Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou a eleição presidencial de 2026 com a maior votação nominal já registrada por um candidato à Presidência da República no Brasil. O petista recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, e derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%, segundo a totalização final atribuída ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos. Com o resultado, Lula superou a própria marca de 2022, quando venceu Jair Bolsonaro (PL) com 60.345.999 votos, e garantiu uma quarta vitória em eleições presidenciais. A disputa deste domingo (25) também entrou para a história por uma virada inédita desde a redemocratização: o candidato que terminou o primeiro turno atrás do adversário conseguiu vencer a etapa decisiva.
Lula supera votação de 2022 e amplia vantagem sobre adversário
O novo recorde supera em 3.910.233 votos o total alcançado por Lula na eleição presidencial anterior. Em termos proporcionais, a votação nominal do petista cresceu aproximadamente 6,5% em relação a 2022.
Naquela disputa, Lula recebeu 50,90% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro terminou com 58.206.354 votos. A diferença entre os dois foi de 2.139.645 votos. Em 2026, a margem favorável ao presidente ficou pouco mais de duas vezes maior, com uma distância superior a 4,4 milhões de votos em relação a Flávio Bolsonaro.
O resultado de 2026 também supera os totais das outras duas eleições presidenciais vencidas pelo petista. Em 2002, quando chegou pela primeira vez ao Palácio do Planalto, Lula obteve 52.793.364 votos. Na reeleição de 2006, foram 58.295.042 votos.
Apesar do crescimento na quantidade absoluta de votos, os maiores percentuais de Lula em eleições presidenciais continuam sendo os das duas primeiras vitórias. Em 2002, ele recebeu 61,27% dos votos válidos ao derrotar José Serra (PSDB). Quatro anos depois, venceu Geraldo Alckmin, também então no PSDB, com 60,83%. Nas duas disputas, a vantagem sobre o adversário ultrapassou 20 pontos percentuais.
O recorde de 2026, com isso, diz respeito ao número total de votos recebidos, e não ao maior percentual de votos válidos conquistado pelo presidente em uma eleição.
Virada no segundo turno foi inédita desde a redemocratização
A vitória de Lula também foi marcada pela mudança no resultado em relação à primeira etapa da disputa. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro ficou à frente, com 47,03% dos votos válidos. Lula alcançou 45,16%, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
No segundo turno, realizado em 25 de outubro, o petista conseguiu reverter a desvantagem e terminou a eleição à frente do senador do PL. Desde a redemocratização e a adoção do sistema de dois turnos nas eleições presidenciais, em 1989, nenhum candidato havia conquistado a Presidência depois de ficar em segundo lugar na primeira votação.
Entre as duas etapas da eleição de 2026, Lula ampliou sua votação em mais de 10 milhões de votos. O total passou de 53.879.538 no primeiro turno para 64.193.709 na contagem citada durante a apuração. A totalização final divulgada posteriormente registrou 64.256.232 votos para o petista.
O desempenho de Flávio Bolsonaro também cresceu em relação ao primeiro turno. O senador terminou a disputa com 59.826.041 votos, acima dos 58.206.354 recebidos por seu pai, Jair Bolsonaro, no segundo turno de 2022.
Eleitorado brasileiro cresceu entre as duas eleições
O aumento da votação nominal ocorreu em um cenário de expansão do eleitorado. Dados do TSE indicam que o número de brasileiros aptos a votar passou de 156.454.011 em 2022 para 158.745.463 em 2026. A diferença é de 2.291.452 eleitores, aproximadamente 2,3 milhões a mais em quatro anos.
No segundo turno de 2026, 128.236.074 eleitores compareceram às urnas. A totalização nacional abrangeu 499.248 seções eleitorais, com 124.082.273 votos válidos. Também foram contabilizados 1.430.496 votos em branco e 2.723.305 votos nulos.
A abstenção caiu entre os dois turnos de 2026. O índice passou de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo, uma redução de 1,87 ponto percentual. Em números absolutos, o total de eleitores ausentes diminuiu de 33.469.244 para 30.466.838, diferença de 3.002.406 pessoas.
Lula venceu em Minas Gerais após perder no primeiro turno
A distribuição dos resultados por unidade da Federação mostrou uma divisão territorial da disputa. Lula venceu em 13 estados: Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Flávio Bolsonaro também conquistou a maioria dos votos em 13 estados: Acre, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. O senador também venceu no Distrito Federal, que não é contabilizado como estado.
Um dos resultados relevantes para a disputa ocorreu em Minas Gerais. Lula perdeu para Flávio no primeiro turno, mas conseguiu superar o adversário na segunda votação. O estado é tradicionalmente observado nas eleições presidenciais por seu peso eleitoral e pelo histórico de resultados coincidentes com o vencedor nacional.
A vitória mineira ampliou o alcance territorial do petista na etapa decisiva, enquanto Flávio manteve vantagem em parte dos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal.
Quarto triunfo presidencial amplia trajetória política de Lula
Com o resultado de 2026, Lula se tornou o primeiro brasileiro a vencer quatro eleições presidenciais. O petista já havia sido eleito em 2002 e 2006, voltou ao Palácio do Planalto após a vitória em 2022 e agora conquistou um novo mandato.
A vitória foi confirmada às vésperas de seu aniversário de 81 anos, celebrado em 27 de outubro. O novo mandato prolongará sua passagem pela Presidência até 2030, consolidando uma trajetória eleitoral que inclui crescimento sucessivo da votação nominal nas quatro disputas vencidas.
A eleição também deixou uma marca inédita na história recente do país: além de ultrapassar o próprio recorde de votos, Lula reverteu a desvantagem do primeiro turno e venceu o confronto final contra Flávio Bolsonaro.




