A copiloto Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, está entre as nove pessoas que morreram na queda de um avião particular na Flórida, nos Estados Unidos, neste domingo (1º). Filha de brasileiros e nascida em território norte-americano, ela trabalhava profissionalmente na aviação e já havia acumulado mais de 1.300 horas de voo, segundo relato de sua mãe, Camila Corteleti, ao jornal The New York Times.
A jovem estava a bordo de um Learjet 60 que saiu de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. A aeronave caiu em uma área residencial do condado de Palm Beach, atingiu o solo e explodiu. O acidente provocou uma cratera no asfalto e espalhou destroços nas proximidades da Military Trail, uma via movimentada da região. Não houve registro de mortes ou feridos em solo.
Nathalia começou a ganhar espaço na imprensa norte-americana ainda na adolescência, quando conquistou a licença de piloto privado, em setembro de 2023, aos 17 anos. Na época, cursava o ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida, e contou em entrevista à CBS12 News como iniciou a formação na aviação antes mesmo de obter carteira de motorista.
Jovem começou a estudar pilotagem aos 17 anos
O interesse de Nathalia pela aviação começou antes da obtenção da licença. Ela iniciou os estudos teóricos em 2020, quando estava prestes a entrar no segundo ano do ensino médio. O pai, Thiago Corteleti, também teve influência na formação da filha. Ele havia começado a pilotar por hobby em 2018 e compartilhava com ela conhecimentos sobre a atividade.
A preparação incluiu aulas teóricas, treinamento em simuladores, exercícios práticos e avaliações de conhecimentos técnicos. Os custos da formação foram pagos pela Academia de Aviação do Distrito Escolar do Condado de Palm Beach. Nathalia também estudou na American Flyers, escola de aviação do Texas que mantém uma unidade na Flórida.
Em 2023, quando foi entrevistada pela CBS12 News, a jovem já tinha 88 horas de voo. A licença de piloto privado permitia que ela conduzisse aeronaves particulares sozinha ou transportasse passageiros, desde que não recebesse pagamento pelo serviço.
Na conversa com a emissora, Nathalia comentou a diferença entre sua experiência na aviação e a falta de habilitação para dirigir automóveis. “Eu até me gabo disso, porque as pessoas dizem: ‘Ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘É, mas sei pilotar’”, afirmou.
Naquele período, ela também manifestava o desejo de construir carreira como piloto de linha aérea comercial. Com o avanço da formação, passou a trabalhar profissionalmente como copiloto. Em entrevista ao The New York Times, a mãe da jovem informou que ela já havia ultrapassado 1.300 horas de voo.
Em março de 2026, Nathalia publicou uma fotografia na cabine de comando de uma aeronave, segurando um documento. Na legenda, escreveu: “Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!”.
Regras para obter licença de piloto nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a idade mínima para conseguir uma licença de piloto privado é de 17 anos, conforme as regras da Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês). Na modalidade regular de formação, o candidato precisa cumprir pelo menos 40 horas de voo, além de ser aprovado em avaliações teóricas e práticas.
A licença de piloto comercial pode ser obtida a partir dos 18 anos. Nesse caso, a exigência geral é de pelo menos 250 horas de voo, além dos demais requisitos de treinamento e avaliação.
Para atuar como copiloto de jatos executivos, também são necessárias habilitações e qualificações específicas. As exigências variam de acordo com o modelo da aeronave e as características da operação.
Nathalia nasceu em Palm Beach e morava na Flórida com a família. Seus pais, Camila Gadelha Corteleti e Thiago Corteleti, são brasileiros. A jovem havia construído sua trajetória profissional nos Estados Unidos, onde realizou a formação e passou a trabalhar como copiloto.
Áudio registra pedido de socorro antes da queda
Uma gravação da comunicação entre a tripulação do Learjet 60 e os controladores de tráfego aéreo registra momentos de emergência antes do impacto. No áudio divulgado, uma voz feminina relata problemas durante o voo e informa que a aeronave estava perdendo altitude rapidamente.
Em um dos trechos, a tripulante comunica uma condição de velocidade excessiva e uma descida de 20 mil pés por minuto. Na sequência, declara emergência: “Mayday, mayday, estamos descendo 10 mil pés por minuto”.
A gravação também registra a frase “Vamos bater no chão”, seguida de gritos e de uma tentativa do controlador de tráfego aéreo de orientar a tripulação. Em outro momento, é possível ouvir: “Olhe lá fora, Jack, olhe lá fora! Estamos sem tempo”. A fala “Nosso tempo acabou” também aparece no áudio.
Queda provocou explosão e retirada de moradores
O Learjet 60 decolou do aeroporto de Austin, no Texas, às 9h36 no horário local, com destino a North Eleuthera, nas Bahamas. O acidente ocorreu por volta das 12h50, no horário local, equivalente a 16h50 em Brasília.
A aeronave caiu em uma área residencial de Greenacres, no condado de Palm Beach, nas proximidades da Military Trail. O impacto provocou uma explosão de grandes proporções, abriu uma cratera no asfalto e lançou destroços pela região. Imagens registradas pela câmera de um veículo mostram o momento em que o avião atinge o solo e explode.
De acordo com dados do serviço de monitoramento aéreo FlightRadar24, a última velocidade registrada antes do impacto foi de aproximadamente 430 quilômetros por hora. O avião estava a poucos metros de veículos que circulavam pela via no momento do acidente.
Por precaução, cerca de 600 moradores de um conjunto residencial de casas móveis nas proximidades foram retirados de suas residências. A ocorrência também danificou estruturas da infraestrutura local, incluindo o sistema de abastecimento de água. A Military Trail deverá permanecer interditada por pelo menos 30 dias para a realização dos reparos.
A queda aconteceu perto de Cresthaven, a aproximadamente 14 quilômetros de Mar-a-Lago, propriedade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Palm Beach. Trump havia deixado a região a bordo do Air Force One cerca de uma hora antes do acidente, depois de passar a manhã no resort.
Investigação vai apurar causas do acidente
O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, classificou a ocorrência como uma “tragédia horrível” em uma publicação nas redes sociais. Ele informou que a Administração Federal de Aviação enviaria uma equipe para auxiliar os trabalhos conduzidos pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB).
Investigadores do NTSB foram enviados ao local para apurar as circunstâncias da queda. A análise deverá considerar os registros de voo, as comunicações da tripulação, as condições meteorológicas e os destroços da aeronave.




