Na madrugada deste domingo, 29 de junho, a Ucrânia sofreu o maior ataque aéreo promovido pela Rússia desde o início do conflito. De acordo com as Forças Armadas ucranianas, Moscou lançou 537 armas aéreas contra o território ucraniano, incluindo 477 drones explosivos e 60 mísseis de diversos tipos. A ofensiva atingiu regiões em todas as partes do país, incluindo áreas a oeste, bem distantes da linha de frente, tradicionalmente mais protegidas da intensidade dos bombardeios.
O ataque resultou na morte de uma pessoa e deixou outras seis feridas, segundo autoridades locais. Além disso, o bombardeio provocou um incêndio de grandes proporções em uma fábrica e causou interrupções no fornecimento de energia elétrica em várias áreas.
As defesas antiaéreas ucranianas afirmaram ter conseguido interceptar 249 dos artefatos lançados pela Rússia. Ainda assim, o volume e a abrangência da ofensiva chamaram a atenção, sinalizando uma escalada na estratégia militar de Moscou.
O ataque ocorreu apenas nove dias após o presidente russo, Vladimir Putin, declarar que o Kremlin estaria disposto a retomar negociações diretas de paz com a Ucrânia, sugerindo Istambul como local para um possível encontro. A proposta, feita em 20 de junho, foi recebida com ceticismo por líderes ucranianos e aliados ocidentais, que veem nos recentes ataques um sinal contrário à retórica diplomática apresentada por Moscou.
Analistas militares destacam que a intensificação dos ataques pode ter objetivos estratégicos, como minar a infraestrutura crítica da Ucrânia e testar os limites das defesas aéreas do país, ao mesmo tempo em que pressiona Kiev em meio à paralisação do avanço no campo de batalha.
Enquanto isso, a população ucraniana segue enfrentando as consequências humanitárias e materiais do conflito, que se arrasta desde fevereiro de 2022 e já provocou milhares de mortes e deslocamentos forçados.




