O Papa Leão XIV dedicou parte da celebração do Dia de Finados, nesta segunda-feira (2), às famílias que perderam parentes em guerras. Durante a missa no Cemitério Monumental do Verano, em Roma, o Pontífice pediu que o sofrimento de mães, crianças e idosos sensibilize aqueles que têm poder para interromper as guerras e determinar o fim dos confrontos.
A celebração ocorreu no local onde estão sepultadas milhares de pessoas e reuniu cerca de 1.500 fiéis, de acordo com números divulgados pelo Vaticano. Antes da missa, Leão XIV percorreu uma área do cemitério, permaneceu em oração diante dos túmulos e depositou um buquê de rosas brancas e amarelas sobre uma lápide de mármore pertencente a uma família italiana. O túmulo escolhido era de Antonia Coccia Nicolini.
Na homilia, o Papa também falou sobre a esperança cristã diante da morte e a continuidade do vínculo espiritual entre os vivos e aqueles que já morreram. A mensagem teve como referência as leituras da celebração, especialmente o Evangelho das Bem-aventuranças e passagens bíblicas sobre a promessa da vida eterna.
Ao comentar a passagem dedicada aos que choram, Leão XIV direcionou uma oração às pessoas que enfrentam o luto, com atenção especial às vítimas da violência dos conflitos. “Que as lágrimas de tantas mães, de tantas crianças, de tantos idosos toquem a consciência daqueles que têm o poder de fazer calar as armas!”, afirmou.
Papa lembra famílias que perderam parentes em guerras
A mensagem sobre as vítimas dos conflitos foi um dos pontos centrais da homilia. O pontífice pediu orações por quem perdeu recentemente uma pessoa querida e mencionou, de maneira particular, as famílias que tiveram parentes mortos em decorrência da violência das guerras.
A reflexão foi relacionada à bem-aventurança “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. Para Leão XIV, a promessa de consolo apresentada no Evangelho deve orientar a oração pelos que sofrem com a perda de familiares.
O papa voltou a pedir que o sofrimento de mães, crianças e idosos alcance a consciência de quem pode determinar o fim dos confrontos. O apelo foi dirigido às pessoas que têm autoridade para interromper as ações militares e silenciar as armas.
A celebração também foi dedicada aos fiéis falecidos que repousam no próprio Verano e às pessoas lembradas pelos participantes da missa. Ao iniciar a homilia, Leão XIV definiu o cemitério como um espaço de oração, memória, afeto e esperança, no qual a Eucaristia era oferecida em sufrágio pelos mortos.
Bem-aventuranças apontam caminho para a vida eterna
Durante a reflexão sobre o Evangelho, Leão XIV afirmou que as Bem-aventuranças apresentam um caminho para uma vida plena, tanto na existência terrena quanto na eternidade. Segundo o pontífice, as palavras de Jesus, proclamadas na liturgia, são também uma mensagem do Cristo Ressuscitado aos fiéis.
O papa observou que a passagem ganha um significado particular quando proclamada em um cemitério. O local foi descrito como uma espécie de passagem entre a vida terrena e aquilo que a fé cristã anuncia para depois da morte.
Ao falar sobre a esperança na ressurreição, Leão XIV recorreu também ao Livro da Sabedoria. A passagem recorda que as almas dos justos permanecem nas mãos de Deus e que nenhum tormento poderá atingi-las.
O pontífice explicou que a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, celebrada em 2 de novembro, ocorre um dia depois da Solenidade de Todos os Santos e orienta a Igreja a rezar por aqueles que morreram. A oração pede que os falecidos alcancem a plena comunhão com Deus.
Na parte final da homilia, Leão XIV afirmou que a fé em Cristo não considera encerrada a ligação entre os vivos e os mortos. “Nosso vínculo não foi interrompido, mas transformado”, declarou. Ele também destacou a oração de sufrágio como forma de acompanhar espiritualmente os entes queridos em direção à comunhão com o Senhor.
Leão XIV recorda São Francisco de Assis
A homilia também fez referência a São Francisco de Assis, no ano em que são lembrados os 800 anos de sua morte. O Papa recuperou um trecho do Cântico das Criaturas escrito pelo santo quando ele percebeu a proximidade do fim da vida.
Na passagem, São Francisco se refere à morte corporal como “irmã” e fala sobre a condição daqueles que são encontrados vivendo de acordo com a vontade de Deus. A mensagem também diferencia a morte física da chamada segunda morte, da qual os fiéis, segundo a tradição cristã, podem ser preservados.
A lembrança do santo foi apresentada dentro da reflexão sobre a maneira como a fé cristã compreende a morte. Em vez de encerrar a esperança, a passagem da vida terrena é vista pela Igreja à luz da ressurreição e da promessa de vida eterna.
Leão XIV também mencionou a promessa presente no Livro do Apocalipse, segundo a qual Deus enxugará as lágrimas e não haverá mais morte, luto, clamor ou dor. A imagem foi usada para encerrar a reflexão sobre o destino dos falecidos e a esperança dos que permanecem.
Cemitério Verano recebe missa pelo segundo ano consecutivo
A celebração no Cemitério Monumental do Verano foi a segunda realizada por Leão XIV no local desde o início de seu pontificado. Em 2025, no primeiro Dia de Finados após assumir o papado, ele também presidiu uma missa no cemitério romano.
Localizado no bairro Tiburtino, o Verano tem cerca de 83 hectares e reúne sepulturas, capelas, esculturas e monumentos construídos ao longo de mais de dois séculos. É considerado um dos principais cemitérios históricos de Roma e o segundo maior cemitério civil da Itália, além de ser o maior da capital.
Construído no século 19, durante a era napoleônica, o espaço também abriga uma área destinada a pessoas não católicas. O cemitério sofreu danos graves durante o bombardeio aliado de Roma, em 1943, e passou por reconstrução em 1949.
A escolha do Verano mantém uma tradição iniciada por São João Paulo II no fim da década de 1970. O pontífice visitou o local 12 vezes para celebrar a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Bento XVI também presidiu uma missa na Basílica de São Lourenço Extramuros, ao lado do cemitério, embora não tenha percorrido os túmulos. Já o Papa Francisco manteve o costume de celebrar o Dia de Finados em diferentes cemitérios de Roma durante seu pontificado.
Papa abençoa túmulos e conclui celebração com oração pelos mortos
Ao término da missa, Leão XIV aspergiu água benta e abençoou os túmulos do cemitério. Em seguida, conduziu uma oração pelos falecidos, pedindo o descanso eterno e a luz perpétua para aqueles que morreram.
A celebração foi encerrada com a invocação: “Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso. Entre os esplendores da luz perpétua. Descansem em paz. Amém.”




