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PRESIDENCIÁVEL

Carta assinada por bispos aponta riscos da candidatura de Flávio Bolsonaro à democracia

Manifesto divulgado em 22 de outubro questiona propostas do candidato do PL sobre trabalho, política externa, armas e meio ambiente e convoca fiéis a votar no domingo (25)

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Carta assinada por bispos aponta riscos da candidatura de Flávio Bolsonaro à democracia
O manifesto apresenta divergências entre as posições do candidato do PL e os princípios da Doutrina Social da Igreja Católica. Foto: Divulgação/Canção Nova, Carlos Moura/Agência Senado

Bispos e arcebispos católicos divulgaram, na quinta-feira (22), uma carta aberta em que criticam propostas do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e convocam os fiéis a votar no segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). Sem mencionar diretamente os nomes dos candidatos, o documento afirma que uma das candidaturas ameaça a democracia, a soberania nacional e o bem comum.

Intitulado “Carta de bispos católicos ao povo de Deus diante do segundo turno das eleições presidenciais de 2026”, o manifesto apresenta divergências entre as posições do candidato do PL e os princípios da Doutrina Social da Igreja Católica. Os religiosos citam temas como direitos trabalhistas, combate à pobreza, política externa, acesso a armas, preservação ambiental e tortura.

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Em contraponto às críticas, os signatários afirmam que a outra candidatura, também sem citar nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem histórico de responsabilidade com os mais pobres, atenção à chamada Casa Comum — expressão usada pela Igreja para se referir ao planeta — e respeito à Constituição e à ordem democrática.

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O texto conclama os católicos a participar da votação e sustenta que, diante do cenário eleitoral, os religiosos não devem permanecer neutros. “Não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro”, afirmam os bispos.

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Carta aponta divergências sobre direitos trabalhistas e economia

Um dos pontos abordados no documento é a posição de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de atividade para um de descanso. Os bispos criticam a oposição do candidato à mudança e mencionam a proposta de remuneração por hora trabalhada.

Para fundamentar a crítica, o manifesto recorre a referências da Doutrina Social da Igreja sobre a dignidade dos trabalhadores, o direito a uma remuneração suficiente e a participação na vida social. Segundo os religiosos, as propostas do senador entram em conflito com esses princípios.

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A carta também questiona a atuação do partido de Flávio Bolsonaro em relação aos programas sociais e às políticas de combate à pobreza. Os signatários afirmam que a legenda historicamente se opôs a essas iniciativas e avaliam que essa posição contraria a opção preferencial da Igreja pelos mais pobres.

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O documento cita ainda a exortação apostólica Dilexi Te, dedicada ao amor aos pobres, para contestar a ideia de que a liberdade de mercado, por si só, seria suficiente para resolver a pobreza. Os bispos observam que o candidato declarou que pretende manter alguns programas sociais, mas sustentam que isso não elimina as divergências apontadas no manifesto.

Religiosos questionam propostas sobre os Estados Unidos

Na área internacional, os signatários criticam o que descrevem como uma postura de submissão do Brasil aos Estados Unidos. O texto ainda destaca o apoio do candidato do PL à intervenção estrangeira nas eleições brasileiras, participação em articulações para impor tarifas a produtos nacionais e intenção de entregar terras raras brasileiras à exploração norte-americana.

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Um dos pontos aludidos diz respeito às tarifas comerciais determinadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros. A carta considera que essas posições entram em conflito com o princípio da soberania nacional e com o direito dos povos de preservar sua autonomia.

Para sustentar esse argumento, os bispos recorrem à encíclica Magnifica Humanitas, do papa Leão XIV, no documento. O texto religioso citado pelos signatários condena tentativas de subjugar ou eliminar uma nação e classifica essas iniciativas como moralmente inaceitáveis.

Carta critica propostas sobre armas e meio ambiente

Outro ponto abordado é a defesa da ampliação do acesso a armas de fogo. Os religiosos afirmam que as ideias de Flávio Bolsonaro seguem a política adotada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante o governo federal.

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A carta também questiona as posições do candidato sobre a crise climática e os problemas ecológicos. Os signatários afirmam que ele nega a crise climática e pretende dar continuidade a políticas ambientais adotadas na gestão anterior e apoiadas por seu partido no Congresso Nacional.

O manifesto cita a encíclica Laudato si’, que trata do cuidado com o meio ambiente, e menciona a Lei nº 15.190/2025, chamada pelos religiosos de “Lei da Devastação”. A norma é apresentada no documento como exemplo de medida contrária à proteção ambiental.

Os bispos defendem que a ecologia integral deve fazer parte das decisões políticas e das orientações da Igreja. Para eles, negar os problemas ambientais ou tratar o tema com indiferença contraria os ensinamentos religiosos mencionados no texto.

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Manifesto menciona tortura e risco à ordem democrática

A carta também aborda a tortura. Os signatários afirmam que Flávio Bolsonaro é publicamente favorável à prática e citam homenagens feitas por integrantes da família Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador durante a ditadura militar brasileira.

O documento recorre ao Compêndio da Doutrina Social da Igreja para afirmar que a tortura não pode ser justificada. A crítica é feita como mais um ponto de conflito entre as posições do candidato e os princípios religiosos defendidos pelos bispos.

Em outro trecho, os signatários mencionam Jair Bolsonaro como pai do candidato e afirmam que o ex-presidente foi condenado e preso por atentar contra a democracia. Também pontuam que declarações de Flávio ameaçam a ordem constitucional.

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Os religiosos dizem temer que uma eventual vitória do senador, com maioria no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF), possa criar condições para a concentração de poder.

Bispos citam papa Leão XIV e pedem participação na eleição

A carta foi divulgada um dia depois de uma mensagem do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ao povo brasileiro, publicada em 21 de outubro. Os signatários afirmam estar em comunhão com a entidade, mas apresentam o manifesto como uma manifestação de bispos de diferentes dioceses.

O texto cita o papa Leão XIV e documentos da Igreja, entre eles Rerum Novarum, Dilexi Te, Laudato si’ e Centesimus Annus. As referências são usadas para fundamentar os argumentos sobre direitos dos trabalhadores, pobreza, soberania, meio ambiente, democracia e respeito à dignidade humana.

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Ao explicar a motivação da carta, os religiosos dizem que a disputa eleitoral vai além da escolha de um candidato e pode influenciar os rumos políticos do país. O documento compara o cenário a períodos históricos em que ameaças autoritárias tiveram consequências graves e afirma que a neutralidade não seria compatível com os compromissos do Evangelho diante das circunstâncias descritas.

A quantidade de signatários variou nas versões divulgadas. Um dos relatos mencionava 35 bispos, outro indicava 36, enquanto a íntegra atualizada até as 6h20 de sexta-feira (23) apresentava 47 assinaturas. O documento permanecia aberto à adesão de outros religiosos.

Entre os nomes citados estão dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho (RO); dom Vicente de Paula Ferreira, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA); dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo de Feira de Santana (BA); dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo da Diocese de Roraima; dom Adolfo Zon Pereira, bispo da Diocese do Alto Solimões (AM); e dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus (AM).

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Ao final, os signatários convocam os fiéis a comparecer às urnas no domingo (25), em defesa da democracia, dos valores humanitários, das pessoas pobres e dos ensinamentos da Igreja Católica. O texto também pede a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, para orientar os eleitores.


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