Em um país onde quase metade da população se declara sem religião e apenas 11% são católicos, a história de Junho Jeremiah Chu impressiona e inspira. Nascido em uma família ateia, ele passou os primeiros 22 anos de sua vida convencido de que felicidade era sinônimo de sucesso material. Hoje, aos 35 anos, é um missionário, compositor e vocalista. Sua trajetória — da descrença à devoção, da frustração à música sacra — é um testemunho de como a fé pode transformar até os corações mais céticos.
A Busca Vazia no Mundo Material
Como muitos jovens sul-coreanos, Junho cresceu sob a pressão de uma sociedade que valoriza conquistas acadêmicas e financeiras acima de tudo. "Eu buscava a felicidade do mundo: riqueza, honra, poder, sucesso", relembra. "Mas mesmo quando alcançava algo, a satisfação durava pouco. Era tudo vazio."
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Junho Chu com o Papa Francisco.[/caption]
Formado pela prestigiada Universidade Nacional de Seul, ele deixou o violino — instrumento que amava desde a infância — como hobby para se dedicar aos estudos. Mas a carreira promissora não preencheu o vazio. Nem mesmo o serviço militar, que ele abraçou na esperança de encontrar um propósito maior, trouxe respostas.
Foi então que dois eventos mudaram seu rumo: a morte de dois padres católicos amplamente noticiada na mídia coreana. O Cardeal Kim Soo-hwan e o Padre Lee Tae-seok, um missionário salesiano, tornaram-se, sem saber, os primeiros instrumentos de sua conversão.
"Eles me mostraram que a felicidade não está em ter, mas em doar-se", explica Junho. "Pensei: 'Se existem homens assim, a Igreja Católica deve guardar o segredo da verdadeira alegria.'"
O Encontro que Redefiniu Tudo
Aos 22 anos, Junho entrou em uma Igreja pela primeira vez. O que encontrou ali não foi apenas ritual, mas vida. "As pessoas viviam o exemplo de Cristo. Eram alegres, acolhedoras, diferentes de tudo que eu conhecia." Meses depois, era batizado com o nome de Jeremias — uma homenagem ao profeta que perseverou mesmo na adversidade.

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Junho Chu.[/caption]
O batismo, porém, não aboliu suas lutas. "Pensava que me tornaria um anjo logo após o batismo", brinca. "Mas o egoísmo, a ganância, os vícios do mundo ainda estavam em mim." Aos poucos, aprendeu que a fé é uma caminhada — muitas vezes árdua.
A Música como Missão
A paixão pela música, adormecida durante anos, ressurgiu de forma inesperada. Enquanto servia como catequista, foi convidado a liderar o coral juvenil de sua paróquia. "Aqueles jovens cantando na missa me comoveram mais do que qualquer show do mundo", recorda.
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Junho Chu participa de concurso Musical na Coreia do Sul.[/caption]
Em 2017, sem nunca ter composto antes, venceu um concurso nacional de música católica com uma canção inspirada na Laudato Si, do Papa Francisco. "Foi o Espírito Santo", afirma. Na época era vocalista da banda The Seventeen. Hoje, Junho Chu é cantor solo e usa a música como ferramenta evangelizadora.
"O Evangelho é alegria ao ser lido, mas a maior alegria vem quando o anunciamos", diz, citando Romanos 10,15: "Quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas-novas!"
O Chamado para o Brasil
Em 2023, durante uma peregrinação na Itália, Junho ouviu um coral brasileiro e se encantou. Publicou um vídeo no Instagram — e a resposta dos fiéis do Brasil foi imediata. "Recebi tantas mensagens que decidi aprender uma música em português."
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Junho Chu na Paróquia de Nossa Senhora da Glória, em Fortaleza.[/caption]
Com a ajuda de Polly, uma cantora de Salvador, ele não só aprendeu a pronúncia como viralizou nas redes sociais. Em 2024, desembarcou no país para uma peregrinação musical. "O Brasil é minha casa agora. O povo brasileiro é minha família."
Um Alerta sobre a Cultura Coreana no Exterior
Apesar de celebrar a popularidade do K-pop e dos dramas coreanos no Brasil, Junho faz um alerta: "Precisamos discernir. Se passar horas assistindo a séries me afasta de Jesus, isso não é vida para a alma."
Para ele, a cultura pode ser ponte, mas nunca substituto da fé. "Vigiai, pois não sabeis a hora em que virá o Senhor" (Mateus 24,42), lembra.
O Legado de um Ex-Ateu
De soldado desiludido a missionário, Junho Chu prova que a fé não é herança, mas encontro. E que, às vezes, Deus usa até um vídeo no Instagram para escrever histórias inesperadas.
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Junho Chu na Paróquia de Nossa Senhora da Glória, em Fortaleza.[/caption]
Como ele mesmo define: "Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo" (1 Coríntios 10,17). E no caso de Junho, esse missionário agora canta — em coreano, em português e, acima de tudo, na língua universal do amor a Deus.




