Em 2026, o Ceará é o oitavo maior colégio eleitoral do Brasil, com 6.998.494 eleitores aptos a votar. No Nordeste, o estado é o terceiro maior colégio, atrás apenas da Bahia e de Pernambuco, respectivamente.
Nas últimas eleições, o Ceará demonstrou forte presença do lulismo, mas com dinâmicas locais próprias. Mesmo com esse cenário, Ciro Gomes (PSDB) mostrou uma grande força regional no estado.
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 será realizado neste domingo (25), com a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A comparação
Eleições presidenciais no Ceará
2002 — Ciro lidera no 1º turno e Lula vence no 2º
Na primeira eleição presidencial do século, Ciro Gomes (PPS) liderou o primeiro turno no Ceará com 44,49% dos votos válidos, à frente de Lula (PT), com 39,36%. O petista avançou para o segundo turno, que foi disputado com José Serra (PSDB).
No segundo turno, Lula venceu no Ceará com 71,78%, contra 28,22% de José Serra. A diferença foi de 1,5 milhão de votos. Na época, Lula foi o segundo presidente mais votado do mundo, atrás apenas de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, em 1984.
2006 — Lula amplia a vantagem
Em 2006, Lula teve 71,22% dos votos válidos cearenses no primeiro turno. No segundo, chegou a 82,38%, com 3.394.007 votos, contra 17,62% de Geraldo Alckmin (PSDB), que recebeu 725.990 votos. A eleição foi uma das maiores votações proporcionais de Lula no estado nesse período.
2010 — Vitória de Dilma Rousseff
Em 2010, Dilma Rousseff (PT), indicada pelo então presidente Lula, obteve a maior votação no Ceará, com 66,30% dos votos válidos, com 2.783.451 votos. José Serra (PSDB) obteve 686.891 votos, representando 16,36% do total.
Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, quando Dilma venceu novamente José Serra por 3.288.570 votos (77,35%) a 962.729 (22,65%). A diferença foi de 2.325.841 votos.
2014 — Maior percentual de segundo turno entre os dados reunidos
Almejando a reeleição para o segundo mandato em 2014, Dilma liderou o primeiro turno no Ceará com 68,30% dos votos válidos. Aécio Neves (PSDB) foi o segundo mais votado, com 14,97% dos votos.
No segundo turno, a petista venceu Aécio Neves (PSDB) por 76,75% a 23,25%, diferença de 53,5 pontos porcentuais. É a maior proporção de votos para um vencedor de segundo turno entre os resultados reunidos nesta pauta.
2018 — Ciro volta a liderar o primeiro turno
No primeiro turno de 2018, Ciro Gomes (PDT) voltou a liderar as eleições no Ceará, com 40,95% dos votos válidos, à frente de Fernando Haddad (PT), com 33,12%, e Jair Bolsonaro (PSL), com 21,74%.
Haddad e Bolsonaro disputaram o segundo turno, no qual Haddad venceu no Ceará com 71,11%, contra 28,89% de Bolsonaro, que foi eleito presidente.
2022 — Lula vence, mas com percentual inferior ao de Haddad em 2018
Na última eleição, Lula recebeu 65,91% dos votos válidos no primeiro turno e venceu o segundo com 69,97%, contra 30,03% de Bolsonaro (PL). Foram 3.807.891 votos para Lula e 1.634.477 para Bolsonaro, uma diferença de 2.173.414 votos.
O índice ficou acima da média nacional, de 50,90% dos votos válidos (60.345.999 votos).
Escolhas das urnas revelam a relação do Ceará com o lulismo
Nos dados analisados, é possível notar um padrão entre as vitórias no Ceará. Em sua grande maioria, os cearenses mantiveram a constância de votos em candidatos petistas no segundo turno: Lula venceu em 2002, 2006 e 2022; Dilma venceu em 2010 e 2014; Haddad venceu em 2018.
As vitórias mostram uma relação do estado com o “lulismo”. Segundo Bruno Soller, CEO da Real Time Big Data, “é um vínculo que ultrapassa a identificação partidária com o PT e se estabelece na relação pessoal de parte desse eleitorado com Lula."
Protagonismo de Ciro Gomes nas disputas de primeiro turno
Mesmo com a predominância da escolha de candidatos petistas, há um protagonismo de Ciro Gomes nas eleições em que disputou a presidência. O candidato liderou o primeiro turno em 2002 e 2018, embora não tenha disputado o segundo turno nessas eleições.
"O que observamos, portanto, é a coexistência de duas identidades eleitorais: uma associação histórica de parte das camadas populares com Lula e uma identificação regional com Ciro Gomes”, explica Bruno Soller.
Em 2022, a perda de força de Ciro Gomes nas eleições refletiu uma mudança de rota na própria estratégia do candidato. Ciro esteve por anos associado ao campo lulista e, posteriormente, construiu sua identidade no antagonismo ao PT. Mais recentemente, o candidato se posicionou como uma “alternativa”, que não se identificava nem com o lulismo nem com o bolsonarismo.
Para Bruno, essa trajetória criou uma dificuldade de identificação política. “O eleitor que historicamente associava Ciro ao campo de Lula passou a encontrar um discurso de oposição ao petismo, enquanto o eleitor antipetista já possuía outras referências políticas”, afirma.
Apesar do histórico de vitórias do campo progressista, a cena política no Ceará também registrou o fortalecimento de correntes conservadoras e o crescimento do sentimento antipetista nas últimas eleições.
O eleitorado associado ao bolsonarismo ganhou espaço nas eleições, alternando a dinâmica das disputas e representando novas contradições no cenário cearense.
"No Ceará, essa contradição ganhou uma dimensão adicional com a aproximação de setores bolsonaristas, que representam uma parcela minoritária do eleitorado estadual nas disputas presidenciais recentes. O resultado é uma configuração política bastante diferente daquela que sustentou suas candidaturas anteriores", diz Bruno Soller.
Votos absolutos, margens e a rejeição ao bolsonarismo
Outro elemento importante é a rejeição ao bolsonarismo em parte expressiva do eleitorado cearense. De acordo com o CEO da Real Time Big Data, “a combinação entre a avaliação das políticas sociais e a resistência a esse campo político pode ajudar a explicar a disposição de voto [no campo progressista], mesmo entre eleitores que manifestam insatisfação com aspectos da administração”.
Além disso, os números absolutos das eleições evoluíram nas últimas duas décadas. Em 2022, o volume total de votos de Lula no Ceará bateu um recorde: 3.807.891 votos para o atual presidente. Esse movimento é explicado pelo crescimento do eleitorado cearense ao longo dos anos e pela forte adesão da população de menor renda às pautas de assistência e serviços públicos.




