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SENADO

Impeachment de Santiago Peña é aprovado por unanimidade no Paraguai

Decisão foi anunciada nesta sexta-feira (6)

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Impeachment de Santiago Peña é aprovado por unanimidade no Paraguai
Impeachment de Santiago Peña foi confirmado nesta sexta-feira (6) (Foto: Reprodução)


O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, em uma decisão que encerra seu mandato em meio à maior crise política enfrentada pelo país em mais de uma década. Os 44 senadores presentes votaram favoravelmente à destituição, após o escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que entrou em colapso e deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso às próprias economias. Com a decisão, o vice-presidente Pedro Alliana fica no caminho da sucessão presidencial.

Leia também: Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia ao cargo

A votação representa o desfecho de uma crise que ultrapassou o sistema financeiro e atingiu diretamente o governo paraguaio. Parlamentares acusaram Peña de envolvimento em possíveis conflitos de interesse, interferência na fiscalização bancária e utilização irregular de recursos públicos depositados na instituição. O presidente negou ter cometido irregularidades.

O processo avançou mesmo depois de Peña anunciar sua renúncia na quinta-feira (5). A saída, entretanto, não foi formalmente aceita pelo Congresso, que optou por dar continuidade ao julgamento político. A decisão teve peso importante porque uma renúncia aceita poderia garantir ao ex-presidente uma cadeira vitalícia no Senado paraguaio, acompanhada de imunidade parlamentar.

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A destituição, por outro lado, impede que Peña assuma essa condição e abre caminho para que ele responda às investigações relacionadas ao escândalo financeiro. Segundo a Associated Press (AP), autoridades já iniciaram apurações criminais envolvendo o ex-presidente, integrantes do Banco Central e responsáveis pelos fundos de previdência.

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Crise do Ueno Bank provocou impeachment de Santiago Peña

O episódio que desencadeou a crise começou com a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que havia conquistado espaço expressivo no mercado financeiro nacional. A medida foi adotada diante de problemas relacionados à solvência do banco, que enfrentava dificuldades para manter sua estabilidade financeira.

O bloqueio das contas atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes, quase metade da população paraguaia. Com a restrição de acesso aos recursos, famílias, trabalhadores e aposentados ficaram sem conseguir movimentar normalmente o dinheiro depositado na instituição.

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A situação provocou forte reação popular. Milhares de pessoas foram às ruas de Assunção para cobrar explicações das autoridades e exigir a devolução das economias retidas. Os protestos também passaram a questionar a responsabilidade do governo e a atuação dos órgãos encarregados de fiscalizar o sistema financeiro.

Além dos correntistas, a crise atingiu pessoas que recebiam benefícios previdenciários por meio do banco. O problema ganhou uma dimensão ainda maior porque recursos públicos e valores destinados à previdência também estavam depositados na instituição.

De acordo com informações divulgadas pela AP, o fundo de previdência estatal havia depositado aproximadamente US$ 355 milhões no Ueno Bank. Os parlamentares questionaram a concentração desses recursos e apontaram possíveis operações acima dos limites legais.

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O Banco Central afirmou que a situação da instituição não representa necessariamente um problema generalizado no sistema financeiro do país. Os reguladores também procuraram tranquilizar os mercados, assegurando a cobertura da maior parte dos depósitos por meio dos mecanismos de garantia existentes.

Acusações contra Peña envolvem fiscalização e recursos públicos

As acusações que fundamentaram o impeachment não se limitaram à crise de liquidez do banco. Os parlamentares também questionaram a relação anterior de Santiago Peña com o grupo empresarial que controlava a instituição financeira.

O presidente havia sido acionista da holding ligada ao Ueno Bank, mas deixou a participação em 2025. Para os opositores, esse histórico levantou dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse na condução das decisões envolvendo a fiscalização e a situação financeira da instituição.

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Outro ponto investigado envolve a atuação do Banco Central. O então presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo, havia comandado anteriormente o Ueno Bank. Sua saída do cargo, em meio ao escândalo, ampliou os questionamentos sobre a independência dos mecanismos de supervisão financeira.

As acusações também apontam possíveis interferências na fiscalização regulatória, destinação irregular de recursos previdenciários e tentativa de encobrir informações relacionadas à situação da instituição.

Peña rejeitou as acusações e classificou o episódio como uma questão regulatória. A defesa também contestou o andamento do processo de impeachment e pediu mais tempo para organizar sua manifestação.

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Na sexta-feira, os advogados do presidente solicitaram uma prorrogação de 72 horas para preparar a defesa. O pedido foi rejeitado pelos senadores, que decidiram prosseguir com o julgamento.

A decisão de manter o calendário acelerou o desfecho político. Com a aprovação da destituição pelos 44 parlamentares presentes, o Senado encerrou o processo que colocou o futuro do governo paraguaio no centro das discussões nacionais.

Protestos e pressão sobre o governo aumentaram em Assunção

A crise também provocou uma onda de manifestações na capital paraguaia. Os atos reuniram pessoas prejudicadas pelo bloqueio das contas bancárias e cidadãos que cobravam responsabilização das autoridades.

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Na quinta-feira (5), manifestantes voltaram ao centro de Assunção para exigir explicações sobre o colapso financeiro e pressionar por uma solução mais rápida para os depositantes. Parte dos clientes começou a recuperar valores na noite do mesmo dia, mas a liberação dos recursos não encerrou a insatisfação.

O sentimento de insegurança aumentou diante das dificuldades enfrentadas por pessoas que dependiam do dinheiro depositado para despesas cotidianas. A situação também atingiu aposentados e trabalhadores vinculados a fundos previdenciários.

A possibilidade de uma transição política prolongada passou a preocupar investidores e agentes econômicos. O receio é que a crise ultrapasse os limites do Ueno Bank e comprometa a confiança nas instituições paraguaias.

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Segundo o analista-chefe para as Américas da Verisk Maplecroft, Mariano Machado, a continuidade dos protestos dependerá também da percepção da população sobre a responsabilização dos envolvidos e da velocidade dos pagamentos aos clientes prejudicados.

O especialista avaliou que as manifestações podem ganhar força caso a saída de Peña seja interpretada como uma maneira de evitar punições ou se os pagamentos aos depositantes e aposentados forem interrompidos.

Brasil acompanha crise política e financeira no Paraguai

A destituição de Santiago Peña também tem repercussão internacional, especialmente para o Brasil. O país brasileiro é o maior parceiro econômico do Paraguai, o que torna a estabilidade política e financeira do território vizinho um assunto de interesse direto para Brasília.

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A preocupação envolve a possibilidade de que a crise institucional provoque impactos sobre a confiança dos investidores, as relações comerciais e o ambiente econômico regional.

O Paraguai vinha sendo observado por sua estabilidade econômica e política na América do Sul. A intervenção no Ueno Bank e a posterior queda do presidente colocaram essa percepção sob pressão.

A transição presidencial, portanto, será acompanhada não apenas pelos paraguaios, mas também por países e empresas que mantêm relações econômicas com o mercado local.

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Com o impeachment aprovado, o próximo desafio será garantir a continuidade administrativa, esclarecer as responsabilidades pelo colapso financeiro e assegurar que os clientes prejudicados consigam recuperar seus recursos.

A destituição de Peña encerra uma etapa da crise, mas não resolve automaticamente os problemas deixados pelo Ueno Bank. As investigações sobre a instituição, a aplicação de recursos públicos e a atuação dos órgãos reguladores continuam sendo fundamentais para determinar a extensão das irregularidades e os possíveis responsáveis.


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