A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor percentual registrado para o período desde o início da série histórica, em 2012. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra uma redução em relação aos três meses anteriores e ao mesmo intervalo do ano passado.
Entre julho e setembro, o índice recuou 0,2 ponto percentual em comparação com o trimestre encerrado em junho, quando estava em 5,4%. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, a queda foi de 0,4 ponto percentual. Naquele período, a taxa de desocupação havia alcançado 5,6%.
O levantamento faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). De acordo com os dados, cerca de 5,6 milhões de brasileiros estavam sem trabalho e procuravam uma ocupação no terceiro trimestre. O contingente diminuiu 4% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a 234 mil pessoas a menos nessa condição.
Na comparação com o mesmo período de 2025, a redução chegou a 6,9%, ou 417 mil pessoas. O número de desocupados também ficou abaixo dos 6,04 milhões registrados no terceiro trimestre do ano passado.
População ocupada chega a 103,6 milhões
Enquanto o total de pessoas desocupadas diminuiu, a população ocupada alcançou 103,6 milhões de brasileiros. Esse é o maior contingente registrado pela pesquisa desde 2012, quando começou a série histórica.
O número de trabalhadores cresceu 0,6% em relação ao trimestre encerrado em junho, com a entrada de 581 mil pessoas no mercado de trabalho. Na comparação anual, o avanço foi de 1,2%, o que corresponde a aproximadamente 1,2 milhão de ocupados a mais.
A pesquisa também apontou crescimento no número de empregadores. O grupo chegou a 4,5 milhões de pessoas, outro recorde da série histórica. Em relação ao trimestre anterior, houve alta de 4,3%, com acréscimo de 184 mil empregadores. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, o crescimento foi de 6,4%, equivalente a 272 mil pessoas.
Construção civil teve aumento de trabalhadores
Entre as atividades econômicas, a construção civil apresentou um dos principais avanços na ocupação. O setor registrou crescimento de 2,8% no terceiro trimestre, com aproximadamente 210 mil pessoas a mais trabalhando na atividade.
Setor público também alcança recorde
O número de pessoas ocupadas no setor público chegou a 13,2 milhões no terceiro trimestre de 2026, o maior contingente da série histórica.
O total permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, mas aumentou 2,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O crescimento correspondeu a 317 mil trabalhadores.
Empregos com carteira assinada permanecem estáveis
Apesar do aumento da população ocupada e dos recordes entre empregadores e trabalhadores do setor público, alguns grupos profissionais não apresentaram mudanças significativas no período.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou em 39,4 milhões. O contingente permaneceu estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação com o terceiro trimestre de 2025.
A mesma situação foi observada entre os empregados sem carteira assinada, que somaram 13,7 milhões, e os trabalhadores por conta própria, cujo total chegou a 26,1 milhões. O número de trabalhadores domésticos também não teve variação significativa e ficou em 5,4 milhões.
Na avaliação do analista do IBGE, a estabilidade desses grupos pode estar relacionada à cautela do mercado diante do período eleitoral.
Como o IBGE calcula a taxa de desemprego
A PNAD Contínua é realizada pelo IBGE desde 2012 e abrange todo o território nacional. A pesquisa acompanha indicadores relacionados ao mercado de trabalho entre pessoas com 14 anos ou mais, faixa etária considerada na análise da força de trabalho.
Os resultados são calculados com base em períodos de três meses. Por isso, os dados divulgados não correspondem exclusivamente a um mês específico, mas ao desempenho do trimestre móvel. Neste levantamento, o período analisado compreende julho, agosto e setembro de 2026.
A taxa de desemprego considera as pessoas que fazem parte da força de trabalho, não estão ocupadas, estão disponíveis para trabalhar e tomaram alguma providência para encontrar uma vaga. Quem está fora da força de trabalho não entra no cálculo.
É o caso, por exemplo, de estudantes que se dedicam exclusivamente aos estudos ou de pessoas que não trabalham fora e não estão procurando emprego. Dessa forma, a taxa mede a proporção de desocupados dentro da força de trabalho, e não o total da população brasileira sem atividade profissional.

