A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar publicações nas redes sociais atribuídas à procuradora municipal de Macaé, no Norte Fluminense. Nas mensagens, divulgadas na terça-feira (27), ela afirmou que deixaria de desenvolver políticas públicas para petistas e aconselhou empresários a não contratar "artistas, pessoas pobres, nordestinos e mineiros".
As declarações provocaram reações de entidades, representantes políticos e do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT). A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) repudiou o conteúdo, enquanto a Prefeitura de Macaé informou que encaminhou o caso à Procuradoria-Geral do Município para análise das providências administrativas cabíveis.
Após a repercussão, a procuradora se manifestou sobre as mensagens e afirmou que as escreveu enquanto estava "de cabeça quente". Ela também alegou que pessoas próximas divulgaram capturas de tela de seu perfil privado. Posteriormente, publicou um pedido de desculpas, no qual reconheceu o caráter ofensivo das declarações.
Procuradora aconselhou empresários a não contratar determinados grupos
Em uma das publicações atribuídas à procuradora, ela afirmou que não faria mais políticas públicas para pessoas que votaram no PT. Na mesma mensagem, aconselhou empresários e microempresários a não contratar “artistas, pobres nordestinos e mineiros”.
A publicação também incluiu uma manifestação contra a presença de pessoas de Minas Gerais em Macaé, com uma expressão depreciativa. O conteúdo reuniu referências à posição política, à origem regional e à condição econômica dos grupos citados.
Em entrevista, a procuradora afirmou que publicou as mensagens em um perfil privado do Facebook e que estava de cabeça quente quando escreveu o conteúdo. Ela também alegou estar recebendo ameaças de morte.
Ao comentar as declarações sobre a contratação de trabalhadores, disse que continuaria exercendo suas funções públicas com imparcialidade. A repercussão das mensagens, no entanto, levou a cobranças por apuração da conduta da servidora.
Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as publicações
A investigação foi aberta pela Polícia Civil para examinar as declarações atribuídas à procuradora e verificar a possível ocorrência de infração penal. A apuração inclui a análise do conteúdo das mensagens e das circunstâncias em que foram divulgadas.
O inquérito não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal. Essa avaliação dependerá dos elementos reunidos durante a investigação e da análise das autoridades competentes.
Após a repercussão das publicações recentes, também voltaram a circular mensagens antigas atribuídas à procuradora na rede social X. Em uma delas, datada de 2025, ela teria utilizado expressões de ameaça contra pessoas de esquerda.
OAB, PT e vereadores reagiram às declarações
A OAB repudiou as manifestações atribuídas à procuradora e ressaltou que a liberdade de expressão não autoriza discriminação ou exclusão de pessoas por origem, condição social ou posicionamento político.
O episódio também foi discutido na Câmara Municipal de Macaé. Durante uma sessão, vereadores criticaram as mensagens e defenderam a apuração do caso. O presidente da Casa, Luciano Diniz, afirmou que esperava o encaminhamento da situação para análise das providências cabíveis.
O diretório municipal do PT também se manifestou por meio de uma nota assinada pelo presidente da legenda, professor Paulo Henrique. O partido afirmou que as declarações ultrapassavam o campo da disputa política e atingiam a dignidade de pessoas que vivem e trabalham no município.
A sigla informou ter acionado o Ministério Público e a Ouvidoria-Geral do Município para solicitar a apuração dos fatos e a adoção das medidas cabíveis, caso sejam confirmadas irregularidades, com garantia do direito de defesa.
Prefeitura de Macaé analisa medidas administrativas
Em nota divulgada na terça-feira (27), a Prefeitura de Macaé repudiou as declarações atribuídas à servidora e afirmou que manifestações individuais não representam os valores nem o posicionamento institucional do município.
A administração municipal informou que encaminhou o caso à Procuradoria-Geral do Município para análise das providências administrativas cabíveis.
A avaliação administrativa é distinta da investigação policial. Enquanto a Polícia Civil apura a possível ocorrência de infração penal, a Prefeitura pode examinar eventuais implicações funcionais, respeitando os procedimentos legais e o direito de defesa.
Procuradora publicou pedido de desculpas após repercussão
Após as críticas, a procuradora publicou uma manifestação em que pediu desculpas às pessoas atingidas pelas declarações, incluindo nordestinos, mineiros, artistas, trabalhadores e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Na mensagem, reconheceu que utilizou palavras ofensivas e afirmou que a emoção em meio à polarização política não justificava o conteúdo divulgado. Também reconheceu que, por ocupar uma função pública, precisa ter responsabilidade com suas palavras e atitudes.




