PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
VOTAÇÃO

Em vitória do Governo Lula, Senado aprova PEC da Segurança Pública; texto segue para promulgação

O texto recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo

Compartilhe
Em vitória do Governo Lula, Senado aprova PEC da Segurança Pública; texto segue para promulgação
Proposta busca integrar as ações de segurança da União (Foto: Ag Senado)


O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3), a PEC da Segurança Pública, proposta do governo federal que estabelece mudanças na organização das forças policiais e amplia os mecanismos de combate ao crime organizado no Brasil. O texto recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem nenhum voto contrário na etapa final. Com a conclusão da votação, a matéria segue para promulgação.

Leia também: Lula pede mobilização contra bets antes de audiência pública no STF

Considerada uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta busca integrar as ações de segurança da União, dos estados e dos municípios, além de fortalecer a atuação das instituições policiais no enfrentamento de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.

Entre as principais mudanças estão a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal, a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o fortalecimento da atuação da Polícia Federal (PF) e a previsão de medidas mais rigorosas contra integrantes de organizações criminosas.

PUBLICIDADE

A proposta também estabelece mecanismos para atingir o patrimônio relacionado às atividades ilegais e prevê mudanças na organização das polícias municipais e do sistema prisional.

PUBLICIDADE

A votação ocorreu após um impasse entre governo e oposição sobre a possibilidade de incluir no texto a redução da maioridade penal. O Senado decidiu que as emendas sobre o assunto deverão tramitar separadamente, permitindo a conclusão da análise da PEC sem a necessidade de devolver o texto à Câmara dos Deputados.

PEC da Segurança Pública: o que muda no combate ao crime organizado

Um dos principais objetivos da PEC é estabelecer uma estrutura de cooperação mais efetiva entre as forças de segurança brasileiras. Para isso, a proposta inclui o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição, fortalecendo um modelo de integração que já existe por meio de legislação federal.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O Susp tem como finalidade articular o trabalho das instituições responsáveis pela segurança pública, permitindo o compartilhamento de informações e a realização de operações conjuntas.

Com a mudança constitucional, a proposta busca consolidar a participação da União, dos estados e dos municípios na formulação e execução de políticas de segurança.

O texto também prevê que União, estados e Distrito Federal possam estabelecer normas sobre a área, contemplando instrumentos de cooperação entre governos, organização das instituições policiais, guardas municipais e sistema socioeducativo.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A intenção é melhorar a capacidade de resposta do poder público diante de organizações criminosas que atuam em diferentes territórios e mantêm estruturas que ultrapassam os limites de um único estado.

Esse aspecto ganha importância diante da expansão de grupos criminosos que utilizam redes de comunicação, movimentação financeira e articulações interestaduais para manter suas atividades.

Facções criminosas poderão enfrentar restrições mais rigorosas

A PEC estabelece medidas mais rígidas para integrantes de organizações criminosas, milícias privadas e grupos paramilitares.

PUBLICIDADE

Uma das previsões é a possibilidade de cumprimento de prisão provisória ou definitiva em estabelecimentos penais de segurança máxima ou de natureza especial, quando necessário.

O texto também prevê restrições ou proibições relacionadas à progressão de regime, à liberdade provisória, com ou sem fiança, e à saída temporária.

As medidas procuram dificultar a manutenção das atividades criminosas por integrantes de grupos organizados, especialmente aqueles que continuam exercendo influência sobre estruturas ilegais mesmo durante o período de encarceramento.

PUBLICIDADE

Outro ponto importante é a possibilidade de expropriação de bens, direitos e valores econômicos relacionados às atividades criminosas.

A medida busca atingir a estrutura financeira das organizações, permitindo que o poder público alcance recursos utilizados para financiar operações ilegais.

A proposta também contempla a responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas com atividades criminosas, além de mecanismos de proteção e compensação para pessoas que denunciarem práticas ilícitas.

PUBLICIDADE

O enfrentamento financeiro é considerado uma dimensão importante no combate às facções porque essas organizações dependem de recursos para manter integrantes, financiar atividades, adquirir equipamentos e ampliar sua presença territorial.

Polícia Federal e PRF terão mudanças nas atribuições

A PEC da Segurança Pública também modifica as atribuições de instituições federais.

No caso da Polícia Federal, a proposta fortalece sua atuação no enfrentamento de organizações criminosas que operam em mais de um estado ou possuem conexões internacionais.

PUBLICIDADE

Embora a PF já tenha presença em todo o território nacional, a mudança busca ampliar sua capacidade de investigação sobre crimes que ultrapassam fronteiras estaduais.

A proposta também amplia a atuação da Polícia Rodoviária Federal, que poderá realizar policiamento em ferrovias e hidrovias federais, além das rodovias.

