O senador Camilo Santana (PT-CE) criticou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) após o parlamentar anunciar apoio ao fim da escala de trabalho 6x1. Camilo afirmou que o candidato estaria “brincando com o país” e questionou a mudança de posição em relação à proposta, que foi aprovada pelo Senado Federal em dois turnos na quarta-feira (14).
“Eu fico feliz porque ele mudou de voto. Mas é preciso que a população brasileira saiba que o Flávio Bolsonaro era contra o fim da escala 6x1, publicamente”, declarou Camilo durante a discussão da matéria no Senado.
A crítica ocorre depois de Flávio anunciar, em 13 de outubro, que votaria a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. Antes disso, o candidato havia questionado a discussão da medida durante o período eleitoral e defendido maior liberdade para a negociação das jornadas de trabalho.
Camilo Santana questiona mudança de posição de Flávio Bolsonaro
Durante a manifestação, Camilo afirmou que Flávio muda de posicionamento conforme o rumo do debate político. O senador comparou o candidato a uma biruta, objeto que indica a direção do vento.
“Uma hora ele quer uma coisa, outra hora fala outra coisa. Parece uma biruta, que quando o vento parte para um lado, ele vai para aquele lado. Quando o vento parte para o outro, ele vai para o outro lado”, declarou.
Em outro trecho, Camilo disse que o candidato estaria “brincando com o país” e questionou se ele teria clareza sobre o que pretende para o Brasil. As declarações expressam a avaliação do senador do PT sobre a mudança de posição de Flávio.
A manifestação ocorreu em meio à disputa entre os grupos políticos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a campanha de Flávio Bolsonaro. Os dois candidatos disputam o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
Flávio Bolsonaro anunciou apoio ao fim da escala 6x1
Flávio anunciou, em 13 de outubro, que votaria a favor da PEC que prevê o fim da escala 6x1. Ao justificar a decisão, afirmou que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja a mudança, mas também defendeu maior liberdade para organizar as jornadas.
Antes do anúncio, o candidato havia criticado a discussão da proposta durante o período eleitoral e defendido alternativas relacionadas à negociação das condições de trabalho. Também levantou preocupações sobre os custos para as empresas e afirmou que o governo deveria compensar eventuais impactos financeiros.
Senado aprova PEC que prevê o fim da escala 6x1
O Senado aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos na quarta-feira (14). A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra o texto.
A proposta prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. A implementação será gradual: a jornada máxima passará primeiro para 42 horas semanais e, posteriormente, para 40 horas.
O texto também prevê que os dois dias de descanso sejam concedidos semanalmente, com um deles preferencialmente aos domingos. A mudança altera o modelo conhecido como escala 6x1, em que o trabalhador cumpre seis dias de atividade para ter um dia de folga.
Como a PEC já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados sem alterações, a aprovação no Senado permite o encaminhamento para promulgação, conforme os procedimentos institucionais.
Camilo Santana destaca atuação de Lula na pauta trabalhista
Durante o discurso, Camilo atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um papel central na articulação política em torno da redução da jornada de trabalho. O senador também elogiou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por pautar a votação naquela semana.
“Eu estou muito feliz, honrado, senador Paim, de estar aqui hoje como senador da República, de ter a honra hoje de votar o fim da escala 6x1 para dar dignidade ao trabalhador e às famílias brasileiras”, afirmou.
Camilo classificou a votação como um marco para os trabalhadores e criticou tentativas de adiar a análise da proposta. As declarações fazem parte da posição defendida pelo senador sobre os efeitos da redução da jornada e a atuação do governo federal.




