Membros do governo de Joe Biden e do Congresso dos Estados Unidos receberam um documento elaborado por acadêmicos e instituições da sociedade civil no Brasil e nos EUA pedindo que os americanos fiquem atentos às eleições brasileiras em 2022. No dossiê também há o pedido de que sejam priorizadas as liberdades individuais e a democracia na relação diplomática com o Brasil, considerando isto antes dos interesses geopolíticos e comerciais. O Brasil não conta com um embaixador americano no país.
Um trecho do documento destaca que "Bolsonaro está criando condições para um ambiente eleitoral muito instável e, se perder, o mundo deve lembrar o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA e estar preparado para testemunhar uma versão provavelmente mais extrema disso no Brasil".
De acordo com o dossiê, "Reminiscente da retórica de Trump em 2020, Bolsonaro já disse que pode não aceitar os resultados da eleição de 2022, criando um terreno fértil para desinformação e atos extremistas".
Diante da derrota nas urnas, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o sistema do país de ser fraudulento e moveu diversas ações judiciais contra sua derrota. Trump convocou ainda seguidores a uma manifestação que terminou com a invasão ao Congresso americano, episódio em que cinco pessoas morreram.
Em paralelo, no Brasil, Bolsonaro repercutiu o discurso de Trump sobre fraude eleitoral e ainda demorou a reconhecer a vitória de Biden.
Além disso, o presidente brasileiro ainda fez campanha pelo voto impresso e chegou a promover um desfile de tanques em Brasília enquanto o Congresso decidia sobre como aconteceria as eleições brasileiras em 2022. Constantemente Bolsonaro acusa o sistema eleitoral brasileiro de não confiável, afirmando que as urnas eletrônicas não são auditáveis e que o processo eleitoral pode estar comprometido.
"Bolsonaro não está preocupado com a integridade das eleições, e está tentando encontrar qualquer motivo para contestar os resultados - mesmo antes que a eleição ocorra", afirma o relatório entregue aos americanos.
O documento foi elaborado por professores da Universidade de Miami, Universidade Brown, Universidade da Virginia, Universidade da Cidade de Nova York (CUNY), entre outros, e compilado pelo Washington Brazil Office, com o apoio de organizações como o Greenpeace, a Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a Artigo 19, o Instituto Sou da Paz, entre outros.
Os responsáveis pelo dossiê pedem atenção ao Brasil durante o pleito eleitoral. De acordo com Paulo Abrão, ex-secretário Executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e um dos diretores do Washington Brazil Office, responsável pela elaboração do dossiê, alguns parlamentares americanos discutem a possibilidade de criar um grupo formal de "amigos do Brasil" para acompanhar o processo eleitoral.
"Estamos chamando a comunidade internacional para olhar para o Brasil ainda antes da eleição em si e acompanhar o processo. A voz dos EUA respaldando o resultado de uma eleição sempre é muito importante para definir os cenários na comunidade internacional", afirmou Abrão.