Outro ponto previsto é a possibilidade de apoio da PRF a outras forças de segurança, quando houver solicitação do governador.

PUBLICIDADE

Apesar das mudanças nas atribuições, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal permanecem sob competência privativa da União. As normas relacionadas às atividades de inteligência também ficam sob responsabilidade federal.

A ampliação das possibilidades de atuação das corporações pretende acompanhar as transformações na dinâmica da criminalidade, que utiliza diferentes rotas e estruturas logísticas para transportar mercadorias ilegais e movimentar recursos.

Proposta prevê criação de polícias municipais

Outro dispositivo da PEC trata da participação dos municípios na segurança pública.

PUBLICIDADE

O texto permite a criação de polícias municipais de natureza civil, voltadas ao policiamento ostensivo e comunitário.

Essas estruturas deverão atender a exigências de formação profissional e fiscalização, dentro dos parâmetros estabelecidos para sua atuação.

A proposta busca ampliar a participação dos municípios nas políticas de segurança, especialmente em atividades de prevenção e presença ostensiva nos espaços públicos.

PUBLICIDADE

A medida também reforça a necessidade de integração dessas corporações com as demais instituições responsáveis pelo policiamento e pela investigação criminal.

O texto ainda contempla mudanças relacionadas ao financiamento da segurança pública e à organização do sistema prisional.

Senado separa discussão sobre redução da maioridade penal

A votação da PEC foi precedida por uma disputa entre parlamentares sobre a inclusão de mudanças na maioridade penal.

PUBLICIDADE

Duas emendas apresentadas ao texto tratavam da possibilidade de reduzir de 18 para 16 anos a idade para responsabilização penal como adulto, mas apresentavam diferenças quanto aos crimes abrangidos.

A proposta defendida pelo PL previa a redução para 16 anos em casos de crimes de menor gravidade e para 14 anos quando se tratasse de crimes hediondos.

Já a emenda apresentada pelo PT estabelecia a possibilidade de redução para 16 anos exclusivamente em casos de crimes hediondos, mantendo a idade atual para as demais situações.

PUBLICIDADE

O relator da PEC, senador Rogério Carvalho (PT-SE), defendeu que as duas propostas fossem discutidas separadamente.

O encaminhamento foi aprovado por 38 votos a 37. Dessa forma, as emendas deixaram de integrar a votação da PEC da Segurança Pública e deverão seguir em tramitação própria.

O argumento do relator foi que a redução da maioridade penal constitui um debate relevante, mas não está diretamente relacionada ao objetivo principal da proposta, voltado à integração das forças de segurança e ao enfrentamento do crime organizado.

PUBLICIDADE

A separação também evitou que alterações no texto obrigassem o retorno da matéria à Câmara dos Deputados, o que atrasaria sua conclusão.

Aprovação representa vitória política para o governo Lula

A aprovação da PEC também possui significado político para o governo federal. A proposta é considerada prioritária pela gestão Lula, que defende uma reorganização da política nacional de segurança pública.

A votação aconteceu depois de um período de impasse entre governistas e oposição, principalmente em torno da maioridade penal.

PUBLICIDADE

O governo pretendia concluir a tramitação da proposta ainda em 2026, evitando que o texto enfrentasse novas dificuldades políticas com a mudança na composição do Senado a partir de 2027.

Em outubro, os senadores haviam aprovado um calendário especial para acelerar a análise da matéria. A decisão permitiu reduzir os intervalos regimentais previstos entre as sessões de discussão e as votações dos dois turnos.

Pelas regras constitucionais, uma proposta de emenda à Constituição precisa receber pelo menos três quintos dos votos dos parlamentares em cada turno. No Senado, isso corresponde a 49 votos favoráveis.

PUBLICIDADE

A PEC superou esse mínimo com ampla margem: foram 73 votos na primeira votação e 75 na segunda.

Com a aprovação, o texto segue para promulgação. A conclusão da tramitação abre caminho para a implementação das mudanças constitucionais, que deverão orientar a atuação integrada das instituições responsáveis pela segurança pública no país.

Leia também
Lula pede mobilização contra bets antes de audiência pública no STF
JOGOS DE APOSTA
Lula pede mobilização contra bets antes de audiência pública no STF
03 de nov. de 2026 - 10:12
Pesquisa para presidente no segundo turno: veja os números de Lula x Flávio Bolsonaro
ELEIÇÕES 2026
Pesquisa para presidente no segundo turno: veja os números de Lula x Flávio Bolsonaro
06 de out. de 2026 - 17:20
Lula agradece a cearenses por mobilização no 2º turno: “nada pagará a gratidão que tenho”
MOBILIZAÇÃO ELEITORAL
Lula agradece a cearenses por mobilização no 2º turno: “nada pagará a gratidão que tenho”
01 de nov. de 2026 - 17:09