Marco Nanini pediu desculpas ao público surdo após a polêmica envolvendo a interrupção de uma apresentação da peça Fim de Partida, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O episódio ocorreu no domingo (18), quando houve um impasse envolvendo o posicionamento da intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a iluminação do espetáculo.
Em uma nota publicada nas redes sociais na quarta-feira (21), o ator afirmou que a posição da profissional projetava sombras no cenário e prejudicava sua visão durante a atuação. Nanini reconheceu, porém, que a situação poderia ter sido conduzida com mais sensibilidade e empatia e pediu desculpas aos espectadores afetados.
O que aconteceu durante a apresentação de Fim de Partida?
A sessão ocorreu no Teatro Simões Lopes Neto, no complexo Multipalco da Fundação Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Segundo relatos publicados após o episódio, a apresentação foi interrompida pouco depois do início, quando surgiu o problema envolvendo a posição da intérprete de Libras e a iluminação cênica.
Na nota, Nanini explicou que a montagem utiliza um cenário compacto e um trabalho minucioso de luz e sombra. Segundo ele, a posição da profissional começou a projetar sombras no cenário e interferiu em sua visão durante a atuação.
O ator afirmou que a produção sugeriu transferir a interpretação para outro local, mas não houve acordo sobre a mudança. Com o impasse, a apresentação foi retomada sem interpretação em Libras, comprometendo o acesso do público surdo ao espetáculo.
A situação provocou protestos na plateia. Espectadores vaiaram, e pessoas surdas deixaram o teatro. Outros integrantes do público também saíram em solidariedade, conforme relatos publicados após a sessão.
Marco Nanini reconhece que situação poderia ter sido diferente
Ao se pronunciar sobre o caso, Nanini afirmou que não teve a intenção de excluir a intérprete ou o público surdo. O ator reconheceu, entretanto, que a condução do impasse passou essa impressão e pediu desculpas aos presentes.
“Reconheço que, naquele momento, a situação poderia ter sido conduzida de forma mais sensível e empática, e peço desculpas ao público surdo e a todos os presentes”, declarou.
O artista também ressaltou que a acessibilidade deve fazer parte do planejamento de uma montagem teatral. “Acessibilidade não é detalhe de produção, é parte do espetáculo”, afirmou.
Na mesma manifestação, Nanini explicou que a equipe procura organizar o posicionamento dos intérpretes de Libras para garantir visibilidade ao público sem comprometer os elementos técnicos da peça. Segundo ele, o planejamento adotado nas temporadas anteriores não evitou o problema registrado em Porto Alegre.
Produção reconhece falha e promete reforçar preparação
A Pequena Central de Produções Artísticas, responsável pela montagem e da qual Nanini é sócio, também reconheceu responsabilidade pelo ocorrido. Em nota divulgada anteriormente, a empresa afirmou que falhou ao não verificar e garantir previamente as condições técnicas necessárias para a realização da sessão com interpretação em Libras.
A Fundação Theatro São Pedro também lamentou o episódio e informou que sua equipe buscou alternativas para manter a acessibilidade durante a apresentação. Apesar das tentativas, não foi encontrada uma solução que permitisse retomar a peça com o recurso.
Nanini afirmou que a produtora pretende reforçar os ensaios técnicos prévios com a participação das equipes do espetáculo e de Libras em todas as sessões acessíveis. O ator também se comprometeu a levar a discussão sobre acessibilidade à classe teatral.
O episódio colocou em evidência a necessidade de integrar os recursos de acessibilidade ao planejamento técnico das produções culturais, incluindo o posicionamento dos intérpretes, a iluminação e as condições para que todos os espectadores acompanhem a apresentação.
Sobre a peça Fim de Partida
Fim de Partida é uma obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, um dos principais nomes associados ao teatro do absurdo. A montagem protagonizada por Marco Nanini utiliza uma encenação marcada por elementos visuais e por um trabalho específico de iluminação.
A polêmica ocorreu durante uma sessão anunciada com recursos de acessibilidade, incluindo interpretação em Libras. Após o impasse, a apresentação foi retomada sem o serviço, o que comprometeu o acompanhamento da peça pelo público surdo presente.




