A indústria calçadista do Ceará projeta um novo ciclo de expansão com mais de R$ 140 milhões em investimentos e a criação de mais de 4.100 empregos diretos. Os projetos contemplam dez indústrias e estão distribuídos por municípios do interior, segundo informações divulgadas pelo Governo do Estado nesta quinta-feira (15).
O anúncio ocorre em um cenário de desafios para o setor, marcado pela concorrência de produtos asiáticos e pela retração do consumo interno. Mesmo diante dessas dificuldades, o Ceará mantém a segunda posição entre os estados brasileiros que mais exportam calçados, tanto em valor quanto em volume, atrás apenas do Rio Grande do Sul.
A cadeia produtiva calçadista cearense também mantém um estoque de 64,9 mil postos de trabalho diretos, conforme os dados apresentados pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE).
Quais cidades do Ceará devem receber novos empregos?
Os investimentos previstos contemplam dez indústrias calçadistas, cujos projetos foram aprovados por meio de Protocolos de Intenção do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Estado (Condec) e da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).
As cidades citadas pelo governo entre as contempladas são:
- Irauçuba;
- Granja;
- Pedra Branca;
- Baturité;
- Porteiras;
- Mauriti;
- Brejo Santo;
- Itapajé;
- Pentecoste.
O pacote prevê a criação de mais de 4.100 vagas diretas. Os protocolos formalizam a intenção de investimento das empresas, portanto, os números representam projeções para os empreendimentos, e não postos de trabalho já preenchidos.
A iniciativa busca ampliar a atividade industrial fora da Região Metropolitana de Fortaleza, distribuindo os investimentos e as oportunidades de emprego por diferentes regiões do Ceará.
Ceará exportou US$ 84,8 milhões em calçados em 2026
Entre janeiro e julho de 2026, o Ceará exportou US$ 84,8 milhões em calçados, com o embarque de 15,7 milhões de pares para o mercado internacional.
Com esse resultado, o Estado permaneceu na segunda colocação nacional em valor e volume exportados. O desempenho correspondeu a aproximadamente 19% do valor comercializado pelos cinco principais estados fabricantes de calçados do Brasil no período.
Os números reforçam a importância da indústria calçadista para a economia cearense, tanto pela presença no comércio exterior quanto pela quantidade de empregos mantidos na cadeia produtiva.
Quais países compram calçados do Ceará?
Os dados apresentados pelo Governo do Ceará, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apontam crescimento das exportações para diferentes mercados internacionais.
Entre os destinos destacados estão:
- Colômbia: segundo maior mercado, com US$ 11 milhões em compras e alta de 1,6%;
- Equador: quinto maior destino, com US$ 3,4 milhões e crescimento de 14,2%;
- Peru: oitavo colocado, com US$ 2,6 milhões e avanço de 7,3%;
- Canadá: décimo maior mercado, com US$ 1,8 milhão e crescimento de 58,1%.
O desempenho nesses países indica a presença dos fabricantes cearenses em mercados da América Latina e da América do Norte. A ampliação dos destinos comerciais também é uma estratégia para enfrentar oscilações na demanda e a concorrência internacional.
Governo aponta interiorização da indústria como estratégia
O secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, atribuiu os resultados à competitividade do setor e à articulação para atrair novos empreendimentos.
Segundo o titular da SDE, os projetos devem contribuir para ampliar a presença de fábricas no interior e fortalecer a geração de empregos. O governo também destaca a busca por investimentos, infraestrutura industrial e condições para a instalação e expansão de empresas.
A expectativa é que os novos projetos ampliem a capacidade produtiva do Estado e criem oportunidades de trabalho em municípios que recebem empreendimentos industriais.




