddad (PT) e das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Também participaram os governadores reeleitos Elmano de Freitas (PT), do Ceará, Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, e Rafael Fonteles (PT), do Piauí.
Entre os artistas presentes estavam o ator Humberto Carrão e o cantor Baco Exu do Blues. Parlamentares petistas, incluindo o deputado federal Carlos Zarattini e a deputada federal eleita Luna Zarattini, também acompanharam a mobilização.
Além da UNE, participaram da articulação entidades ligadas à educação, à pesquisa científica e à formação acadêmica, como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).
Essas organizações divulgaram uma carta conjunta em defesa da democracia, da educação e da ciência. Entre as reivindicações estavam o financiamento público da educação e da pesquisa, a valorização de professores e cientistas e a autonomia universitária.
Faixas e bandeiras levadas pelos participantes destacavam ainda a defesa dos direitos sociais, o combate ao racismo, à misoginia, à LGBTfobia e a outras formas de preconceito. O fim da escala de trabalho 6x1 e a manutenção de políticas de proteção social, como o Bolsa Família, também apareceram entre as pautas da manifestação.
Lula pede votos de quem não compareceu às urnas
Durante o discurso, o presidente pediu aos apoiadores que procurem eleitores que deixaram de votar no primeiro turno. A redução da abstenção passou a ocupar espaço na estratégia da campanha depois que 33,4 milhões de pessoas não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Temos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas”, declarou Lula, ao defender o diálogo com quem não participou da primeira votação.
O presidente também fez um apelo aos brasileiros com mais de 70 anos, grupo para o qual o voto é facultativo. Ao falar sobre a participação dos eleitores mais velhos, mencionou os vínculos familiares e a responsabilidade com o país. “A idade não faz a gente ficar velho”, afirmou.
A convocação para o ato havia sido divulgada por Lula nas redes sociais na véspera. Em vídeo publicado no sábado (10), o presidente disse que pretendia realizar “o maior ato da história de São Paulo” e agradeceu aos apoiadores que participavam da campanha nas ruas e pela internet.
A mobilização na Paulista faz parte de uma sequência de atividades eleitorais organizadas por aliados do presidente. O ex-ministro Camilo Santana, que passou a integrar a coordenação da campanha, afirmou na sexta-feira (9) que a candidatura daria prioridade à região Sudeste até o segundo turno, com atenção especial a São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os três estados somam 66,8 milhões de eleitores, cerca de 39,9% do eleitorado nacional, e foram vencidos por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Presidente critica suspensão do canal Exército do Lula
Antes de participar da manifestação, Lula criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp. A medida atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou o espaço de divulgar informações falsas sobre o candidato do PL.
Criado e administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), aliado de Lula, o canal tinha aproximadamente 3,3 milhões de integrantes. A decisão judicial determinou a interrupção de novas publicações e proibiu a entrada de novos participantes até a homologação do resultado do segundo turno.
Lula afirmou que os advogados de sua candidatura deverão pedir esclarecimentos à Justiça Eleitoral. “Eu acho um absurdo. Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar, sabe, com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral”, declarou.
O presidente também disse perceber decisões que, na avaliação dele, prejudicam sua candidatura. “Porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, afirmou.
Em outra declaração, Lula criticou o que considera uma interferência da Justiça no processo eleitoral e disse que o partido pretende buscar medidas para equilibrar a disputa. A avaliação foi apresentada pelo próprio presidente, em reação à decisão envolvendo o canal ligado a Janones.
Escala 6x1 e segurança pública entram no discurso
Outro tema abordado por Lula foi a proposta para acabar com a escala de trabalho 6x1. O presidente afirmou que a votação estava prevista para quarta-feira (14) e mencionou uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre o calendário.
“Já está conversado com o Alcolumbre. Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor”, declarou.
Lula também cobrou um posicionamento do PL, partido de Flávio Bolsonaro, sobre a proposta. “O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais. É isso”, afirmou.
O presidente abordou ainda a PEC da Segurança Pública, defendendo a participação do governo federal no combate ao crime organizado e a definição das atribuições da União e dos municípios. Ao tratar do tema, associou a proposta à necessidade de proteção para a população e de punição para criminosos.
Lula também criticou possíveis medidas de redução de direitos que atribuiu ao adversário e fez uma comparação com políticas do presidente argentino Javier Milei. Segundo o petista, eventuais cortes poderiam atingir pessoas de baixa renda e aposentados.
Lula critica gestão de Bolsonaro na pandemia e promete avanço tecnológico
Ao falar sobre o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula criticou a condução da pandemia de Covid-19 e acusou o antigo chefe do Executivo de desconsiderar a ciência e a medicina. Em seu discurso, mencionou a morte de pessoas que não conseguiram se despedir de familiares e condenou declarações de Bolsonaro durante a crise sanitária.
“Vocês sabem que construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é simples. Vocês sabem o que a família bolsonarista fez nesse país. Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo asfixiadas”, afirmou.
O presidente também apresentou propostas para um eventual próximo mandato, com foco na formação profissional e na modernização da economia. Entre as prioridades citadas estavam inteligência artificial, indústria digital, transição energética e segurança pública.
“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica deste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial. A gente vai ter que formar muita gente para a nova indústria digital”, declarou.
Na sequência, Lula defendeu mudanças na área energética e voltou a abordar a segurança pública. “A gente vai ter que fazer uma revolução na segurança pública, porque nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos, para que a sociedade possa viver tranquila”, disse.
Atos também ocorrem em Campinas e Belo Horizonte
A Marcha pela Democracia teve mobilizações em outras cidades neste domingo. Em Campinas, no interior de São Paulo, apoiadores se concentraram às 10h no Largo do Rosário, na região central. A caminhada começou por volta das 11h30 e percorreu ruas do entorno. O encerramento ocorreu por volta das 13h20, com dispersão dos participantes a partir das 13h30 e liberação da Rua Glicério para o tráfego.
Em Belo Horizonte, manifestantes se reuniram por volta das 10h no quarteirão fechado da Rua dos Carijós, no Centro, em um ato com bandeiras do bloco “Sou Vermelho”. Depois, participantes seguiram em caminhada pela Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena.




