O Supremo Tribunal Federal (STF) negou, nesta quarta-feira (28), que tenha autorizado uma operação da Polícia Federal (PF) de busca e apreensão em endereço ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O esclarecimento foi divulgado após notícias sobre uma suposta diligência no Rio de Janeiro, atribuída ao ministro Alexandre de Moraes.
Em nota, a Corte afirmou que não houve decisão judicial autorizando a medida nem ação policial desse tipo contra o parlamentar. “Não há nenhuma decisão judicial nesse sentido, tampouco realização de diligência policial ou de busca e apreensão”, informou o STF.
Com o posicionamento oficial, a suposta operação não pode ser tratada como uma diligência confirmada. A negativa se refere especificamente à busca noticiada nesta quarta-feira e não altera, por si só, outras decisões judiciais relacionadas ao senador.
STF desmente notícia sobre busca e apreensão
Informações divulgadas inicialmente por veículos de comunicação apontavam que a Polícia Federal faria buscas em um endereço ligado a Flávio Bolsonaro e atribuíam a autorização a Alexandre de Moraes. A manifestação do Supremo contradisse essas notícias. Segundo a Corte, não houve ordem judicial com essa finalidade nem realização de diligência policial contra o senador.
A negativa também significa que não há confirmação oficial de apreensão de documentos, equipamentos ou outros materiais relacionados a uma suposta operação nesta quarta-feira. O esclarecimento ocorre em meio à repercussão de investigações que envolvem Flávio Bolsonaro. A existência de outros procedimentos judiciais, porém, não comprova a realização da busca mencionada nas notícias iniciais.
Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos
A manifestação do STF foi divulgada um dia depois de notícias sobre a saída do senador do Brasil. Flávio Bolsonaro viajou acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas do casal. A chegada aos Estados Unidos foi noticiada por veículos de comunicação com base em informações de pessoas próximas ao parlamentar e de fontes ligadas ao governo norte-americano.
A viagem ocorreu após uma decisão de Alexandre de Moraes, tomada na segunda-feira (26), que determinou a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal e o proibiu de deixar o território brasileiro. A ordem foi divulgada pelo próprio Flávio, embora o processo esteja sob sigilo judicial.
O prazo para a entrega dos documentos terminou na terça-feira (27), sem que os passaportes fossem apresentados. Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os documentos brasileiros do senador e informou que comunicaria a situação ao ministro. A viagem internacional e a decisão sobre os passaportes são fatos distintos da suposta busca negada pelo STF nesta quarta-feira.
Investigação envolve suspeitas de movimentações financeiras
Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos que tramitam no Supremo. Um deles envolve suspeitas de lavagem de dinheiro em uma apuração que também alcança o advogado Willer Tomaz. A investigação examina possíveis movimentações financeiras irregulares relacionadas a negócios envolvendo plataformas de apostas. As suspeitas ainda são objeto de apuração e não equivalem a uma condenação. Os investigados negam irregularidades.
No contexto desse procedimento, Moraes determinou medidas cautelares contra o senador, incluindo a entrega dos passaportes e a proibição de deixar o Brasil. A decisão sobre os documentos foi divulgada antes das notícias sobre a suposta operação de busca e apreensão.
O STF não confirmou a existência de um mandado de busca contra Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira. Até a divulgação da nota, também não havia informação oficial sobre apreensão de materiais em endereço ligado ao parlamentar.




