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JUSTIÇA

Empresas suspendem doações e ações sociais após derrota de Flávio Bolsonaro

Após o resultado das eleições, empresários anunciaram a suspensão de ações sociais. Advogado explica quando doações podem ser canceladas e quais são as consequências de demissões motivadas por perseguição política

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Empresas suspendem doações e ações sociais após derrota de Flávio Bolsonaro
Suspensão de doações após eleições pode parar na Justiça; entenda os limites legais. Foto: Reprodução

A suspensão de doações e de projetos sociais anunciada por empresários após o resultado das eleições presidenciais levantou dúvidas sobre os limites legais para interromper esses auxílios. A possibilidade de cancelar uma contribuição depende das condições em que ela foi realizada. Já as demissões motivadas por perseguição política podem gerar consequências na Justiça do Trabalho.

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Em diferentes regiões do país, empresários anunciaram a interrupção de ações sociais. Entre as justificativas apresentadas estão a incerteza econômica e, em alguns casos, motivações políticas. No entanto, a suspensão de uma doação não tem as mesmas regras em todas as situações.

De acordo com o advogado Bruno Vince, doações feitas por particulares sem compromisso público ou contratual podem ser canceladas. Por outro lado, quando existe um compromisso formalizado em documentos, o cumprimento pode ser cobrado judicialmente.

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“Ações sociais feitas por particulares e doações feitas por particulares que não tenham sido firmadas em compromisso público ou em contrato podem, de fato, ser canceladas. Agora, ações sociais e doações já compromissadas em documentos particulares podem ser exigidas, inclusive, judicialmente”, explicou.

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Projetos sociais dependem de doações para atender famílias

No bairro Barroso, em Fortaleza, um instituto oferece atividades esportivas e educativas para crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Para manter o funcionamento das atividades, a instituição conta com parcerias e doações de pessoas físicas.

Entre os parceiros estão a Fundação Abrinq e o Instituto Aça Cearense. As contribuições também incluem cestas básicas, alimentos, roupas e kits de higiene, que são destinados às famílias atendidas pelo projeto.

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A coordenadora Ruth Lima explicou que as doações são distribuídas de acordo com o cadastro das famílias. Parte delas enfrenta dificuldades financeiras e tem apenas uma pessoa responsável pelo sustento e cuidado dos filhos.

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“Desde sempre a gente trabalha com a doação de cestas básicas e aí sempre que chega cesta básica, doação de roupas, doação de alimentos, doação de kits de higiene, a gente doa para essas famílias que são atendidas. A gente faz um cadastro da família, então tem famílias aqui que não trabalham, às vezes tem um só responsável pela família, então às vezes geralmente é uma mulher que tem que cuidar de todos os seus filhos. Então, esses alimentos, essas doações, elas dão esse apoio para essa família para que essa família consiga passar o mês, a semana, conforme as doações vão chegando”, afirmou.

Para Alessandra Brás, uma das pessoas atendidas, o projeto representa apoio para as famílias e acolhimento para as crianças da comunidade. Ela também destacou a necessidade de mais colaboradores para manter o trabalho.

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“Ajuda muito grande. A Ruth é uma pessoa muito boa e ela precisa de muitos colaboradores porque é muitas crianças aqui, um projeto. Ela tira muita criança da rua, é um projeto que acolhe todo mundo”, relatou.

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Demissão por perseguição política pode gerar indenização

Além da suspensão de doações, as demissões motivadas por questões políticas também levantam questionamentos sobre os direitos dos trabalhadores. A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias na manutenção do emprego, e pessoas que passam por esse tipo de situação podem recorrer à Justiça do Trabalho.

Segundo Bruno Vince, trabalhadores que comprovarem ter sido demitidos por perseguição política podem ingressar com uma ação judicial e solicitar indenização por danos morais, além dos direitos relacionados à rescisão do contrato.

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A orientação é que situações de possível discriminação sejam levadas à Justiça do Trabalho para análise. Assim, enquanto a interrupção de doações depende da existência de compromissos assumidos, demissões motivadas por perseguição política podem resultar em responsabilização judicial.


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