Em recentes depoimentos durante negociação de delação premiada, Ronnie Lessa, ex-policial militar acusado do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, forneceu à Polícia Federal informações envolvendo dois supostos participantes do crime.
Domingos Brazão, ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), foi apontado por Lessa como possível mandante do crime, segundo fontes ligadas às investigações.
Outro nome citado por Lessa foi Jomar Duarte Bittencourt Júnior, conhecido como Jomarzinho, que teria vazado informações sigilosas sobre a investigação do caso.
Nomes citados por Ronnie Lessa em delação premiada
Domingos Brazão
Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ, já havia sido delatado por Élcio de Queiroz, ex-policial atualmente preso em Brasília. O acordo de delação foi homologado pela Justiça, e Brazão também foi implicado por Queiroz na parte mantida sob sigilo, envolvendo o contraventor Bernardo Bello.
Jomarzinho
Jomar Duarte Bittencourt Júnior, filho de um delegado da Polícia Federal (PF), teve sua residência alvo de busca e apreensão pela PF em julho do ano passado, no mesmo dia da prisão de Maxwell Corrêa, conhecido como "Suel", suspeito de participação no crime. A PF investiga a relação entre Brazão e Jomarzinho durante seus frequentes encontros na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Depoimentos em Campo Grande (MS)
Os depoimentos da delação premiada de Ronnie Lessa ocorreram em Campo Grande (MS), fora do presídio federal onde está detido. A Polícia Penal Federal auxiliou na intermediação e escolta. As negociações fazem parte do processo de delação, que está em andamento desde o final do ano passado, aguardando homologação.
Condições do Acordo
Uma das condições estabelecidas por Lessa para colaborar com a investigação seria a segurança de sua família no Rio de Janeiro. Os depoimentos e a delação em potencial receberam aprovação dos filhos do ex-policial.
Delação de "Suel"
Em novembro do ano passado, a Polícia Federal tentou um acordo de colaboração com Maxwell Corrêa, o "Suel", também suspeito de envolvimento no caso. Conversas iniciais ocorreram, mas a negociação foi congelada, e Suel permanece preso em Brasília desde julho de 2023.
Versões e Posicionamentos
A Polícia Federal declarou que trabalha em parceria com outros órgãos, respeitando critérios técnicos e o sigilo necessário das diligências. Até o momento, apenas uma delação foi homologada no caso, com as investigações em andamento.
Em resposta a CNN Brasil, o advogado de Ronnie Lessa afirmou desconhecer a assinatura de um acordo de delação e ameaçou deixar o caso se seu cliente prosseguir com a colaboração. As defesas de Jomarzinho e Bernardo Bello não foram localizadas pela reportagem.




