Jandson Adriel do Prado da Silva, de 20 anos, conhecido como Atrevido, foi preso em flagrante na última sexta-feira (30), no município de Aiuaba, no Sertão dos Inhamuns. Ele é suspeito de integrar o grupo de homens investigado pelo sequestro e assassinato de duas irmãs adolescentes, de 15 e 17 anos, ocorrido em outubro.
A prisão foi realizada por equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), durante uma ação na cidade. Com o suspeito, os policiais apreenderam um revólver calibre .38 com numeração raspada e cinco munições. Jandson foi apresentado na Delegacia de Polícia Civil de Tauá, onde foi autuado por porte ilegal de arma de fogo.
Ele é o segundo homem preso suspeito de participação no crime. O primeiro foi identificado como Antônio Wellington Alves Pires, de 27 anos, capturado em outubro, após o assassinato das adolescentes.
Como aconteceu a prisão em Aiuaba
De acordo com a Polícia Militar, por volta das 19h30 da sexta-feira, os policiais da 1ª Companhia do 13º Batalhão receberam informações do serviço de inteligência e de agentes do destacamento de Aiuaba sobre a presença de um homem suspeito de envolvimento em crimes na cidade.
As equipes iniciaram buscas e localizaram Jandson em uma residência na Rua Antônia Jaconias de Moraes. Ao perceber a aproximação dos policiais, ele tentou fugir para o interior do imóvel e pular um muro, mas foi alcançado e detido.
Durante a abordagem, os militares encontraram o revólver e as cinco munições. O material foi apreendido e encaminhado à delegacia junto com o homem. Conforme as informações da ocorrência, Jandson possui registros policiais anteriores por roubo e ameaça.
A autuação informada pela Polícia Civil foi por porte ilegal de arma de fogo. A possível participação dele no sequestro e na morte das adolescentes é investigada.
Relembre o sequestro e a morte das duas irmãs
O crime aconteceu em outubro. Na segunda-feira (12), quatro homens chegaram em um carro branco à casa dos avós das adolescentes, na localidade de Cachoeira de Fora, zona rural de Arneiroz, no Sertão dos Inhamuns.
Os suspeitos se apresentaram como policiais civis e exigiram que as meninas fossem entregues. Em seguida, entraram na residência, imobilizaram as duas com abraçadeiras plásticas e as levaram à força.
Antes de deixar o local, os homens teriam informado aos familiares que não eram policiais e feito ameaças. A família também teria sido intimidada a não procurar as autoridades.
As adolescentes foram encontradas mortas na terça-feira (13), em uma área de mata na comunidade de Angicos, em Tauá, município vizinho a Arneiroz. Os corpos apresentavam ferimentos provocados por disparos de arma de fogo.
As duas irmãs tinham 15 e 17 anos. Elas eram naturais de Tauá e haviam se mudado para Arneiroz para morar com os avós.
Investigação apura possível relação com facção criminosa
Uma das linhas investigativas apura se o assassinato das adolescentes teve relação com uma possível punição imposta por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A hipótese é de que as jovens teriam sido mortas por supostamente desrespeitarem regras da organização criminosa, situação descrita pela expressão “rasgar a camisa”.
O primeiro suspeito preso, Antônio Wellington Alves Pires, é apontado nas investigações como possível integrante da facção e teria atuação como “disciplina” na região. Essa função estaria relacionada à fiscalização do cumprimento de regras impostas pelo grupo criminoso.
A motivação do duplo homicídio, no entanto, deve ser tratada como parte da investigação, sem ser considerada definitivamente comprovada.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a adolescente de 15 anos possuía histórico de ato infracional análogo a furto. Não havia registro de infrações atribuídas à irmã mais velha. Essas informações, por si só, não esclarecem a motivação do crime.
As investigações seguem para esclarecer a participação de cada suspeito e identificar outros possíveis envolvidos no sequestro e assassinato das duas adolescentes.




