A influenciadora digital Valéria Diniz pediu desculpas publicamente ao menino Matheus, de 9 anos, após gravar e publicar um vídeo em que pergunta à criança sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pede que ela faça o gesto com a letra L, de apoio ao presidente. Na gravação, feita na Beira-Mar de Fortaleza, a influenciadora se recusa a comprar os bombons oferecidos pelo garoto depois que ele atende ao pedido e faz o gesto.
Em entrevista à TV Cidade Fortaleza, Valéria disse que se arrependeu da publicação e pediu perdão à criança e à família. Durante a conversa com a repórter Josie Freitas, a influenciadora afirmou que estava em um momento de descontração com amigas quando fez a gravação.
Ela também relatou que a repercussão trouxe consequências para sua rotina e para a família:
“Quando eu postei isso, quando eu postei esse vídeo, a gente estava lá conversando, eu e minhas amigas, a gente estava naquele momento de descontração. Eu só quero pedir perdão. Sério. Quero pedir perdão. Família do Matheus, Matheus... Não tive intenção nenhuma, tá, gente? Só perdão mesmo, me desculpa, me perdoa. A minha família está sofrendo retaliação, meus filhos não estão podendo nem ir pra escola. Eu não estou podendo sair na rua. Eu tenho medo, eu estou com medo de amanhã não estar aqui pra cuidar dos meus filhos, pra ver meus filhos crescerem.”
Vídeo com menino Matheus foi publicado nas redes sociais
A gravação foi divulgada em um story no Instagram. Nas imagens, Valéria aparece sentada à mesa com amigas enquanto Matheus se aproxima para oferecer os doces que vendia na região da Beira-Mar. Durante a interação, ela pergunta em quem o menino votou. Ele responde que votou em Lula, e a influenciadora pede que faça o gesto com a letra L.
Depois que a criança atende ao pedido, Valéria afirma que não quer o produto. As amigas que estavam com ela aparecem rindo da situação. Sobre o vídeo, a influenciadora acrescentou a frase: “vai na mamãe e manda ela fazer o L”.
Matheus tem 9 anos e, portanto, não tem idade para votar. No Brasil, o exercício do voto é permitido a partir dos 16 anos, quando passa a ser facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos. A informação sobre a idade mínima consta nas orientações da Justiça Eleitoral.
A publicação provocou reações negativas nas redes sociais. Depois da repercussão, o perfil de Valéria Diniz ficou indisponível.
Criança vende bombons para ajudar a família
Matheus é uma criança autista e mora com a avó. Ele vende bombons na orla de Fortaleza para contribuir com as despesas da família.
Após a circulação do vídeo, internautas e influenciadores manifestaram solidariedade ao menino. Também houve mobilização nas redes sociais para reunir contribuições para ajudar a família.
O caso ganhou repercussão por envolver a exposição de uma criança durante uma atividade de trabalho. A gravação mostra Matheus oferecendo os produtos enquanto é questionado sobre uma preferência política atribuída a ele. A situação ocorreu em um ambiente público, mas foi registrada e divulgada pela influenciadora em seu perfil pessoal.
Na entrevista à TV Cidade Fortaleza, Valéria afirmou que não teve intenção de prejudicar o menino e direcionou o pedido de desculpas a Matheus e aos familiares. Ela também falou sobre o receio de sofrer novas consequências após a divulgação do vídeo.
Lula venceu o segundo turno da eleição presidencial
A repercussão do caso ocorreu após o segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo, 25 de outubro. Com 100% das urnas apuradas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado nacional foi de 64.256.232 votos para Lula e 59.826.041 para Flávio.
No Ceará, Lula também terminou a votação à frente do adversário. O candidato recebeu 4.036.124 votos, correspondentes a 68,93% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 1.819.478 votos, ou 31,07%. A diferença entre os dois foi de 2.216.646 votos.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula havia obtido 63,29% dos votos válidos no Ceará, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 31,27%. Entre as duas etapas da eleição, o candidato do PT ampliou sua votação em 480.861 votos, passando de 3.555.263 para 4.036.124. Flávio Bolsonaro teve acréscimo de 62.628 votos, passando de 1.756.850 para 1.819.478.
Publicações sobre demissões e boicotes após a eleição
O caso de Matheus ocorreu em meio a manifestações nas redes sociais de apoiadores de Flávio Bolsonaro contrários a pessoas que votaram em Lula. Depois do segundo turno, parlamentares do Partido Liberal publicaram mensagens defendendo demissões de trabalhadores ou boicotes a profissionais e estabelecimentos por suas posições políticas.
Entre os nomes envolvidos estão Jessicão, deputada estadual eleita pelo Paraná; Índia Armelau, do Rio de Janeiro; e Ali Klemt, eleita para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. As manifestações levantaram questionamentos sobre discriminação por convicção política nas relações de trabalho.
Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão, é vereadora de Londrina e foi eleita deputada estadual pelo Paraná. Em uma publicação no X, antigo Twitter, ela direcionou uma mensagem a empregadores e pessoas que contratam serviços, defendendo o afastamento de trabalhadores que apoiam o PT.
“Você tem uma empregada que é petista? DEMITA! Tem um funcionário que é petista? DEMITA! Seu barbeiro é petista? Troque de barbeiro”, escreveu a parlamentar eleita.
Na mesma postagem, Jessicão afirmou que o voto em Lula prejudicaria negócios, famílias e a vida dos empregadores. A mensagem também incentivava o rompimento de relações com pessoas que apoiaram o presidente.

